QUASE UM SEGREDO (por Kas)

MEAN CREEK, EUA, 2004
Direção: Jacob Aaron Estes
Com Rory Culkin, Trevor Morgan, Josh Peck, Carly Schroeder, Ryan Kelley
Lançado simultaneamente em DVD por outra distribuidora como PACTO MALDITO, o filme de estréia de Jacob Aaron Estes, vem sendo chamado de versão juvenil de AMARGO PESADELO, o clássico de John Boorman. É fácil saber por quê. Ambos se passam em um momento idílico num rio e tratam da ruptura da linha que separa a civilização da barbárie.
Um grupo de garotos planeja um esquema de vingança contra George, um valentão anti-social que constantemente maltrata alguns deles. Convidam então o tal valentão, um garoto obeso e com alguma deficiência mental (feito com impressionante complexidade por Josh Peck), para comemorar o aniversário de Sam (Rory Culkin, irmão caçula de Macaulay, que fez o filho de Mel Gibson em SINAIS), o mais jovem da turma. Sam, seu irmão e dois amigos pretendem na verdade usar a desculpa de um passeio de barco para humilhar e dar uma lição em George. É claro que a tragédia os aguarda no caminho.
Apesar das comparações com o filme de Boorman, QUASE UM SEGREDO se aproxima muito mais de outro clássico, este da década de 80. Com CONTA COMIGO, que Rob Reiner adaptou das páginas de Stephen King, divide o foco nas relações infantis – mas não menos violentas – espelhadas nos irmãos mais velhos, a abstração quase completa dos adultos, a presença simbólica de um corpo como catalisador de um amadurecimento moral, e a jornada empreendida pelos protagonistas em busca de si mesmos.
São vários os pontos em comum com o filme de Reiner, mas isso não invalida de forma alguma a proposta do cineasta. Com ELEFANTE, de Gus Van Sant, QUASE UM SEGREDO forma um discurso incisivo sobre a geração da violência na América. Ambos sugerem, de forma mais ou menos direta, que a culpa recai sobre os pais ausentes. Esta simplificação no roteiro de Jacob Aaron Estes, assim como alguns diálogos um pouco elaborados demais para serem proferidos por adolescentes, é compensada pelo tratamento seco e adequado da direção. O clima melancólico é acentuado pela fotografia em tons pastéis e pela bela partitura do duo de música eletrônica tomandandy. O cineasta de primeira viagem mostra completa segurança na condução de sua história e do elenco juvenil, mostrando que a escolha entre a brutalidade e a compreensão pode ser turbulenta como as águas de um rio.
Nota: ***
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A GALÁXIA » NOVAS RESENHAS disse,
9 de Junho de 2006 @ 11:45
[…] * QUASE UM SEGREDO (por Kas) […]