OS EFEITOS DO ANO
Sem nenhum capítulo de O SENHOR DOS ANÉIS pela frente, a disputa pelo Oscar de Efeitos Visuais está maior que nunca. É o que prova o levantamento feito pelo Hollywood Reporter, que desvenda as principais produções que se apoiaram em trucagens, e suas chances nessa temporada de premiação.
Enquanto nos três anos anteriores a WETA dominou a disputa e as estatuetas, em 2004 as pobres coitadas ILM, Digital Domain, Cinesite, Sony Pictures ImageWorks, entre outras menos cotadas, tem alguma chance de levar o troféu para casa. Com a WETA ocupada com KING KONG e AS CRÔNICAS DE NÁRNIA (este ano a empresa neozelandesa só participou de EU, ROBÔ), é tempo das demais mostrarem que não só são mais ricas e capazes, mas que também podem fazer arte.
E é preocupada com o aspecto desbravador da técnica que a Sony Pictures ImageWorks, em conjunto com o diretor Robert Zemeckis e o supervisor Ken Ralston, concebeu O EXPRESSO POLAR, filme difícil de categorizar. Será uma animação, ainda que os movimentos dos personagens são todos frutos de um processo de captura de movimentos parecido com o utilizado pela WETA no Gollum? Ou um filme de efeitos visuais, sem porém ter uma cena sequer em live-action? Enquanto a Academia quebra a cabeça para saber onde vai encaixar essa piração de Zemeckis e cia, o filme não vai tão bem das pernas em sua estréia americana.
Mas a SPI tem outro trunfo na manga: HOMEM-ARANHA 2 é o outro grande lançamento da empresa para 2004, e com certeza o título no qual vai investir para conquistar a sonhada estatueta. Com efeitos comandados por John Dykstra, HOMEM-ARANHA 2 dá um salto com relação ao primeiro filme, apresentando batalhas e cenas de ação cada vez mais próximas do clima dos quadrinhos. A mescla de animatronics e efeitos digitais para dar vida aos tentáculos do Dr. Octopus é espetacular e indistinguível.
Tentáculos também são vistos nos robôs gigantes de CAPITÃO SKY E O MUNDO DE AMANHÃ, delírio retro-futurista do cineasta de primeira viagem Kerry Conran, que vislumbrou realizar o longa inteiro dentro de seu computador, mas que aceitou de bom grado a mãozinha da ILM, WOT Inc., Gray Matter, Stan Winston Digital, CafeFX, Hybride Technologies, Rofer VFX, Luma Pictures, the Orphanage, Rising Sun Pictures, Digital Backlot, Ring of Fire, R!ot Pictures, the Farm West e Pacific Title Digital. Totalmente filmado utilizando tela azul, os únicos elementos reais em cena são os atores e os figurinos de Stella McCartney. Tudo mais foi criado digitalmente, o que aproxima o longa da concepção ousada de O EXPRESSO POLAR.
Para levar HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN para a telona, a ILM contou com a ajuda de empresas menos cotadas, como Framestore CFC (responsável pelo Hipogriffo, um dos grandes destaques do filme), Cinesite, the Moving Pictures Co., Double Negative, Machine, Baseblack e Northern Lights Post. A terceira aventura do bruxinho é a que melhor fez uso de trucagens e efeitos, graças ao bom senso do diretor Alfonso Cuarón. É por isso também a que tem maiores chances de ficar entre os três finalistas.
Disputando o mesmo público de HARRY POTTER, surge mais um pretendente a franquia infanto-juvenil, DESVENTURAS EM SÉRIE, igualmente inspirado em uma série de livros de sucesso. Só que aqui a ILM se responsabilizou por dar vida sozinha ao mundo concebido pelo desenhista de produção Rick Heinrichs. O resultado, pelo pouco que se viu nos trailers, mostra porque a empresa de George Lucas é a Top do ramo.
A ILM foi a principal responsável (colaborou a Illusion Arts) também por trazer de volta à vida os três monstros clássicos da Universal no desprezado VAN HELSING. Mas o destaque ficam para as noivas aladas do vampiro, que mesclam cabeças em live-action com corpos digitais.
Para realizar as catástrofes sem fim de O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, o diretor Roland Emmerich convocou a ILM e a Digital Domain, entre outras (Hydraulx, Tweak Films, the Orphanage, yU+Co., Zoic Studios, Ring of Fire, Uncharted Territory/Dreamscape, Crack Creative, Giant Studios, Lidar VFX). O resultado é o filme mais bem acabado de Emmerich, convincente tanto em sua Nova York congelada quanto nos tufões e maremotos gigantescos.
Por fim, EU, ROBÔ cria um clima de HQ para adaptar a obra de Isaac Asimov em um filme de ação onde um dos personagens centrais é um robô acusado de assassinato, com visual inspirado no iMac. É aí que entra a participação da WETA Digital, que utilizou a mesma técnica empregada no esquizofrênico Gollum para dar vida a Sonny, o robô do título. As outras empresas responsáveis pelos demais efeitos do longa são Digital Domain, Rainmaker Digital Pictures, Pixel Magic, Image Engine e PLF.
É uma seleção respeitável, difícil de destacar um ou outro, apesar de avanços tecnológicos serem mais perceptíveis nesse ou naquele. Com ainda não vi CAPITÃO SKY (estréia em 19/11), O EXPRESSO POLAR (26/11) e DESVENTURAS EM SÉRIE (janeiro), fica difícil dizer quais são os meus favoritos para subir ao palco do Shrine Auditorium em fevereiro.
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