Arquivo de Janeiro de 2005

OS GAROTOS PERDIDOS - EDIÇÃO ESPECIAL: RESENHA DVD

(The Lost Boys, 1987, cor, 1h37)
Widescreen Anamórfico 2.35:1; áudio Inglês 5.1, Português 1.0
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês, Coreano, Chinês, Tailandês e Bahasa-Indonês
Warner
Cotação Filme: 3/5
Cotação DVD: 3,5/5

Pena que não se fazem mais filmes de horror para crianças hoje em dia. Parece que atualmente os estúdios estão cada vez mais cautelosos com o conteúdo de seus filmes voltados ao público infanto-juvenil, o que resulta em produtos anódinos e sem graça. Quando me falam que HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN é forte demais para as crianças, me dá vontade de chorar. Talvez o mais próximo que chegaremos de um filme de horror para garotos de 13, 14 anos seja DESVENTURAS EM SÉRIE, o que é realmente de se lamentar.

Na década de 80 era diferente. Hollywood tinha acabado de descobrir que os jovens estavam no topo da cadeia alimentar das bilheterias. E isso incluia jovens de 10 a 25 anos, gerando todo tipo de filmes de todo tipo de gêneros, dos romances adolescentes de John Hughes às aventuras amblinianas de Spielberg e sua turma. Por outro lado, a espantomania estava no auge, com o sucesso surpreendente de A HORA DO ESPANTO e A HORA DO PESADELO. Porque não então capitalizar sobre todos estes sub-gêneros em um único filme? Eis a gênese de OS GAROTOS PERDIDOS.

Nos documentários que acompanham esta ótima edição dupla, descobrimos que num primeiro momento o filme era direcionado somente às crianças, com um roteiro bem censura livre. As coisas mudaram quando Joel Schumacher e o roteirista Jeffrey Boam entraram no projeto, que era pra ser dirigido por Richard Donner mas este optou por realizar MÁQUINA MORTÍFERA no lugar, permancendo apenas como produtor. A mistura de gêneros não agradou o estúdio num primeiro momento, mas caiu nas graças do público. Numa era pré-internet, o filme gerou um culto instantâneo, que só se intensificou com o lançamento em video. Os rumores sobre uma continuação (quem não gostaria de ver garotas perdidas que sugam pescoços alheios?) são inclusive comentados em um featurette específico.

Visualmente o filme apresenta inovações que não se viam na época. Schumacher claramente tem como modelo a estilização alcançada por Paul Schrader e Ferdinando Scarfiotti em A MARCA DA PANTERA, mas, apesar da colaboração do fotógrafo de TOURO INDOMÁVEL Michael Chapman, não atinge o mesmo efeito. A mão pesada do diretor inclusive prejudica as cenas de humor, que não fluem com a naturalidade necessária. Por outro lado, os personagens memoráveis, o bom elenco e a ambientação perfeita são trunfos que tornam o filme atraente ainda hoje em dia, principalmente para pré-adolescentes que querem travar contato com o gênero horror. Taí o filme perfeito para apresentar pro seu irmão/primo/sobrinho de 12 anos!

O primeiro disco traz o filme em uma nova transferência de video, bem superior à da primeira edição - ainda mais a nacional, que era somente em tela cheia -, e comentários não legendados do diretor, onde são repetidas várias informações concedidas nos diversos extras do segundo disco. Neste temos um documentário de quase 24 minutos chamado Os Garotos Perdidos: Uma Retrospectiva. O nome já diz tudo. Temos entrevistas com Schumacher, Donner, Chapman e os astros Kiefer Sutherland, Corey (”Olha como inchei mas minha voz continua a mesma”) Haim, Corey Feldman, Jamison Newlander e Edward Herrmann. Fala-se principalmente da escalação do elenco e das mudanças no roteiro original. Em seguida temos cinco featurettes, Uma Visão do Diretor, onde todos parecem bajular Schumacher (Herrmann chega a elogiar o indefensável 8mm!), Comédia X Terror (sobre a fusão de gêneros e como isso foi mal recebido pelo estúdio), Sangue Fresco: Uma Nova Visão Sobre os Vampiros (onde Schumacher afirma que acha os vampiros as mais sexys das criaturas da noite, provavelmente ao lado do Batman) e A Continuação de Os Garotos Perdidos?. Bem interessante é o pequeno documentário Vampirizando: As Criações Imortais de Greg Cannon, sobre a contribuição do maquiador para o look do filme, com destaque para as lentes de contato inovadoras para a época.

Os fãs dos Irmãos Frog irão se deliciar com o segmento A Volta de Sam e dos Irmãos Frog, que compreende dois extras. O primeiro é Haimster & Feldog: A História dos 2 Coreys, que nada mais é que entrevistas com ambos os atores, onde eles revelam como se conheceram e viraram uma dupla inesquecível. O segundo traz ambos mais Newlander comentando em video diversas cenas do filme (aproximadamente 55 minutos), mas decepciona por não reuní-los numa mesma sala. Temos então os comentários separados, unidos pela edição, o que não permite uma química entre eles. As Cenas Excluídas (cerca de quinze minutos) trazem curiosidades como uma trama paralela sobre o emprego que o personagem de Jason Patric arruma como catador de lixo na praia, além de novas pistas sobre quem é o verdadeiro líder dos vampiros, mas nada imperdível. Se você esperava a gracinha da Jami Gertz se desnudando daqueles figurinos anos 80, pode esquecer. Temos no máximo uma cena de sexo onde aparece mais o torso de Patric que qualquer outra coisa. Falando em anos 80, nada mais kitch que o videoclipe Lost in the Shadows, de Lou Gramm (que até aparece no filme cantando a música). Temos ainda Galeria de Fotos e Trailer. Todos os extras do segundo disco são devidamente legendados (exceto Videoclip, Trailer e Galeria de Fotos).

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SHAKESPEARE APAIXONADO: RESENHA DVD

(Shakespeare in Love, 1998, cor, 2h04)
Widescreen Anamórfico 2.35:1; áudio Inglês 5.1
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Chinês, Coreano, Tailandês
Universal
FILME: ***
DVD: ***

Divertida brincadeira sobre o universo de William Shakespeare, e levando-se em conta a atual apatia do público com relação à leitura em geral e à Shakespeare em particular, é surpreendente o sucesso alcançado por SHAKESPEARE APAIXONADO. Esta fantasia imagina um romance vivido pelo jovem autor (Joseph Fiennes) com uma dama promeitda (Gwyneth Paltrow), inspirando-o a compor algumas de suas obras-primas, como a tragédia ROMEU & JULIETA e a comédia NOITE DE REIS. É valorizada principalmente pelo excelente roteiro de Marc Norman e Tom Stoppard, que não perdoam a obra e nem a própria figura do autor (nem sua conhecida predileção por jovens do sexo masculino é esquecida).

A direção de John Madden (SUA MAJESTADE, MRS. BROWN) é correta mas sem brilhantismo, que seria necessário para tornar memorável o que é apenas um prazeroso jogo para iniciados e não iniciados.

A produção tem o esmero característico da Miramax e o elenco coadjuvante é ótimo: Geoffrey Rush, Tom Wilkinson, Imelda Staunton, Colin Firth, Rupert Everett, Ben Affleck e Judi Dench parecem se divertir tanto quanto o público. Gwyneth segura bem sua Viola, não ao ponto porém de merecer qualquer estatueta dourada. É Fiennes, porém, o ponto fraco do filme, nunca conseguindo escapar da canastrice e não exibindo nem um traço do talento do irmão Ralph.

O DVD é o mesmo lançado anteriormente pela Columbia. Conta com duas faixas de comentários em áudio, uma com o diretor e outra com membros do elenco e equipe (comparecem Rush, Affleck, Dench, Paltrow, Firth, os produtores Donna Gigliotti e David Parfitt, os roteiristas Norman e Stoppard, o desenhista de produção Martin Childs, a figurinista Sandy Powell, o fotógrafo Richard Greatrex e mesmo o diretor Madden), todos com algo valorável a dizer, mesmo que não necessariamente sobre o que estamos vendo na tela. Além disso, temos um making of de 21min, que vai pouco além do caráter promocional, um featurette sobre os premiados figurinos, quatro cenas excluídas, spots de TV e trailer. Infelizmente, nenhum extra conta com legendas em nenhuma língua sequer.

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WESTERNS EM EDIÇÕES ESPECIAIS

A Columbia americana acaba de anunciar o relançamento de dois grandes westerns, ambos em edições especiais:

OS PROFISSIONAIS, grande incursão de Richard Brooks no gênero, com Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, Ralph Bellamy e uma Claudia Cardinale pré-ERA UMA VEZ NA AMÉRICA. Lançado anteriormente, inclusive no Brasil, contando apenas com áudio 2.0 e trailer como extra, a nova edição promete áudio 5.1 e 3.0, além de três featurettes: Professionals: A Classic, Burt Lancaster: A Portrait e Memories from The Professionals. A curiosidade fica para o formato de tela cheia apenas, duvidoso já que a edição original contava com ambos os formatos, um de cada lado.

O outro título é dos melhores do gênero lançados durante a fase negra dos westerns na década de 80, antes da revitalização trazida por DANÇA COM LOBOS e OS IMPERDOÁVEIS. Enquanto Clint Eastwood prosseguia com seus bang bangs cada vez mais sombrios, Lawrence Kasdan veio com uma proposta mítica, heróica e anacrônica, mas nem por isso menos memorável. SILVERADO dá sequência às revitalizações por Kasdan para gêneros fora de moda na época, como o film noir (CORPOS ARDENTES), o seriado de aventura (OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA) e a space opera (O IMPÉRIO CONTRA ATACA). De quebra, revela um elenco excepcional, ainda que pouco convencional: Kevin Kline, Danny Glover, Jeff Goldblum, Scott Glenn, Rosanna Arquete, John Cleese, Brian Dennehy, Linda Hunt e um jovem Kevin Costner, que a partir daí se apegaria de vez à mitologia do oeste.

Também disponibilizado em DVD no Brasil, numa boa edição, o novo DVD Duplo traz qualidade Superbit, ou seja, áudio DTS e Dolby Digital 5.1, os featurettes A Return to Silverado, com Kevin Costner, Along the Silverado Trail: A Western Historians Commentary e Top Western Shootouts, além de outros atrativos.

Ambas as edições estão previstas para 05 de abril. Resta saber se os fãs brasileiros já podem ir preparando a espoleta.

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EL DORADO: RESENHA DVD

(El Dorado, 1966, cor, 2h06)
Widescreen Anamórfico 1.85:1; Inglês mono, Espanhol mono
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Paramount
Cotação Filme: 4/5
Cotação DVD: 2,5/5

Se não foi o primeiro western que eu vi na minha vida, ainda moleque, EL DORADO com certeza foi o primeiro que me recordo. Passou numa extinta sessão de cinema global, SESSÃO FAROESTE eu acho, que era exibida sempre no sábado à tarde e onde vi outros exemplares tardios do gênero como OS FILHOS DE KATIE ELDER, entre outros.

Quando vi o anúncio na Globo, logo pensei tratar-se de um filme sobre a lendária cidade perdida de Eldorado, fanático que era (e ainda sou) por aventuras mitológicas e exploratórias. A decepção durou só até que eu percebesse que, no lugar da busca ao tesouro imaginada, havia encontrado uma pérola diferente, ao mesmo tempo carregada e longe dos clichês do gênero que eu já travara contato via HQs (o lendário TEX), seriados (DURANGO KID) e livros de bolso.

É a segunda das três vezes que Howard Hawks aborda a mesma trama - xerife e seus companheiros tem de proteger a delegacia de bandidos que querem libertar seu patrão - mas não quer dizer que Hawks não consiga inserir a cada releitura um comentário diferente, uma nova abordagem para a mesma (boa) história, tão boa que foi “homenageada” por John Carpenter em ASSALTO À 13ª DP. O que difere EL DORADO de ONDE COMEÇA O INFERNO e RIO LOBO (ambos disponíveis em DVD) é que mais do que nunca aqui o cineasta aproveita os “tempos mortos” da trama, aqueles momentos que ficariam no chão da sala de montagem nas mãos de outro diretor qualquer, para injetar humor e camaradagem na relação entre os personagens, além de diálogos sardônicos (”Preferia você quando ficava bêbado o dia todo”). A caricatura e o humor fácil são evitados principalmente pelas interpretações saborosas de John Wayne (que estrelou também os outros dois filmes) e Robert Mitchum. A figura de Mitchum bêbado metido em uma camisa suja, rasgada e fedida, que parece não tirar há anos, é uma das imagens que me marcaram na época. Completam o elenco o então astro ascendente James Caan como o jovem Mississipi e o impagável Arthur Hunnicutt como o auxiliar de xerife Bull Harris, dono das melhores tiradas do filme.

É interessante como Hawks aproveita que ambos os astros estão fora de forma e no ocaso da carreira em favor da narrativa. Ambos estão entre os principais pistoleiros (no caso de Mitchum, ex-pistoleiro e atual xerife) da época, prestes a serem substituídos por outro mais novo e menos ético, que debanda para o lado do vilão. Como se não bastasse a idade, Hawks ainda maltrata seus heróis, a ponto de chegarem praticamente aleijados no clímax do filme.

O DVD da Paramount carece dos extras que o filme merece (só o trailer está presente), mas a qualidade de imagem (wide anamórfico) e som (2.0) é muito boa. Uma pepita valiosa.

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FULLER É NEGLIGENCIADO NO BRASIL

O recente relançamento nos EUA da versão estendida de AGONIA E GLÓRIA (THE BIG RED ONE) bem que podia motivar as distribuidoras de DVDs brasileiras a começar a lançar a obra de Samuel Fuller no Brasil. Um dos mais interessantes e cultuados cineastas americanos, Fuller fez miséria com pouco dinheiro e muita liberdade criativa, criando obras impactantes como PAIXÕES QUE ALUCINAM (SHOCK CORRIDOR) e CÃO BRANCO (WHITE DOG). Seus filmes exerceram uma tremenda influência sobre cinéfilos tornados cineastas, como Wim Wenders e Carlos Reichenbach.

AGONIA E GLÓRIA trata das experiências vividas por Fuller na Segunda Guerra Mundial, onde o cineasta chegou a ser preso em um campo de concentração onde hoje é a República Tcheca. Depois de tentar realizar o filme na década de 50 - os estúdios queriam, contra a vontade do diretor, que John Wayne estrelasse -, Fuller só conseguiu o dinheiro de forma independente no fim da década de 70, convocando Lee Marvin, Mark Hamill (em seu papel de maior destaque fora da saga STAR WARS), Robert Carradine e Steve Guttenberg, que personifica o próprio Fuller. Mutilado pelo estúdio na época, o filme passou batido, para só agora ganhar de volta cerca de 40 minutos e assim ser reconhecido como uma obra-prima.

Provavelmente será essa a versão a ser lançada esse ano pela Warner mundo afora (leia o tópico PROVÁVEIS EDIÇÕES ESPECIAIS DA WARNER PARA 2005). Resta saber se sai também no Brasil, já que até agora a obra do cineasta foi completamente ignorada por aqui. O que é um crime, ainda mais considerando as maravilhosas edições que PAIXÕES QUE ALUCINAM e BEIJO AMARGO (THE NAKED KISS) ganharam pela Criterion americana.

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PROVÁVEIS EDIÇÕES ESPECIAIS DA WARNER PARA 2005

Segundo o DIGITAL BITS, vários sites europeus anunciam o lançamento de novas edições especiais na Alemanha em 08 de abril, o que indica que brevemente essas edições devem chegar em outros países, quem sabe até mesmo no Brasil?

Os títulos anunciados são:

- BULLITT
- OS IMPLACÁVEIS
- FUGA NO SÉCULO XXIII
- JUVENTUDE TRANSVIADA
- VIDAS AMARGAS
- AGONIA E GLÓRIA
- BATMAN
- BATMAN: O RETORNO
- MAD MAX 2

Tanto OS IMPLACÁVEIS quanto MAD MAX 2 só saíram por aqui em tela cheia e seria uma boa se a Warner tivesse a decência de relançá-los nessas edições especiais.

Segundo ainda o DIGITAL BITS, BATMAN: EDIÇÃO ESPECIAL está previsto para chegar às lojas americanas em maio, pouco antes do lançamento de BATMAN BEGINS nos cinemas. Entre os extras, teremos comentários em áudio de Tim Burton e um “convidado especial”, novos featurettes, trailers, spots de TV e um documentário de longa-metragem. Os demais filmes, também em edições especiais, saem em uma caixa a ser lançada em outubro ou novembro (provavelmente coincidindo com o lançamento em DVD do novo longa). Entre as novidades, especula-se que Joel Schumacher estaria preparando uma nova montagem de 2h30 de duração de BATMAN ETERNAMENTE. Como se a tortura já não fosse suficiente…

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LANÇAMENTOS EM DVD WARNER EM ABRIL

- EXORCISTA: O INÍCIO
- DESFILE DE PÁSCOA: EDIÇÃO ESPECIAL (EASTER PARADE), com Judy Garland e Fred Astaire
- ESSA LOIRA VALE UM MILHÃO (THE BELLS ARE RINGING), com Judy Hollyday e Dean Martin
- A RODA DA FORTUNA: EDIÇÃO ESPECIAL (THE BAND WAGON), com Fred Astaire e Cyd Charisse
- O CAMINHO DO ARCO-ÍRIS (FINIAN’S RAINBOW), com Fred Astaire
- A LENDA DOS BEIJOS PERDIDOS (BRIGADOON), com Gene Kelly, Van Johnson e Cyd Charisse
- A SETE PALMOS: 2ª TEMPORADA
- MANDA-CHUVA: A SÉRIE COMPLETA
- OS PÁSSAROS FERIDOS

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