
(The Lost Boys, 1987, cor, 1h37)
Widescreen Anamórfico 2.35:1; áudio Inglês 5.1, Português 1.0
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês, Coreano, Chinês, Tailandês e Bahasa-Indonês
Warner
Cotação Filme: 3/5
Cotação DVD: 3,5/5
Pena que não se fazem mais filmes de horror para crianças hoje em dia. Parece que atualmente os estúdios estão cada vez mais cautelosos com o conteúdo de seus filmes voltados ao público infanto-juvenil, o que resulta em produtos anódinos e sem graça. Quando me falam que HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN é forte demais para as crianças, me dá vontade de chorar. Talvez o mais próximo que chegaremos de um filme de horror para garotos de 13, 14 anos seja DESVENTURAS EM SÉRIE, o que é realmente de se lamentar.
Na década de 80 era diferente. Hollywood tinha acabado de descobrir que os jovens estavam no topo da cadeia alimentar das bilheterias. E isso incluia jovens de 10 a 25 anos, gerando todo tipo de filmes de todo tipo de gêneros, dos romances adolescentes de John Hughes às aventuras amblinianas de Spielberg e sua turma. Por outro lado, a espantomania estava no auge, com o sucesso surpreendente de A HORA DO ESPANTO e A HORA DO PESADELO. Porque não então capitalizar sobre todos estes sub-gêneros em um único filme? Eis a gênese de OS GAROTOS PERDIDOS.
Nos documentários que acompanham esta ótima edição dupla, descobrimos que num primeiro momento o filme era direcionado somente às crianças, com um roteiro bem censura livre. As coisas mudaram quando Joel Schumacher e o roteirista Jeffrey Boam entraram no projeto, que era pra ser dirigido por Richard Donner mas este optou por realizar MÁQUINA MORTÍFERA no lugar, permancendo apenas como produtor. A mistura de gêneros não agradou o estúdio num primeiro momento, mas caiu nas graças do público. Numa era pré-internet, o filme gerou um culto instantâneo, que só se intensificou com o lançamento em video. Os rumores sobre uma continuação (quem não gostaria de ver garotas perdidas que sugam pescoços alheios?) são inclusive comentados em um featurette específico.
Visualmente o filme apresenta inovações que não se viam na época. Schumacher claramente tem como modelo a estilização alcançada por Paul Schrader e Ferdinando Scarfiotti em A MARCA DA PANTERA, mas, apesar da colaboração do fotógrafo de TOURO INDOMÁVEL Michael Chapman, não atinge o mesmo efeito. A mão pesada do diretor inclusive prejudica as cenas de humor, que não fluem com a naturalidade necessária. Por outro lado, os personagens memoráveis, o bom elenco e a ambientação perfeita são trunfos que tornam o filme atraente ainda hoje em dia, principalmente para pré-adolescentes que querem travar contato com o gênero horror. Taí o filme perfeito para apresentar pro seu irmão/primo/sobrinho de 12 anos!
O primeiro disco traz o filme em uma nova transferência de video, bem superior à da primeira edição - ainda mais a nacional, que era somente em tela cheia -, e comentários não legendados do diretor, onde são repetidas várias informações concedidas nos diversos extras do segundo disco. Neste temos um documentário de quase 24 minutos chamado Os Garotos Perdidos: Uma Retrospectiva. O nome já diz tudo. Temos entrevistas com Schumacher, Donner, Chapman e os astros Kiefer Sutherland, Corey (”Olha como inchei mas minha voz continua a mesma”) Haim, Corey Feldman, Jamison Newlander e Edward Herrmann. Fala-se principalmente da escalação do elenco e das mudanças no roteiro original. Em seguida temos cinco featurettes, Uma Visão do Diretor, onde todos parecem bajular Schumacher (Herrmann chega a elogiar o indefensável 8mm!), Comédia X Terror (sobre a fusão de gêneros e como isso foi mal recebido pelo estúdio), Sangue Fresco: Uma Nova Visão Sobre os Vampiros (onde Schumacher afirma que acha os vampiros as mais sexys das criaturas da noite, provavelmente ao lado do Batman) e A Continuação de Os Garotos Perdidos?. Bem interessante é o pequeno documentário Vampirizando: As Criações Imortais de Greg Cannon, sobre a contribuição do maquiador para o look do filme, com destaque para as lentes de contato inovadoras para a época.
Os fãs dos Irmãos Frog irão se deliciar com o segmento A Volta de Sam e dos Irmãos Frog, que compreende dois extras. O primeiro é Haimster & Feldog: A História dos 2 Coreys, que nada mais é que entrevistas com ambos os atores, onde eles revelam como se conheceram e viraram uma dupla inesquecível. O segundo traz ambos mais Newlander comentando em video diversas cenas do filme (aproximadamente 55 minutos), mas decepciona por não reuní-los numa mesma sala. Temos então os comentários separados, unidos pela edição, o que não permite uma química entre eles. As Cenas Excluídas (cerca de quinze minutos) trazem curiosidades como uma trama paralela sobre o emprego que o personagem de Jason Patric arruma como catador de lixo na praia, além de novas pistas sobre quem é o verdadeiro líder dos vampiros, mas nada imperdível. Se você esperava a gracinha da Jami Gertz se desnudando daqueles figurinos anos 80, pode esquecer. Temos no máximo uma cena de sexo onde aparece mais o torso de Patric que qualquer outra coisa. Falando em anos 80, nada mais kitch que o videoclipe Lost in the Shadows, de Lou Gramm (que até aparece no filme cantando a música). Temos ainda Galeria de Fotos e Trailer. Todos os extras do segundo disco são devidamente legendados (exceto Videoclip, Trailer e Galeria de Fotos).