FULLER É NEGLIGENCIADO NO BRASIL

O recente relançamento nos EUA da versão estendida de AGONIA E GLÓRIA (THE BIG RED ONE) bem que podia motivar as distribuidoras de DVDs brasileiras a começar a lançar a obra de Samuel Fuller no Brasil. Um dos mais interessantes e cultuados cineastas americanos, Fuller fez miséria com pouco dinheiro e muita liberdade criativa, criando obras impactantes como PAIXÕES QUE ALUCINAM (SHOCK CORRIDOR) e CÃO BRANCO (WHITE DOG). Seus filmes exerceram uma tremenda influência sobre cinéfilos tornados cineastas, como Wim Wenders e Carlos Reichenbach.

AGONIA E GLÓRIA trata das experiências vividas por Fuller na Segunda Guerra Mundial, onde o cineasta chegou a ser preso em um campo de concentração onde hoje é a República Tcheca. Depois de tentar realizar o filme na década de 50 - os estúdios queriam, contra a vontade do diretor, que John Wayne estrelasse -, Fuller só conseguiu o dinheiro de forma independente no fim da década de 70, convocando Lee Marvin, Mark Hamill (em seu papel de maior destaque fora da saga STAR WARS), Robert Carradine e Steve Guttenberg, que personifica o próprio Fuller. Mutilado pelo estúdio na época, o filme passou batido, para só agora ganhar de volta cerca de 40 minutos e assim ser reconhecido como uma obra-prima.

Provavelmente será essa a versão a ser lançada esse ano pela Warner mundo afora (leia o tópico PROVÁVEIS EDIÇÕES ESPECIAIS DA WARNER PARA 2005). Resta saber se sai também no Brasil, já que até agora a obra do cineasta foi completamente ignorada por aqui. O que é um crime, ainda mais considerando as maravilhosas edições que PAIXÕES QUE ALUCINAM e BEIJO AMARGO (THE NAKED KISS) ganharam pela Criterion americana.

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