EL DORADO: RESENHA DVD

(El Dorado, 1966, cor, 2h06)
Widescreen Anamórfico 1.85:1; Inglês mono, Espanhol mono
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Paramount
Cotação Filme: 4/5
Cotação DVD: 2,5/5

Se não foi o primeiro western que eu vi na minha vida, ainda moleque, EL DORADO com certeza foi o primeiro que me recordo. Passou numa extinta sessão de cinema global, SESSÃO FAROESTE eu acho, que era exibida sempre no sábado à tarde e onde vi outros exemplares tardios do gênero como OS FILHOS DE KATIE ELDER, entre outros.

Quando vi o anúncio na Globo, logo pensei tratar-se de um filme sobre a lendária cidade perdida de Eldorado, fanático que era (e ainda sou) por aventuras mitológicas e exploratórias. A decepção durou só até que eu percebesse que, no lugar da busca ao tesouro imaginada, havia encontrado uma pérola diferente, ao mesmo tempo carregada e longe dos clichês do gênero que eu já travara contato via HQs (o lendário TEX), seriados (DURANGO KID) e livros de bolso.

É a segunda das três vezes que Howard Hawks aborda a mesma trama - xerife e seus companheiros tem de proteger a delegacia de bandidos que querem libertar seu patrão - mas não quer dizer que Hawks não consiga inserir a cada releitura um comentário diferente, uma nova abordagem para a mesma (boa) história, tão boa que foi “homenageada” por John Carpenter em ASSALTO À 13ª DP. O que difere EL DORADO de ONDE COMEÇA O INFERNO e RIO LOBO (ambos disponíveis em DVD) é que mais do que nunca aqui o cineasta aproveita os “tempos mortos” da trama, aqueles momentos que ficariam no chão da sala de montagem nas mãos de outro diretor qualquer, para injetar humor e camaradagem na relação entre os personagens, além de diálogos sardônicos (”Preferia você quando ficava bêbado o dia todo”). A caricatura e o humor fácil são evitados principalmente pelas interpretações saborosas de John Wayne (que estrelou também os outros dois filmes) e Robert Mitchum. A figura de Mitchum bêbado metido em uma camisa suja, rasgada e fedida, que parece não tirar há anos, é uma das imagens que me marcaram na época. Completam o elenco o então astro ascendente James Caan como o jovem Mississipi e o impagável Arthur Hunnicutt como o auxiliar de xerife Bull Harris, dono das melhores tiradas do filme.

É interessante como Hawks aproveita que ambos os astros estão fora de forma e no ocaso da carreira em favor da narrativa. Ambos estão entre os principais pistoleiros (no caso de Mitchum, ex-pistoleiro e atual xerife) da época, prestes a serem substituídos por outro mais novo e menos ético, que debanda para o lado do vilão. Como se não bastasse a idade, Hawks ainda maltrata seus heróis, a ponto de chegarem praticamente aleijados no clímax do filme.

O DVD da Paramount carece dos extras que o filme merece (só o trailer está presente), mas a qualidade de imagem (wide anamórfico) e som (2.0) é muito boa. Uma pepita valiosa.

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