ZAROFF, O CAÇADOR DE VIDAS: RESENHA DVD


(The Most Dangerous Game, 1932, P&B, 1h03)
Full Frame 1.33:1; áudio Inglês mono
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Magnus Opus
Cotação Filme: 3,5/5
Cotação DVD: 2,5/5

Antes de realizarem o que é talvez o maior filme de aventuras de todos os tempos, KING KONG, a dupla Ernest B. Shoedack (co-diretor, ao lado de Irving Pichel, responsável pela direção de atores) e Merian C. Cooper (produtor associado) levaram às telas, também pela RKO, outra história icônica: ZAROFF, O CAÇADOR DE VIDAS.

Um renomado caçador (Joel McCrea) é o único sobrevivente de um naufrágio e consegue escapar dos tubarões nadando até uma ilha misteriosa. Lá, conhece um recluso milionário russo (o canastríssimo Leslie Banks), assim como Eve e Martin, um casal de irmãos náufragos de um acidente anterior (Fay Wray e Robert Armstrong, que estrelariam KING KONG no ano seguinte). O milionário, também um caçador, revela ter encontrado não uma nova paixão, mas sim um novo animal para caçar: o ser humano. E como humanos não dão em árvores, sobra a função de caça para as pobres almas que aportam por ali. O jogo é simples: quem conseguir sobreviver até o amanhecer, poderá sair da ilha. Quem não tiver tanta sorte, terá o crânio enfeitando a Sala de Troféus do Conde Zaroff.
ZAROFF inspirou não só filmes como O ALVO (com Van Damme) e SOBREVIVENDO AO JOGO (com Ice T), mas principalmente Stan Lee e cia, que não pestanejaram em copiar o personagem (um caçador cossaco de origem nobre que fugiu da Rússia após a revolução) como até mesmo o seu visual e rebatizá-lo de Kraven, O Caçador, um dos principais inimigos do Homem-Aranha.
ZAROFF, O CAÇADOR DE VIDAS permanece, porém, como uma das aventuras máximas da década de 30. O filme tem pouco mais de uma hora de duração e não perde tempo para chegar direto no que interessa: uma caçada no interior da ilha, enfrentando pântanos nebulosos, crocodilos, abismos e outros perigos. McCrea deixa de ser caçador para virar caça, e, além de sobreviver, ainda tem de achar tempo de salvar Eve (Wray, treinando os gritos para KONG). A trilha sempre grandiosa de Max Steiner completa o climão de aventura.
Como bem observa o crítico e historiador Luiz Nazário no texto presente nessa edição (o único extra, ao lado de uma nota sobre Merian C. Cooper), Zaroff tem traços visivelmente homossexuais, e só se excita disputando a mocinha com outro homem. O que só adiciona complexidade ao já memorável personagem.
Esta edição de ZAROFF, O CAÇADOR DE VIDAS parece ter aproveitado a versão lançada nos EUA pela Criterion, o que se traduz em uma cópia de boa qualidade, com algumas manchas e instabilidades na imagem provenientes do negativo original, mas perfeitamente aceitáveis considerando a idade do filme. Lançado no box CINEMA FANTÁSTICO da Magnus Opus, mas pode ser encontrado separadamente.

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