Arquivo de Abril de 2005

A PANTERA COR-DE-ROSA: RESENHA DVD


(The Pink Panther, 1963, cor, 1h55)
Widescreen Anamórfico 2.35:1; áudio Inglês 5.1 e mono
Legendas: Português, Inglês e Espanhol
Fox / MGM
Cotação Filme: 3/5
Cotação DVD: 3/5

Concebido como um veículo para David Niven, A PANTERA COR-DE-ROSA saiu pela culatra e consagrou o até então desconhecido comediante inglês Peter Sellers como astro internacional. Uma vingança tardia mas explêndida, já que seu ingênuo Inspetor Jacques Clouseau sofre o diabo na tela, quase como se fosse uma versão em carne e osso do gato Tom, que faz de tudo para capturar o rato Jerry vivido por Niven. Sellers, um coadjuvante neste primeiro filme, rouba a cena de tal forma que acaba por roubar também toda a série. Daí em diante, Clouseau seria o personagem principal e Sellers tiraria total proveito da situação para criar um personagem não apenas memorável mas icônico.
É a presença de Sellers e Niven (bem secundados pelas deslumbrantes Capucine, como a adúltera Sra. Clouseau, e Claudia Cardinale, como a Princesa Dala, proprietária do diamante que dá título ao filme) que segura essa leve e sofisticada comédia, típica de seu diretor Blake Edwards, um fã do pastelão que tem neste longa um prato cheio para exercitar seu talento cômico. Talento este que consiste em criar longas e elaboradas sequências, harmoniosamente enquadradas, onde a gag se desenvolve com naturalidade, às vezes até mesmo fora do quadro, como na hilária cena em que Clouseau se levanta diversas vezes da cama para atender aos desígnios de sua esposa. Apenas o personagem de Robert Wagner parece deslocado, quase como uma concessão para introduzir um personagem americano entre os principais.
Apesar das inúmeras trapalhadas exibidas na tela (e olha que o personagem de Clouseau nem estava no auge de seus recursos), é nos momentos mais sofisticados que Edwards brilha, como na sensacional sequência de perseguição de carros na praça e na espetacular abertura, que introduz a impagável Pantera que, a exemplo de Clouseau, viraria estrela internacional e protagonista de suas próprias séries de animação para cinema e TV.
Lançado como parte integrante da COLEÇÃO A PANTERA COR-DE-ROSA numa bela, ainda que frágil, caixa (ver imagem acima), esse primeiro longa pode ser adquirido separadamente e conta com ótima qualidade de imagem e som, além de comentários em áudio (sem legendas) do diretor Edwards e trailer original, que já introduzia a figura da Pantera.

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O ÚLTIMO MATADOR: RESENHA DVD


(Last Mas Standing, 1996, cor, 1h41)
Widescreen Anamórfico 2.35:1; áudio Inglês 5.1 e 2.0, Português 2.0
Legendas: Português, Inglês
PlayArte / New Line
Cotação Filme: 2,5/5
Cotação DVD: 2,5/5

Depois de cruzar o caminho de samurais e bandoleiros, é a vez do estranho sem nome enfrentar gângsters, nesta atualização feita por Walter Hill da mesma trama que originou YOJIMBO e POR UNS DÓLARES A MAIS. Kurosawa e seu co-roteirista Ryuzo Kikushima são até mesmo creditados como autores do argumento. Só que aqui o estranho sem nome ganha o nome genérico de John Smith e deve muito mais a Humphrey Bogart que a Toshiro Mifune e Clint Eastwood.

A narração em off e o excesso de fusões e fades, recursos recorrentes nos film noirs, aproximam O ÚLTIMO MATADOR muito mais deste sub-gênero que dos westerns, filmes de samurais e até mesmo de gângsters. Outro elemento presente nos noirs e ausente nos demais gêneros citados são as mulheres, que aqui desencadeiam a ação, levando o protagonista a tomar decisões que transcendem o interesse pessoal. “Por causa de uma mulher é que você vai cair“, precogniza o xerife vivido por Bruce Dern.

Outra influência clara são os filmes de Hong Kong, que tomavam de assalto a Hollywood de meados da década de 90. Hill ensaia cenas de ação a la John Woo, com o herói empunhando duas armas ao mesmo tempo e com corpos voando sob o impacto das balas.

Não que seja surpresa um filme do gênero não ser exatamente sutil, mas ainda assim Hill pesa demasiadamente a mão, fazendo com que O ÚLTIMO MATADOR jamais empolgue como deveria. Culpa compartilhada pelo astro. Apesar de Bruce Willis ter a estampa perfeita para um herói pulp, o tom empregado pelo ator, com sua voz sussurrada e biquinho proeminente, é equivocado, jamais se comparando a elegância de Mifune e ao tom jocoso de Eastwood. Resta a competência da realização, mas falta brilho e emoção.

O DVD lançado pela PlayArte tem a mesma competência sem brilho de som e imagem e apenas trailers de outros filmes como extras. Vale o aluguel e só.

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