BEN-HUR COM DEFEITO DE AUTORAÇÃO E A DECADÊNCIA DA WARNER

O colaborador Bond nos enviou esse misto de desabafo e crítica mais que pertinente ao atual estado das coisas, no que se refere à qualidade dos produtos da Warner Home Entertainment, que culminou em um problema sério de autoração no DVD de BEN-HUR - EDIÇÃO DE COLECIONADOR. Vale a pena ser lido e comentado.

Em 2005 vimos que a distribuidora Warner cresceu bastante no mercado de DVD, passando a lançar praticamente todos os meses títulos em DVD de seriados, clássicos em grande quantidade além dos lançamentos normais que a produtora sempre lançava. Mas desde o início do segundo semestre ela mudou os serviços de produção dos discos para outra empresa, a Microservice. Quando os colecionadores receberam seu primeiro DVD fabricado pela Microservice (no meu caso foi a COLEÇÃO JAMES DEAN), devem ter percebido de cara que o disco não mantinha o padrão de qualidade da Videolar, pois o material do disco não é igual, nem mesmo a estampa do disco (ou silk), por sinal bem menos atraente do que o da Videolar, mas isso é o de menos.

Quando foi lançado primeiro filme duplo não lançamento não vimos muita diferença (no caso foi AGONIA E GLÓRIA – EDIÇÃO ESPECIAL), pois possuía aquela luva cartonada de colecionador igual aos títulos duplos não lançamentos que eram lançados pela Videolar. Mas quando recebi meu DVD de BULLITT – EDIÇÃO ESPECIAL tenho minha primeira surpresa desagradável: descubro que a luva cartonada não era envernizada, o que voltaria a acontecer em FOGO CONTRA FOGO – EDIÇÃO ESPECIAL e NÚPCIAS DE ESCÂNDALO – EDIÇÃO ESPECIAL. Mas ainda assim continuei achando que isso não estragava nada. Chega agosto e recebo meus boxes da JOAN CRAWFORD e BETTE DAVIS, e nem vou entrar no mérito que três filmes foram retirados do box (engraçado que dois deles saíram nos eua com legendas em português), mas ao abrir o plástico do box descubro que rasguei parte do box da JOAN, pois ele não era mais cartonado e muito menos envernizado, e sim feito de um papelão ultra fino iguais os da Universal/Microservice). Pra piorar, os boxes com três discos não custavam mais 79,90 e sim 89,90 (preço maior pra qualidade menor?).

Em setembro, recebo meus boxes dos GANGSTERS em embalagem cartonada sem verniz e custando os mesmos 89,90 dos boxes triplos. Dia 15 de setembro, recebo a COLEÇÃO ERROL FLYNN e AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD – EDIÇÃO ESPECIAL (este bem atrasado, pois foi originalmente anunciado para outubro de 2003) e tenho mais uma surpresa desagradável: os DVDs não lançamento duplos passaram de 34,90 para 39,90 e não tinha mais a luva cartonada que era ofertada em todos os DVDs duplos não lançamentos desde 2002 quando foi lançado CANTANDO NA CHUVA duplo (fim de uma era? Ou DVDs mais caros com menos qualidade?).

Eis que chega outubro e a Warner continua sua política de lançar muitos clássicos, e recebo a COLEÇÃO GRETA GARBO (que veio sem quatro discos da versão americana) dividido em dois boxes com três filmes cada (sendo que GRANDE HOTEL é um titulo repetido, vide COLEÇÃO DORIS DAY com ARDIDA COMO PIMENTA repetido e COLEÇÃO JAMES DEAN com ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE triplo também repetido, sem opção de comprar os titulos inéditos avulsos) e BEN-HUR com quatro discos. O box está praticamente impecável (apesar dos comentários em áudio não serem legendados, como foram os de E O VENTO LEVOU) se não fosse por um sério problema: a maioria dos extras do disco 4 estão com problemas de autoração sendo impossíveis de serem acessados. Tive a mesma reclamação de três amigos que compraram em lojas diferentes.

E pra novembro, tenho outra boa notícia: a COLEÇÃO ASTAIRE E ROGERS (5 DVDs) está em pré-venda com 10 reais de acréscimo, custando 149,90, sendo que a COLEÇÃO ERROL FLYNN com o mesmo número de discos custou 139,90. Como se não bastasse, O MÁGICO DE OZ – EDIÇÃO DE COLECIONADOR, com três DVDs, está sendo pré-vendido por 99,90, o mesmo valor de BEN-HUR e E O VENTO LEVOU, ambos com quatro discos.

Em suma, a Warner saiu de uma empresa estável como a Videolar e foi para uma bem menos confiável, como a Microservice, que está cada vez mais piorando seus serviços, talvez por não ter como atender a crescente demanda. E ainda assim, o preço sobe inversamente à qualidade dos produtos oferecidos. A Warner, que vinha se firmando como a maior e melhor distribuidora do Brasil principalmente pela política de lançar clássicos em edições fabulosas e preços acessíveis (apesar da repreensível posição de não legendar os comentários em áudio de todos os seus títulos), decaiu assustadoramente ao optar pelos serviços da Microservice em detrimento dos da Videolar. Infelizmente, quem paga o pato é o consumidor. É um custo – financeiro e emocional – cada vez maior ser colecionador de DVDs no Brasil.

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