E O OSCAR FOI PARA…

Decepcionante essa premiação do Oscar, negando toda a ousadia que apresentou nas indicações. Ao mesmo tempo, nunca tivemos uma entrega do prêmio tão previsível, contando aí a escolha de CRASH: NO LIMITE como filme do ano (a campanha agressiva comandada pela Lions Gate já vinha dando resultado).

O que podemos concluir? Primeiro, que a Academia de fato não se apaixonou por nenhum filme, visto a pulverização dos prêmios em vários títulos, dois deles mais “de arte” (O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN e CRASH) e outros dois mais mainstream (KING KONG e MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA).

Segundo que seguiu-se assim a cartilha reinante, que previa exatamente isso. Absolutamente nada surpreendente em nenhuma categoria, mas nem por isso menos injusto. O medíocre GUEIXA levar três prêmios? “É um filme bonito de se ver”, diriam alguns. Bonitinho mais ordinário, já que fotografia, direção de arte e figurinos em nada contribuem para o drama, estão ali apenas para enfeitar. E mesmo assim com o mínimo de criatividade possível. O único prêmio que eventualmente mereceria é o de música, mas mesmo aí prefiro a que John Williams compôs para MUNIQUE. Nessa categoria, todos os indicados eram de qualidade: o vencedor BROKEBACK MOUNTAIN e as trilhas de ORGULHO E PRECONCEITO e O JARDINEIRO FIEL, que consagram dois novos nomes, Dario Marianelli e Alberto Iglesias.

Minha insatisfação não é tanto por meu filme favorito entre os indicados, MUNIQUE, sair de mãos abanando. MUNIQUE é o GANGUES DE NOVA YORK e o DE OLHOS BEM FECHADOS desse ano, aquela grande obra de um grande cineasta em suas plenas posses que desagradou mais que agradou. Já foi lembrado nas indicações e devia se contentar com isso.

O maior problema foi a opção pela mediocridade. Alguns premiados foram mais que merecidos. KING KONG justificou cada uma das três estatuetas que levou (Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais) e merecia ainda Direção de Arte. Philip Seymour Hoffman é um grande ator e realmente incorpora o protagonista de CAPOTE, mas talvez tenha bem mais material para se trabalhar que David Strathairn em BOA NOITE, BOA SORTE e mesmo o ignorado Ralph Fiennes de O JARDINEIRO FIEL. Sua companheira de elenco, Rachel Weisz, é das justiçadas com louvor.

Restaram alguns discursos irônicos, como da carta marcada George Clooney, ao receber o troféu de coadjuvante: “Então quer dizer que não vou ganhar o de diretor…”. Não, George, seria surpreendente demais.

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