UM CINEMA MUSICAL
Já está em cartaz em algumas capitais e em breve entrará em outras o belo O CÉU DE SUELY, segundo filme de Karim Aïnouz, o primeiro sendo MADAME SATÃ, que também é bem bacana. SUELY é provavelmente o filme brasileiro mais premiado do ano - 18 prêmios até agora - sendo que o filme saiu há poucos meses, no Festival de Veneza. Segundo Karim, e ele soa sincero dizendo isso, o sucesso do filme é assustador, já que “houve pouco tempo entre a finalização do longa, em agosto, e o retorno do público, que iniciou já em sua primeira exibição em Veneza, um mês depois“.
Karim defende também a idéia de um cinema musical, não no sentido de cinema cantado e sim de uma aproximação maior da narrativa com a linguagem musical que a literária. Nesse sentido, e também na mescla entre a captura da realidade e o tom onírico, o filme do diretor dialoga mais com PAISAGEM NA NEBLINA, do grego Theo Angelopoulos do que com as experiências de Dziga Vertov. Ele lembra inclusive que O CÉU DE SUELY acabou de ser premiado na Grécia, mais precisamente no Festival de Tessalônica, que é exatamente a cidade onde Angelopoulos rodou PAISAGEM NA NEBLINA. Outras aproximações podem ser feitas com o cinema de Wim Wenders, principalmente o do início de sua carreira, como ALICE NAS CIDADES. Mas - e isso é pessoal, pois não tive tempo de conversar com Karim a respeito - por vezes O CÉU DE SUELY lembra também PARA SEMPRE LILYA, de Lukas Moodysson. A mesma sensação de deslocamento, de não pertencer a seu local de origem, que move Lilya se repete em Hermila, a protagonista de O CÉU DE SUELY. Semelhança que procede também - e aí o próprio Karim concorda - com a personagem de Mariana Ximenes no simpático A MÁQUINA, que quer o mundo inteiro.
Voltando ao cinema musical, a idéia é recorrer a essa estrutura para criar ou evocar sensações, ou mesmo “falar a língua de Deus“, como afirma Beethoven em O SEGREDO DE BEETHOVEN, outra estréia da semana, um filme bem interessante da polonesa Agnieszka Holland, de quem admiro muito o trabalho. Lembro a Karim uma declaração de George Lucas, que o público “quando vai ao cinema, não está de fato vendo um filme, e sim ouvindo música“. Pois embarquem então nessa peça de câmara de Karim Aïnouz.
Permalink Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 197.
Waldeco disse,
21 de Dezembro de 2006 @ 02:37
OFF-TOPIC:
Kas, você sabe se o filme ‘Digam o que Quiserem’ (Say Anything…, Dir.: Cameron Crowe) vai sair em dvd no Brasil? Nos EUA saiu uma edição com 5.1, widescreen, extras. Passou hoje na TV e assisti novamente. É um filme até bobo, mas que me traz boas lembranças.
Feliz Natal e Bom Ano Novo a todos!