Ok, o Oscar passou e eu como sempre adorei. Sei que isso depõe contra mim, mas adoro as piadas, as supresas (que não são muitas) e tudo mais. O Oscar é minha final de campeonato brasileiro. Espero o ano todo por ele. Isso quer dizer que o Oscar é absoluto? Não. É geralmente injusto, ignorante, obtuso.
Mas isso só torna aqueles momentos em que acerta dignos de nota. Se sempre ganhassem os Oscars aqueles filmes que realmente eram os melhores do ano, que graça teria? Já saberíamos de antemão quais seriam os vencedores e aí sim, a cerimônia seria um porre, sem suspense ou torcida pelos favoritos. Pra que? Eles já ganhariam de toda forma…
O fato do Oscar ser o que é é que torna tudo mais interessante. Mesmo pra falar mal. E a própria Academia sabe disso. É só ver aquele clipe exibido com todos os vencedores das últimas 79 cerimônias. Como comparar LAWRENCE DA ARÁBIA com UMA MENTE BRILHANTE? Só pode ser piada, uma das que não tiveram muita graça nesta 80ª edição.
As piores, sem dúvida, foram as ausências sentidas no clipe IN MEMORIAM, que homenageam aqueles que partiram nos 12 meses anteriores. Já era meio falta de respeito o pouco tempo que deram a Bergman e Antonioni, e todo mundo sabe que Brad Renfro não era muito querido pela indústria. Ainda assim, deixá-lo vergonhosamente de lado foi… vergonhoso. Mais escabroso ainda é não se lembrarem dos grandes Ulrich Mühe, que protagonizou A VIDA DOS OUTROS, o vencedor do Oscar de estrangeiro do ano passado, e Roy Scheider (a Academia se recorda de TUBARÃO? OPERAÇÃO FRANÇA? ALL THAT JAZZ?). É o tipo de coisa que não dá pra colocar a culpa na greve, que era de roteiristas e não de editores.
Tirando esse gosto amargo, a premiação em si foi bem positiva, sem nada que pudesse ser usado contra a Academia. Bom demais ver O ULTIMATO BOURNE papar os três Oscars para os quais foi indicado. Era como se os votantes fizessem um mea culpa de não terem reconhecido melhor o filme durante o processo de indicações, onde privilegiaram um Jason Reitman no lugar de Paul Greengrass (ou Cronenberg, Lumet, Joe Wright…).
Não sou louco de afirmar que A BÚSSOLA DE OURO tem realmente os melhores efeitos do ano, mas gostei de vê-lo premiado. Ainda mais que isso deixou também TRANSFORMERS de mãos abanando! E pro Bay, tudo? Naaaaaaada!
Tirando o Bay, teve pra todo mundo: quatro estatuetas para os Coen (que fazem com ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ um dos grandes filmes de suas carreiras, ao lado de AJUSTE FINAL, O GRANDE LEBOWSKI, BARTON FINK e A RODA DA FORTUNA), três para BOURNE, duas para o impressionante SANGUE NEGRO (alguém duvida que estamos próximos de ver um Sir Daniel Day-Lewis?).
Dario Marianelli venceu com honra uma categoria de fortes oponentes. Sua trilha para DESEJO E REPARAÇÃO é realmente emocionante. RATATOUILLE foi a melhor animação do ano, e o diretor de O GIGANTE DE FERRO subiu ao palco pela segunda vez (a primeira foi por OS INCRÍVEIS, de 2004) para dar outro belo discurso. E ainda mostrou como faz na hora de votar no Oscar, um dos momentos mais impagáveis!
A canção do ainda inédito ONCE era realmente a mais legal e valeu o reconhecimento (sem falar que foi bacana trazerem a moça que ganhou novamente ao palco, para ela poder agradecer devidamente). Seu parceiro, ainda mais deslumbrado, pediu repetidas vezes que a Academia fizesse arte, ao final de seu agradecimento, e revelou, como bom irlandês, qual foi sua maior honraria: receber uma mensagem de congratulação de ninguém menos que Bono.
Jon Stewart comandou a festa com o humor ferino de sempre (que foi potencializado pelas diversas taças de vinho que eu tomei enquanto assistia) e merece voltar para as próximas cerimônias. E que venham elas!