MÁQUINA, A (por Kas)
BRASIL, 2006
De João Falcão
Com Gustavo Falcão, Mariana Ximenes, Paulo Autran, Wladimir Brichta, Fabiana Karla, Wagner Moura, Lázaro Ramos
É uma pena que tenha sobrado para A MÁQUINA desmistificar a suposta infalibilidade da Globo Filmes nas bilheterias. Quando até mesmo coisas como ACQUARIA e CASSETA E PLANETA, O FILME fizeram carreira decente, o longa do estreante João Falcão luta para alcançar os 80 mil espectadores.
Qual será o problema? Será uma rejeição do público ou um marketing equivocado? Pra mim, a falta de interesse começa pelo título, comercialmente muito ruim. Tudo bem que é o mesmo nome do romance e da peça que o originou mas mesmo assim. Algo como NORDESTINA refletiria melhor o filme e ao mesmo tempo criaria uma aura mítica em torno do mesmo. Do jeito que está, NORDEST…, quer dizer, A MÁQUINA não encontrou seu público, e isso é muito triste.
Pois trata-se de uma comédia romântica deliciosa, sobre uma cidade no interior de Pernambuco chamada Nordestina, de onde todos emigram, já que o progresso nunca vai à Nordestina. Lá vive Antônio, o caçula dos 13 filhos de Nazaré, apaixonado em segredo por Karina, que sonha em virar artista de TV na cidade grande, seja ela qual for. Pois já que Karina é impossibilitada de ir ao mundo, Antônio, por amor, trará o mundo à Karina.
É em torno de Karina que gira a trama, contada em flashback (ou não) por um velho Antônio (Paulo Autran, soberbo). Se a personagem não funcionasse, se não entendessemos o amor de Antônio, o filme também não funcionaria. Mas é em Karina, ou melhor, em sua intérprete, que reside a alma do filme. Mariana Ximenes revela-se não apenas uma atriz de mão cheia, mas também de um carisma imenso. Sua Karina é espevitada, sexy, apaixonante. Disposta a sacrificar seu grande amor por seu sonho, mesmo que isso signifique que ela jamais será de outro homem enquanto viver.
O jovem Antônio é vivido por Gustavo Falcão, que segura bem o papel. E a cenografia de Nordestina, mistura de maquetes e estúdio, remete ao teatro filmado de DOGVILLE e MANDERLAY, mas sem o radicalismo da proposta de Lars Von Trier. Junto com a luz de Walter Carvalho, representa visualmente a mistura de linguagens - teatral, televisiva, cinematográfica - de João Falcão, que realiza o filme que Guel Arraes (aqui produtor associado) daria um braço para ter feito.
Um dos colegas críticos não gostou da indefinição de gêneros - o filme flerta também com a sátira social e a ficção científica, sendo que toda a parte de Paulo Autran é claramente inspirada em OS 12 MACACOS. Mas me parece um equívoco por parte do sujeito, já que toda a metalinguagem e colagem de gêneros, que remetem ao trabalho de Arraes e Jorge Furtado (com quem Falcão colabora em seu trabalho global) está em função de uma bela declaração de amor. O ritmo dá uma escorregada lá pelo meio do filme, mas se recupera num final simples e emocionante. Aproveite que A MÁQUINA ainda está em cartaz (em poucos cinemas e horários), esqueça o título equivocado e passeie pelo tempo e por Nordestina com Antônio de Nazaré.
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3 Comentários »
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A GALÁXIA » O ANO EM QUE O BRASIL VAI PARA O OSCAR COM CHANCE REAL DE GANHAR disse,
2 de Dezembro de 2006 @ 18:37
[…] Não vou me delongar aqui, porque essa nem é uma resenha oficial, só uma impressão mesmo e uma chamada ao cinema. Vejam o filme assim que puderem. Está fazendo boa carreira (mais de 210 mil espectadores até agora, me parece), baseada no boca a boca favorável e na própria qualidade da obra. Publicidade na Globo também ajuda, claro, mas não tem garantido o sucesso de outros filmes bacanas, como A MÁQUINA. Mas poderia e deveria ser melhor e isso depende de vocês aí que não viram ainda. […]
A GALÁXIA » UM CINEMA MUSICAL disse,
19 de Dezembro de 2006 @ 13:36
[…] Karim defende também a idéia de um cinema musical, não no sentido de cinema cantado e sim de uma aproximação maior da narrativa com a linguagem musical que a literária. Nesse sentido, e também na mescla entre a captura da realidade e o tom onírico, o filme do diretor dialoga mais com PAISAGEM NA NEBLINA, do grego Theo Angelopoulos. Ele lembra inclusive que O CÉU DE SUELY acabou de ser premiado na Grécia, mais precisamente no Festival de Tessalônica, que é exatamente a cidade onde Angelopoulos rodou PAISAGEM NA NEBLINA. Outras aproximações podem ser feitas com o cinema de Wim Wenders, principalmente o do início de sua carreira, como ALICE NAS CIDADES. Mas - e isso é pessoal, pois não tive tempo de conversar com Karim a respeito - por vezes O CÉU DE SUELY lembra também PARA SEMPRE LILYA, de Lukas Moodysson. A mesma sensação de deslocamento, de não pertencer a seu local de origem, que move Lilya se repete em Hermila, a protagonista de O CÉU DE SUELY. Semelhança que procede também - e aí o próprio Karim concorda - com a personagem de Mariana Ximenes no simpático A MÁQUINA. […]
Rafael disse,
19 de Março de 2007 @ 01:25
Queria dizer que gostei muito do filme e que a Mariana ximenes… nossa a linda Mariana Ximenes estava linda, linda mesmo e também fez um grande trabalho e o filme tava ótimo mas nem precisava tanto era só colocar a Mariana Ximenes lá que já fazia sucesso.
Parabéns pelo filme!!!!