À PROCURA DA FELICIDADE (por Kas)

THE PURSUIT OF HAPPYNESS, EUA, 2006
De Gabriele Puccino
Com Will Smith, Thandie Newton, Jaden Christopher Syre Smith
Este surpreendente sucesso de bilheteria, um dos maiores do fim de ano nos EUA, marca a estréia nos EUA do diretor italiano Gabriele Guccino (do simpático O ÚLTIMO BEIJO). Mas não espere por uma visão distanciada e crítica sobre a realidade abordada. Os únicos momentos em que se percebe um ponto de vista estrangeiro são nas cenas iniciais, que buscam por situações e ações inusitadas nas ruas de uma grande cidade americana, ações estas que atraem o olhar de um turista, mas não de alguém que se acostumou a presenciá-las no dia a dia.
De resto, Guccino veste com conforto o ideal do sonho americano, ao contar a história, “inspirada em fatos reais”, de um vendedor ambulante (o simpático Will Smith, que concorre ao Oscar pelo papel) que no pior momento de sua vida profissional e conjugal, dá a volta por cima ao ingressar num estágio de corretor de ações, tendo de, ao mesmo tempo, cuidar do filho (Jaden Christopher Syre Smith, filho do astro na vida real).
É sintomático que a história se passe no início da década de 80, em meio à crise econômica interna que marcou o início da Era Reagan. Desta forma, fala-se ao mesmo tempo daquela época e do presente, onde a mesma crise se repete. Não que Guccino se aprofunde nisso. Sua abordagem é tal qual a de John G. Avildsen em ROCKY, UM LUTADOR, que no fim dos anos 70 virou fenômeno comercial ao mostrar o outro lado, mais esperançoso, de um período amargo e cínico. Ou seja, quer reafirmar a possibilidade do self made man. Curiosamente, À PROCURA DA FELICIDADE foi lançado nos EUA simultaneamente a um novo capítulo daquela série, ROCKY BALBOA (que no Brasil será exibido nesse mês).
Por isso, não espere lances autorais de Guccino. É um diretor competente, que conhece as artimanhas narrativas do cinema clássico, e consegue assim transformar uma história tão batida e explorada em uma diversão que não compromete. Para contrabalançar o aspecto inspiracional da trama, captura a fotogênica cidade de São Francisco com uma fotografia suja e sombria, bem aos moldes da dos dramas urbanos de Sidney Lumet produzidos no período em que o filme se passa. Se existe alguma autoria, ou pelo menos, algum elemento identificável, fica por conta do roteirista Steve Conrad, autor também de O SOL DE CADA MANHÃ, outro conto em primeira pessoa sobre um homem no momento mais crítico de sua vida, que tenta dar a volta por cima, ou pelo menos emergir para não se sufocar. Mas enquanto o diretor Gore Verbinski enfocava naquele filme os elementos mais idiossincráticos daquela trajetória, Muccino busca exatamente o oposto, aqueles momentos e signos com os quais o espectador se identifique e responda emocionalmente. É bem sucedido na tarefa, e o público com isso embarca sem se preocupar com a inverossimilhança do relato.
Nota: ***
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2 Comentários »
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A GALÁXIA » NOVAS RESENHAS disse,
2 de Fevereiro de 2007 @ 15:13
[…] Ano novo, vida nova, filmes novos! Por mais que esses filmes concorram ao Oscar este ano, eles só podem concorrer a um Selenita de Ouro no fim de 2007. Se nos EUA eles passaram em 2006, aqui as distribuidoras preferiram investir na proximidade à festa da Academia no mês que vem. No caso, o indicado ao Oscar de melhor ator Will Smith por À PROCURA DA FELICIDADE e um dos candidatos a melhor filme estrangeiro, DIAS DE GLÓRIA. Confira! […]
lourdes disse,
11 de Novembro de 2007 @ 20:54
sinopse da procura da felicidade