VOLTA DO TODO PODEROSO, A (por Kas)

volta todo poderoso - volta todo poderoso

EVAN ALMIGHTY, EUA, 2007
De Tom Shadyac
Com Steve Carell, Lauren Graham, Jimmy Bennett, Johnny Simmons, Morgan Freeman, Jonah Hill, Wanda Sykes. John Goodman, Ed Helms, John Michael Higgins

TODO PODEROSO, a comédia na qual Jim Carrey ganhava poderes divinos, fez tanto sucesso que gerou não apenas uma imitação – CLICK, com Adam Sandler, pela mesma dupla de roteiristas do filme de Carrey – como também esta seqüência, A VOLTA DO TODO PODEROSO, que estréia hoje em circuito nacional. Ao contrário das tentativas anteriores, o novo longa guarda as duvidosas honras de ser a comédia mais cara de todos os tempos (US$ 175 milhões de orçamento, torrado principalmente na enxurrada de efeitos da conclusão) e o maior fracasso de bilheteria do ano até agora.

Realmente, é um equívoco do início ao fim. Como Carrey deve ter exigido um contra-cheque de proporções bíblicas para retornar na continuação, os realizadores optaram por alçar à condição de protagonista Steve Carell, que fazia um personagem secundário no primeiro filme. Nada contra Carell, um dos comediantes mais bem sucedidos da atualidade, que mostrou talento e apelo popular em O VIRGEM DE 40 ANOS e PEQUENA MISS SUNSHINE. Só que o problema maior é que o diretor Tom Shadyac, que também comandou o primeiro filme, quis com que Carell repetisse os maneirismos e comédia física de Jim Carrey, no lugar de fazer o humor irônico que lhe cabe mais.

Carell faz um âncora de TV que é eleito congressista e parte com sua família para morar em um prestigiado bairro nos arredores de Washington. Com tudo para ascender na carreira, o sujeito recebe um dia a visita de Deus em pessoa (Morgan Freeman, repetindo o papel desempenhado no filme original), que lhe pede para que construa uma arca, já que um novo dilúvio está a caminho.

Mal sabe o pobre herói de que o pacote Noé vem completo, com direito a barba e cabelo que recusam ficar aparadas, túnica e pares de todos os animais do planeta, que calham de lhe seguir até mesmo até seu gabinete no congresso americano. Na raiz do problema está um plano audacioso do corrupto político vivido por John Goodman, que pretende faturar bilhões com um novo projeto de lei de uso do solo.

No lugar de brincar com o potencial de sátira política (só Deus dá conta da corrupção do congresso) e as referências à tragédia do Katrina, Shadyac (autor também dos medíocres ACE VENTURA e PATCH ADAMS) investe no humor mais rasteiro e óbvio possível. Uma determinada seqüência mostra o personagem de Carell tentando construir a arca e martelando sem parar o dedo e caindo o tempo todo, numa redundante tentativa de extrair risos da mesma piada. A atores do calibre de Freeman e Goodman são dadas apenas oportunidades de se fazerem de ridículo, enquanto Carell é soterrado sem dó pela sacarina de uma sub-trama familiar e pelo elenco animal, vários saídos diretamente dos computadores da ILM, a empresa de efeitos de George Lucas.

Nem o clímax supostamente grandioso se sustenta, já que Shadyac não se resolve entre a comédia pastelão e o potencial épico dos efeitos. Quase 80 anos atrás, o genial Buster Keaton mesclou, com sucesso infinitamente maior, ambas as vertentes na obra-prima MARINHEIRO POR ENCOMENDA (de 1928; mais conhecido por seu título original, STEAMBOAT BILL JR.), que também tinha como clímax uma catástrofe natural. Uma lição que passou de longe de entrar para os dez mandamentos da comédia segundo Tom Shadyac.

Nota: *

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » DUAS PRECES AO TODO PODEROSO disse,

    8 de Agosto de 2007 @ 10:41

    […] De qualquer forma, seguem duas resenhas para A VOLTA DO TODO PODEROSO, uma minha e outra do Gelogurte. Se já você foi conferir ao filme antes de ler as resenhas, que Deus tenha piedade de sua alma… […]

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