* ACROSS THE UNIVERSE (por Kas)

De Julie Taymor
Com Evan Rachel Wood, Jim Sturgess, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther, T.V. Carpio, Spencer Liff, Lisa Hogg, Bono, Eddie Lizard, Salma Hayek, Joe Cocker
Na semana passada, entrou em cartaz NÃO ESTOU LÁ, onde o cineasta Todd Haynes destila as várias facetas de Bob Dylan. Daqui a alguns dias é a vez de SHINE A LIGHT, o vibrante registro de Martin Scorsese para um show beneficente dos Rolling Stones. E junto a estes, está ACROSS THE UNIVERSE, onde a diretora Julie Taymor transforma o cancioneiro dos Beatles em uma série de imagens delirantes.
Qual é a razão deste revival cinematográfico dos ícones pop dos anos 60? Arrisco a dizer que se trata de uma paixão pessoal de cada um destes cineastas, que cresceu nos anos 60 e 70 ao som destes roqueiros. É bom lembrar que Scorsese já havia lançado um ótimo documentário também sobre Dylan, NO DIRECTION HOME, e agora prepara outro sobre Bob Marley. E Haynes se consagrou com sua cinebiografia fictícia de um ídolo glam dos anos 70 (mais do que inspirado em David Bowie), VELVET GOLDMINE. Taymor, por sua vez, já namorou a cinebiografia “real” com sua versão da vida de FRIDA. Mas talvez ainda mais sedutor para estes realizadores seria a possibilidade de tranformar um universo musical tão rico em imagens igualmente evocativas.
Algo que Julie Taymor sua para fazer em ACROSS THE UNIVERSE, e às vezes quase chega lá. A idéia para o filme é até simples: transformar em uma mesma peça de ficção todo o imaginário, a filosofia e os personagens presentes nas canções dos Beatles. Estão todos lá: Jude, Lucy, Prudence, Dr. Robert, Mr. Kite, unidos por um fio de narrativa, que se resume à (im)possibilidade de amar em meio a uma época de convulsões políticas, sociais e culturais.
Jude (a estrela em ascensão Jim Sturgees) é um jovem artista de Liverpool que vai parar na efervescente Nova York dos anos 60, mais precisamente no Greenwich Village infestado de artistas e ativistas políticos. Jude ama Lucy (a gracinha Evan Rachel Wood, de AOS TREZE e CORRENDO COM TESOURAS), uma patricinha que, após perder o namorado no Vietnã e ver seu irmão (e melhor amigo de Jude) ser convocado, se junta aos protestos contra a guerra. A este casal se junta vários outros personagens, como a cantora Sadie (Dana Fuchs) e seu namorado guitarrista JoJo (Martin Luther McCoy), a lésbica Prudence (T.V. Carpio) e o guru psicodélico Dr. Robert (o astro pop Bono, que se sai bem em seu primeiro papel de verdade, após algumas pontas no cinema).
Este contexto é apenas um motivo para Taymor recriar visualmente alguns dos maiores sucessos de Lennon. McCartney e companhia. A cineasta, que tem um pé na Broadway (onde realizou mega-espetáculos como O REI LEÃO) e outro nas artes plásticas, já havia dado uma mostra de seu gosto por cores vibrantes e imagens surreais em sua adaptação de Shakespeare TITUS (com Anthony Hopkins) e mesmo em FRIDA. ACROSS THE UNIVERSE, neste aspecto, é um prato cheio para o talento da diretora, que compartilha com seus colegas de profissão Michel Gondry e Spike Jonze o mesmo gosto por misturar elementos cênicos artesanais com efeitos de ponta.
Nem todos os trechos musicais rendem o que poderiam. O clímax ao som de All You Need is Love é bacana, mas a canção já havia sido usada de forma bem mais empolgante em uma cena da comédia romântica SIMPLESMENTE AMOR. Mas em alguns momentos o filme escapa da síndrome de videoclipe esticado graças a uma criativa encenação que utiliza a estilização máxima de sons e imagens de modo a estimular ao extremo a percepção sensorial do espectador. Aproxima-se assim de MOULIN ROUGE e de PINK FLOYD - THE WALL, modelos claros para o filme de Taymor. Só que, ao contrário destes precedentes, ACROSS THE UNIVERSE nunca atinge a mesma intensidade dramática do primeiro e a atmosfera perturbadora do segundo. Seus personagens e conflitos são por demais frágeis para fazer com que o espectador se identifique emocionalmente com eles. Resta a experiência estética, que pode ser fascinante para uns (aqueles que certamente elegerão o filme de Taymor ao patamar de cult) e entediante para outros.
Nota: ** ½
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A GALÁXIA » DYLAN VS BEATLES… NA JUSTÇA? disse,
31 de Março de 2008 @ 10:42
[…] Não, não é um novo filme de monstros (apesar de que a imagem de gigantescos bonecos de borracha de astros do rock esmagando a cidade de Tóquio me faz até suspirar). Também não é um western sobre como um único homem enfrenta uma quadrilha de estrangeiros de cabelo de penico. Não é nem mesmo um drama de tribunal com Jack Nicholson gritando “you can’t handle the truth!“. Após incompreensível demora, chegam finalmente às telas dois dos mais esperados filmes do ano passado. O primeiro, ACROSS THE UNIVERSE, está sob a lupa do Kas e conta com belos intérpretes cantando músicas dos Beatles, além de ser o primeiro filme de Julie Taymor após o elogiado FRIDA. O outro é NÃO ESTOU LÁ, uma semi-biografia de um dos deuses do folk music, Bob Dylan, que levou tHEbLoB aos cinemas. E se depois disso tudo ainda sobrar pedra sobre pedra, confira a resenha de Kas para JUÍZO, novo filme de Maria Augusta que coloca sob as lentes as audiências da 2ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro. Clique nos posters e confira você mesmo! […]