ATIRADOR (por Kas)

atirador - atirador

SHOOTER, EUA, 2007
De Antoine Fuqua
Com Mark Wahlberg, Michael Peña, Danny Glover, Kate Mara, Elias Koteas, Rhona Mitra, Tate Donovan, Rade Serbedzija e Ned Beatty

Foi-se o tempo em que o Unabomber era considerado imoral e condenável sob todos os aspectos. Na América de George W. Bush, um filme como o novo ATIRADOR soa como uma elegia às milícias de extrema direita que povoam o interior do país. Bob Lee Swagger, um ex-oficial vivido por Mark Wahlberg (que prova aqui ser melhor coadjuvante que protagonista), é paranóico, ufanista, direitista, especialista em armas e que desacreditou de vez do governo após ser abandonado junto com seu melhor amigo em pleno campo de batalha, num campo desolado da Etiópia (a África surge aqui apenas para tornar a trama “atual”). Ou seja, o protótipo do fascista. Como se não bastasse, busca refúgio exatamente no mesmo interior que abriga as milícias. Apesar disso – ou talvez por isso – é também o herói do filme de Antoine Fuqua, com quem o público deve se identificar e para quem deve torcer, quando este se torna vítima de uma conspiração – com raízes, claro, em altos postos governamentais. Swagger acaba injustamente acusado de um atentado e é obrigado a fugir e tomar a justiça com as próprias mãos.

A intenção de Fuqua e dos produtores já ficava clara no trailer: criar um novo Jason Bourne, o agente que consagrou Matt Damon como protagonista de uma das franquias mais bem sucedidas da atualidade. Só que nem Wahlberg é Damon nem Swagger é Bourne, apesar da habilidade sobre-humana com armas e lutas marciais. Enquanto Damon equilibra bem o lado enigmático do espião e o humano do homem sem memória, identidade e pátria, Wahlberg cai no clichê do herói injustiçado, vítima de um passado trágico – no caso, da morte de seu amigo. Quando se vê traído de todos os lados, torna-se quase um Rambo, uma máquina de matar, exército de um homem só, e resolve todas as contas pendentes à bala.

O diretor Fuqua, revelado por Tarantino em ASSASSINOS SUBSTITUTOS, conquistou certa admiração da crítica pelos primeiros dois terços de DIA DE TREINAMENTO (o final babaca teria sido imposição do estúdio) mas logo em seguida dirigiu os enfadonhos LÁGRIMAS DO SOL e REI ARTHUR. ATIRADOR segue a linha desses últimos, cometendo o único pecado que condena um filme de ação ao inferno: entediar o espectador. Conceitual e formalmente medíocre, ATIRADOR deve agradar mesmo apenas aos membros das mesmas milícias que tanto celebra e aqueles que votaram em Bush Jr. Duas vezes.

Nota: * ½

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