DÉJÀ VU (por Kas)

deja vu - deja vu

DÉJÀ VU, EUA, 2006
De Tony Scott
Com Denzel Washington, Paula Patton, Jay Oliver, Patt Noday, Val Kilmer, Adam Goldberg, Jim Caviezel

Se DÉJÀ VU, novo filme do mega-produtor Jerry Bruckheimer, tem uma grande qualidade, é no seu mais que adequado título. Afinal, é exatamente esta a sensação que o espectador terá em vários momentos durante o filme.

Em sua terceira colaboração com o astro Denzel Washington (MARÉ VERMELHA, DUELO DE TITÃS) e sexta com o diretor Tony Scott (de TOP GUN e DIAS DE TROVÃO, irmão menos talentoso de Ridley Scott), Bruckheimer dá seqüência a sua carreira de espetáculos barulhentos (vide os já citados e ainda ARMAGEDDON, PEARL HARBOR, a série PIRATAS DO CARIBE) e, em última instância, vazios, mas que funcionam maravilhosamente bem nas bilheterias. Já que tem a fórmula para conquistar a atenção e o dinheiro do público, pra quê se preocupar com originalidade?

DÉJÀ VU tem início, como grande parte das produções do moço, com uma explosão. Desta vez no cais de New Orleans, aonde um barco de turistas vai para os ares vítima de um atentado a bomba. Washington entra em cena como Doug Carlin, um investigador responsável não só por resolver o caso, como também o de uma garota assassinada que pode ou não (ou seja, pode) ter relação com o atentado. Logo a trama envereda para a ficção científica, quando surge uma misteriosa organização governamental que utiliza um aparato capaz de assistir a imagens acontecidas há quatro dias e algumas horas trás, como se estivesse presente nos acontecimentos.

Nesta altura, o público já estará reconhecendo de outros filmes vários dos elementos apresentados. O personagem de Washington, por exemplo, se parece por demais com vários outros que o ator fez antes, mais recentemente em O PLANO PERFEITO. Sempre com a mesma competência, diga-se de passagem, mas sem conseguir evitar a repetição. O dilema, que surge lá pelas tantas, de prender um criminoso antes que este cometa o crime foi considerado antes em MINORITY REPORT. À medida que a observa na tela dias atrás, o detetive Carlin vai se apaixonando com a imagem da garota morta. Ora, nada mais é que uma situação presente no clássico de Otto Preminger, o célebre LAURA, onde o detetive vivido por Dana Andrews cai de amores pela personagem título, encarnada com toda a doçura necessária por Gene Tierney. Mais adiante, é descoberto o autor do atentado, um “patriota” psicopata encarnado por Jim Caviezel, o Cristo de Mel Gibson, num papel por demais semelhante ao que o mesmo ator viveu em CRIMES EM PRIMEIRO GRAU. Por fim, Carlin descobre que pode utilizar a engenhoca para voltar no tempo e alterar o rumo dos acontecimentos, o que obviamente ele faz. Só que viagens no tempo foram tratadas antes com muito mais vigor e inteligência em diversos outros filmes, como em ALTA FREQUÊNCIA, estrelado pelo mesmo Caviezel.

O diretor Scott pisa no freio na afetação cada vez mais crescente de seus últimos filmes, que culminou em DOMINO - A CAÇADORA DE RECOMPENSAS, e adota um estilo mais contido, mas nem tanto. Lembra aí o tom que adotou em outras produções de Bruckheimer, como INIMIGO DO ESTADO e MARÉ VERMELHA. Posto isso, DÉJÀ VU pode até divertir, contanto que sua memória não seja lá grandes coisas.

Nota: **

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » NOVAS RESENHAS disse,

    26 de Janeiro de 2007 @ 11:00

    […] […]

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