* GABINETE DO KAS: CHARLTON HESTON EM DVD

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DVDS AJUDAM A RECORDAR A IMPONENTE CARREIRA DE CHARLTON HESTON

Imponente. Esta é definição perfeita para a figura fílmica de Charlton Heston. Falecido no último domingo aos 83 anos, Heston ficou marcado por interpretar personagens grandiosos, maiores que a vida. Ou teriam sido os personagens que cresceram ainda mais com o porte magnífico, o semblante de mármore e a voz ressonante do ator?

Versatilidade nunca foi o forte do astro. Heston é da estirpe de Gregory Peck, Gary Cooper e John Wayne, astros que usaram muito bem suas limitações dramáticas para compor uma persona cinematográfica que definia os papéis que estes interpretavam. No caso de Heston, imponência era a característica que ele agregava a cada personagem, e nesse ponto o ator teve a sorte de encontrar pelo caminho cineastas que compreendessem seu talento. Seus papéis foram todos grandiosos, mesmo quando as produções não eram.

É por isso que Heston se encaixava tão bem em épicos bíblicos, gênero que o imortalizou: foi Moisés em OS DEZ MANDAMENTOS (1956, lançado em DVD pela Paramount) de Cecil B. De Mille, Judah Ben-Hur, no papel que lhe deu o Oscar em BEN-HUR (1959, Warner) de William Wyler, João Batista em A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS (1965, MGM/Fox) de George Stevens.

Mesmo quando a trama não era tirada das páginas da Bíblia, Heston era majestoso. Ainda que não tivesse muito tato com as mulheres. Em O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA (1952, Paramount), também de De Mille, Heston faz um gerente de circo que se preocupa mais em manter o espetáculo do que seu relacionamento com a trapezista Betty Hutton, mesmo correndo o risco de perdê-la para o atirado colega Cornel Wilde. Na ótima aventura A SELVA NUA (1954, Paramount), de Byron Haskin, o astro, que faz um fazendeiro do Amazonas, não consegue aceitar que sua noiva por correspondência (Eleanor Parker) tenha um “passado”, uma insegurança atribuída pelo roteiro a virgindade do herói. O criador de cavalos texano de TRINDADE VIOLENTA (1956, Paramount), de Rudolph Maté, tem mais experiência com o sexo oposto, mas igual preconceito quando descobre que sua esposa (Anne Baxter) se prostituía em New Orleans antes de eclodir a guerra civil. Se antes de descobrir sobre suas atividades anteriores Heston já havia pendurado a moça pelas pernas de ponta cabeça, imagine o que fará depois…

Por outro lado, Heston sabia encarnar o herói apaixonado, contanto que o amor não atrapalhasse o cumprimento do dever. O detetive mexicano de A MARCA DA MALDADE (1958, Universal) de Orson Welles, é visivelmente dedicado a sua esposa americana (Janet Leigh), mas não hesita em abandoná-la a mercê de um bando de criminosos para investigar um caso de corrupção e assassinato. O herói espanhol EL CID (1961, Classicline), de Anthony Mann, deixa sua noiva (Sophia Loren) no convento enquanto enfrenta – em vida e em morte – os invasores mouros.

Em outros casos, a figura feminina não se faz presente, mas o astro não se recente disso. O artista Michelangelo de AGONIA E ÊXTASE (1965, Fox), de Carol Reed, pode até ter uma pretendente, mas seu verdadeiro caso de amor é com o dom artístico que Deus lhe deu, e o qual usa para pintar a Capela Sistina para o Papa Julio II (Rex Harrison). Já o roteiro de KHARTOUM - A BATALHA DO EGITO (1966, MGM/Fox), de Basil Dearden, nem menciona uma esposa para o general britânico Charles Gordon, responsável pelo fim da escravidão no Sudão, e que retorna ao país para impedir a invasão das forças de Mahdi (Laurence Olivier maquiado como um muçulmano). Seu caso de amor aqui é com o povo do Sudão e com sua própria vaidade. Talvez a cena que melhor comprove o efeito intimidador causado pela presença de Heston seja aquela no clímax deste filme, quando um desarmado General Gordon desce uma escada, fazendo recuar, apenas com o olhar, a horda de invasores que tomou conta da cidade de Cartum.

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Considerando sua abstinência, não existem exemplos mais radicais do que aqueles onde Charlton Heston faz o último homem sobre a Terra. Como no caso do cientista de A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA (1971, a ser lançado em breve pela Warner), de Boris Sagal. Nesta segunda versão do romance de Richard Matheson (que também deu origem ao recente EU SOU A LENDA com Will Smith), Heston acredita ser o único sobrevivente de uma hecatombe que dizimou grande parte da população do planeta e transformou a outra em vampiros sedentos por sangue. Em O PLANETA DOS MACACOS (1968, Fox), de Franklyn J. Schaffner, Heston faz um astronauta terráqueo que é o único sobrevivente humano em um planeta dominado por macacos inteligentes. Heston retorna ainda na continuação, DE VOLTA AO PLANETA DOS MACACOS (1970, Fox), de Ted Post, para encontrar outro náufrago da Terra (James Franciscus). E na refilmagem PLANETA DOS MACACOS (2001, Fox), de Tim Burton, Heston, coberto por pesada maquiagem, passa para o outro lado, interpretando o moribundo líder dos macacos.

Apesar do sucesso comprovado no papel de herói messiânico, Heston também vestiu o manto do vilão. No caso, o do Cardeal Richelieu nas aventuras OS TRÊS MOSQUETEIROS (1973) e A VINGANÇA DE MILADY (1974), ambas dirigidas por Richard Lester e lançadas em DVD pela Universal. Mas talvez o grande prazer em rever os pontos altos da carreira de Charlton Heston em DVD é que isto ajuda a esquecer o infortúnio de ter sido também atribuído ao ator o papel de vilão na vida real. A última imagem que o público tem dele é a do frágil idoso ao final de TIROS EM COLUMBINE (2002, Alpha), onde o documentarista Michael Moore joga a culpa pela violência da América nos ombros do ator, por este ser o Presidente da Associação dos Portadores de Armas de Fogo. É uma triste lembrança, ainda mais por ser covarde e injusta, que a própria obra de Charlton Heston ajuda a apagar.

CHARLTON HESTON EM DVD
Todos os filmes abaixo foram selecionados levando-se em consideração a relevância para a carreira do ator e a qualidade do DVD, e podem ser encontrados nas lojas online 2001 Video, Submarino e DVD World

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA
(The Greatest Show on Earth, 1952, Cecil B. De Mille, Paramount)
A SELVA NUA
(The Naked Jungle, 1954, Byron Haskin, Paramount)
OS DEZ MANDAMENTOS: EDIÇÃO COMEMORATIVA DE 50 ANOS (3 DVDs)
(The Ten Commandments, 1956, Cecil B. De Mille, Paramount)
TRINDADE VIOLENTA
(Three Violent People, 1957, Rudolph Maté, 1956)
DA TERRA NASCEM OS HOMENS
(The Big Country, 1958, William Wyler, Classicline)
A MARCA DA MALDADE: EDIÇÃO DO DIRETOR SEM CORTES
(Touch of Evil, 1958, Orson Welles, Universal)
BEN-HUR: EDIÇÃO DE COLECIONADOR (4 DVDs)
(1959, William Wyler, Warner)
AGONIA E ÊXTASE
(The Agony and the Ecstasy, 1965, Carol Reed, Fox Classics)
A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS
(The Greatest Story Ever Told, 1965, George Stevens, MGM/Fox)
KHARTOUM – A BATALHA DO NILO
(Khartoum, 1966, Basil Dearden, MGM/Fox)
O PLANETA DOS MACACOS: EDIÇÃO ESPECIAL DE 35º ANIVERSÁRIO
(Planet of the Apes, 1968, Franklyn J. Schaffner, Fox)
OS TRÊS MOSQUETEIROS
(The Three Musketeers, 1973, Richard Lester, 1973)
A VINGANÇA DE MILADY
(The Four Musketeers – Revenge of Milady, 1974, Richard Lester, Universal)
TERREMOTO
(Earthquake, 1974, Mark Robson, Universal)
A BATALHA DE MIDWAY
(Midway, 1976, Jack Smight, Universal)
TRUE LIES
(1994, James Cameron, Universal)
TIROS EM COLUMBINE
(Bowling for Columbine, 2002, Michael Moore, Alpha)

AINDA NÃO LANÇADOS NO BRASIL OU DISPONÍVEIS APENAS EM EDIÇÕES ABAIXO DA CRÍTICA

CIDADE ESCURA
(Dark City, 1950, William Dieterle)
O SEGREDO DOS INCAS
(Secret of the Incas, 1954, Jerry Hopper)
EL CID
(1961, Anthony Mann)
JURAMENTO DE VINGANÇA
(Major Dundee, 1965, Sam Peckinpah)
A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA
(The Omega Man, 1971, Boris Sagal)
CATÁSTROFE NA SELVA ou O CHAMADO SELVAGEM
(The Call of the Wild, 1972, Ken Annakin)
NO MUNDO DE 2020
(Soylent Green, 1973, Richard Fleischer)
REENCARNAÇÃO
(The Awakening, 1980, Mike Newell)
HAMLET
(1996, Kenneth Branagh)

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2 Comentários »

  1. A GALÁXIA » GABINETE PÓSTUMO disse,

    11 de Abril de 2008 @ 13:03

    […] […]

  2. A GALÁXIA » TARDA MAS NÃO FALHA! disse,

    17 de Abril de 2008 @ 12:25

    […] Adiado por causa da morte do já saudoso Charlton Heston, o Kas traz para o nosso deleite o Gabinete que deveria ter sido postado na semana passada. Será que perdemos muito? Só clicando aqui e conferindo para saber. […]

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