GABINETE DO KAS: DANÇANDO NO ESCURO / A NÉVOA / PELO AMOR DE DEUS

dancando escuro - dancando escuro

DANÇANDO NO ESCURO
Dancer in the Dark, Dinamarca, 2000
IDIOMA: Inglês 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Drama / Musical – 2h20 – Cor – Versátil
Direção: Lars Von Trier
Com Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Joel Grey, Udo Kier
Sinopse
Selma (a cantora Björk em seu único papel no cinema), uma imigrante tcheca que trabalha em uma fábrica de utensílios domésticos, perde aos poucos a visão, enquanto junta dinheiro para que seu filho possa operar e evite a cegueira congênita.
Comentários
Em determinado momento de DANÇANDO NO ESCURO, Selma confessa que às vezes sonha estar em um musical hollywoodiano, “onde coisas horríveis nunca acontecem”. É este contraste entre o universo fantasioso do musical e a tragédia do melodrama o mote escolhido por Lars Von Trier para esse ataque frontal aos EUA, ao qual se seguiria DOGVILLE, MANDERLAY e QUERIDA WENDY (este escrito por ele e dirigido por Thomas Vinterberg). A visão que Von Trier tem da América não é das mais bonitas: a terra da liberdade é a terra da crueldade, desumanização, preconceito e ganância. Por essa visão pessimista, DANÇANDO NO ESCURO não é fácil de ver, mesmo com os interlúdios musicais imaginados por Selma a partir dos sons ambientes. Von Trier alterna o melodrama, captado com câmera na mão e montagem caótica, e o musical, com cores saturadas e câmera fixa, o que só aumenta o efeito dramático do primeiro, às vezes aproximando-se perigosamente do apelativo. A bela canção “I’ve Seen It All” chegou a concorrer ao Oscar. Palma de Ouro e Melhor Atriz em Cannes.

Esta reedição especial traz o filme com excelente cópia em widescreen e som multicanal. A textura estranha e a granulação eventual são provenientes do sistema digital utilizado na captação das imagens, e não defeitos de masterização. Os extras também são bacanas, incluindo o making of OS 100 OLHOS DE LARS VON TRIER (55min), imagens da exibição em Cannes, galeria de posters, trailer e notas sobre o diretor.

FILME: ***
DVD: ****

pelo amor de deus - pelo amor de deus

PELO AMOR DE DEUS!!
Dieu est grand, je suis toute petite, França, 2001
IDIOMA: Francês 2.0; Português 2.0
LEGENDAS: Português, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen Letterbox 1.78:1
Romance – 1h38 – Cor – Europa
Direção: Pascale Bailly
Com Audrey Tautou, Edouard Baer, Julie Depardieu, Catherine Jacob
Sinopse
Michèle e François se conhecem em uma despedida e se apaixonam de cara. Ele é judeu e ela está em busca de uma religião.
Comentários
Muito mais do que O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAN, ALBERGUE ESPANHOL ou O CÓDIGO DA VINCI, é PELO AMOR DE DEUS!! (grafado assim mesmo, com duas exclamações) que faz o melhor uso da figura mignon e do sorriso contagiante de Audrey Tautou. Ela está cativante nessa divertida crônica de uma relação amorosa, que se concentra, através da fragmentação da estrutura narrativa, nos momentos altos e baixos do romance. Na medida em que Michèle se aprofunda no judaísmo, François vai redescobrindo sua origem familiar. A relação segue aos trancos e barrancos, mas sempre de forma leve e curiosa. Vale a pena descobrir. Edição conta com imagem e som satisfatórios, que explicitam a influência da estética publicitária sobre a direção, mas ganharia com uma transferência anamórfica que atenderia a quem tem uma TV widescreen. O único extra é o trailer.

FILME: *** ½
DVD: **

nevoa - nevoa

A NÉVOA
The Fog, EUA, 2005
IDIOMA: Inglês 5.1; Português 5.1, Espanhol 5.1
LEGENDAS: Português, Espanhol, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Horror – 1h43 – Cor – Sony
Direção: Rupert Wainwright
Com Tom Welling, Maggie Grace, Selma Blair, Rade Sherbedgia
Sinopse
Uma comunidade litorânea é envolvida por uma estranha névoa, que traz morte e destruição. A origem pode estar em segredos do passado dos moradores.
Comentários
Refilmagem de A BRUMA ASSASSINA, de John Carpenter, produzida pelo próprio, que pelo menos assume nas entrevistas que acompanham essa edição o interesse caça-níqueis da empreitada. Só isso justifica a equivocada escalação do elenco, formada por rostinhos bonitos e inexpressivos da TV americana, como Welling (o Clark Kent de SMALLVILLE) e Grace (LOST). Mas o pior é a falta de sutileza do diretor Wainwright, de STIGMATA, que compromete toda a atmosfera de contos de fantasma presente no original. Este estava longe de ser um filme perfeito, mas exalava clima e uma real sensação de perigo, marcas do talentoso Carpenter, que o transformou num cult maldito. A nova versão anula todas essas qualidades com um roteiro ridículo e uma direção sem o menor senso de narrativa, que abusa da facilidade dos efeitos digitais.

A edição, por sua vez, é de bom nível, com comentários em áudio de Wainwright, onde o diretor comenta sobre os aspectos técnicos da realização; cenas excluídas, trailers de outras produções e três especiais, que compõem um satisfatório making of, graças principalmente à franqueza de Carpenter com relação à produção e ao cinema de horror em geral. Extras legendados, com exceção dos trailers.

FILME: *
DVD: *** ½

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