* GABINETE DO KAS: SYDNEY POLLACK EM DVD
SYDNEY POLLACK: 1934-2008

A obra de Sydney Pollack, falecido na última terça, está bem representada em DVD no Brasil. Com exceção de alguns filmes de início de carreira, como A DEFESA DO CASTELO (1969), a única grande lacuna fica por conta de A NOITE DOS DESESPERADOS (também de 1969), que traz Jane Fonda disputando uma maratona de dança de salão na época da depressão. O que não é pouca coisa. O filme, um dos melhores de Pollack, obteve nove indicações ao Oscar, incluindo a primeira das seis que o diretor teria ao longo da carreira.
Pollack começou a carreira como ator em Nova York, onde também lecionou artes dramáticas antes de se tornar diretor de TV no início dos anos 60. Foi na TV que Pollack aprendeu a trabalhar de forma discreta, rápida e econômica – tanto em orçamento quanto em linguagem. Nessa época conheceu o também iniciante Robert Redford, com quem estabeleceria uma prolífica parceria e amizade. Com Redford, Pollack rodaria sete filmes, incluindo seu primeiro sucesso de crítica, ESTA MULHER É PROIBIDA (1966, Paramount). Esta boa adaptação de uma peça de Tennessee Williams, com roteiro de Francis Ford Coppola, traz Redford como um oficial da ferrovia que chega a um vilarejo com o intuito de fechar a estação local, e se apaixona pela jovem Natalie Wood, uma garota “popular” entre os homens da cidade, entre eles Charles Bronson. Um drama magnificamente fotografado pelo lendário James Wong Howe.
Após realizar um western cômico com Burt Lancaster (REVANCHE SELVAGEM, 1968, Ocean), Pollack voltaria a colaborar com Redford no que seria um marco na carreira de ambos. MAIS FORTE QUE A VINGANÇA (1972, Warner), onde o astro encarna Jeremiah Johnson, um eremita que se vê obrigado a enfrentar os índios da montanha onde mora. É um western estranho, tenso, com espetacular fotografia, prejudicada pela cópia em DVD em tela cheia. No ano seguinte, Pollack e Redford se juntariam a Barbra Streisand no sucesso NOSSO AMOR DE ONTEM (1973, Sony). O filme aborda o romance entre uma judia comunista pobre e um WASP bem criado, em meio à caça às bruxas dos anos 50. É uma bonita história de amor, bem fotografada, onde Pollack aperfeiçoa a utilização do formato de tela larga em cenas de diálogo, de modo a economizar nos cortes e de situar os atores no espaço que os envolve.
EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA IMAGEM

Nas palavras do próprio diretor: Para mim, a beleza (da tela larga) vem da praticidade. Eu passei toda minha vida vendo filmes que tinham em seu centro um relacionamento entre um homem e uma mulher. Desta forma, o coração destes filmes era um plano com duas pessoas. E às vezes eu gosto de me aproximar bastante. Você não pode ter um close de duas pessoas e ainda ter espaço para a ambientação ou para os cenários em um formato mais compacto. Um plano de dois atores em 1.85 pode ser num limbo. Você pode colocar uma cartolina (no fundo) e filmar o plano sem problemas. Ma se você usa a ambientação para contar histórias – pegue A NOITE DOS DESESPERADOS ou MAIS FORTE QUE A VINGANÇA ou qualquer destes filmes em que onde as pessoas estão é essencial.” … “(a tela larga) tem um impacto diferente. Se eu tiver de cortar as bordas destes planos, e manter apenas os atores centralizados, perde-se muito do significado. Quero dizer, num nível absolutamente técnico, prático, eu posso transmitir mais informações por quadro do que eu poderia em 1.85. Não digo que (o widescreen) é mais bonito. Adoro aqueles filmes antigos em 1.33. São espetaculares. Não é uma questão de beleza, é uma questão de… sobre o que é o filme.
A INTÉRPRETE, com Nicole Kidman como a personagem-título que testemunha um crime e passa a ser protegida pelo agente do FBI vivido por Sean Penn, marca também o bem-vindo retorno de Pollack ao thriller, um dos gêneros mais caros a sua carreira. Dois de seus filmes mais marcantes nos anos 70 foram exatamente thrillers. OPERAÇÃO YAKUZA (1974, Warner) tem o detetive Robert Mitchum embarcando para o Japão para resgatar a filha de um amigo, onde acaba enfrentando a máfia japonesa, enquanto TRÊS DIAS DO CONDOR (1975, Universal) traz Redford desbaratando uma complicada conspiração política. Em 1993, Pollack adaptaria com sucesso o suspense A FIRMA (Paramount), o romance de John Grisham. Tom Cruise liderava o elenco composto ainda por Gene Hackman e Ed Harris.

Mas o diretor se via sempre atraído pelas histórias de amor improváveis. Como em O CAVALEIRO ELÉTRICO (1979, Universal), com Jane Fonda se apaixonando pela estrela de rodeio Robert Redford. E ainda AUSÊNCIA DE MALÍCIA (1981, Sony), onde Paul Newman vê sua vida devastada por uma reportagem da jornalista Sally Field. Ou TOOTSIE (1982, Sony), seu maior sucesso de bilheteria, sobre um ator travestido (Dustin Hoffman) que se apaixona pela colega de elenco (Jessica Lange). HAVANA (1990, Universal), uma refilmagem disfarçada de CASABLANCA, mostrava o jogador Robert Redford caindo de quatro pela mulher de um revolucionário (Lena Olin) às vésperas da revolução cubana. Já SABRINA (1995, Paramount), esta uma refilmagem oficial do clássico de Billy Wilder, tinha o milionário Harrison Ford disputando com o irmão playboy a atenção da filha do motorista Julia Ormond. Em DESTINOS CRUZADOS (1999, Sony), Ford ia ainda mais longe. Após perder a esposa em um desastre de avião, descobre que ela estava tendo um caso com outro homem casado falecido no mesmo vôo. Sem saber lidar com a perda e com a traição, acaba se envolvendo com a viúva do amante de sua mulher, a senadora Kristin Scott Thomas.

Pollack continuou atuando ao longo destes anos em seus próprios filmes (Era o ator mais barato que eu podia conseguir, brincava ele) e nos de outros diretores, algo que ele justificava pelo desejo de saber como estes trabalhavam. Pois Pollack espiou o método de Stanley Kubrick (DE OLHOS BEM FECHADOS, 1999, Warner), Robert Altman (O JOGADOR, 1992), Woody Allen (MARIDOS E ESPOSAS, 1992), Steven Zaillian (A QUALQUER PREÇO, 1998, Paramount) e Roger Michell (FORA DE CONTROLE, 2002, Paramount).
Paralelamente, estabeleceu uma bem sucedida carreira como produtor, de seus filmes e dos de outros cineastas. SUZIE E OS BAKER BOYS (Steve Kloves, 1989, NBO Editora), ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Alan J. Pakula, 1990, Warner), VOLTAR A MORRER (Kenneth Branagh, 1991, Paramount), RAZÃO E SENSIBILIDADE (Ang Lee, 1995, Sony), PARAÍSO (Tom Tykwer, 2002), O AMERICANO TRANQUILO (Philip Noyce, 2002, Buena Vista) e CONDUTA DE RISCO (Tony Gilroy, 2007, Califórnia) são alguns dos sucessos de crítica e público que produziu nos últimos anos. Mas foi com Anthony Minguella que Pollack criaria um vínculo mais efetivo. Além de O PACIENTE INGLÊS, realizariam juntos O TALENTOSO RIPLEY (1999, Imagem), COLD MOUNTAIN (2003, Buena Vista) e INVASÃO DE DOMICÍLIO (2006, Buena Vista). A morte de ambos em um espaço de poucos meses, representa uma perda para uma indústria de ego inflado e carente de realizadores com valores morais e artísticos elevados como Sydney Pollack.
SYDNEY POLLACK EM DVD
ESTA MULHER É PROIBIDA (1966) - Paramount
REVANCHE SELVAGEM (1968) - Ocean
MAIS FORTE QUE A VINGANÇA (1972) - Warner
NOSSO AMOR DE ONTEM: EDIÇÃO ESPECIAL (1973) - Sony
OPERAÇÃO YAKUZA (1974) - Warner
TRÊS DIAS DO CONDOR (1975) - Universal
O CAVALEIRO ELÉTRICO (1979) - Universal
AUSÊNCIA DE MALÍCIA (1981) - Sony
TOOTSIE: EDIÇÃO DE 25º ANIVERSÁRIO (1982) - Sony
ENTRE DOIS AMORES: EDIÇÃO DE COLECIONADOR (1985) - Universal
HAVANA (1990) - Universal
A FIRMA (1993) - Paramount
SABRINA (1995) - Paramount
DESTINOS CRUZADOS (1999) - Sony
A INTÉRPRETE (2005) - Universal
ESBOÇOS DE FRANK GEHRY (2005) - Imagem
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A GALÁXIA » SIDNEY POLLACK: 1934 - 2008 disse,
29 de Maio de 2008 @ 16:17
[…] […]