GABINETE HD - 12/08/2007

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QUANDO A UNIVERSAL SERÁ UNIVERSAL EM HD?

O grande pé na porta da vitória do Blu-ray sobre o HD-DVD, segundo a maior parte dos analistas, é a teimosia da Universal em adotar ambos os formatos, como o fazem a Paramount e a Warner, e continuar a distribuir seus títulos somente em HD-DVD. Uma estratégia que não vem se provando bem efetiva para o estúdio, por alguns motivos.

O primeiro deles é que a Universal, nos últimos anos, está posicionada em último lugar no ranking das majors segundo a arrecadação anual. Ou seja, é o estúdio que vem lançando menos filmes de sucesso. Dessa forma, imagina-se que seus títulos recentes tenham menos apelo popular, convertendo assim em menos unidades vendidas tanto em DVD quanto em HD-DVD. Quando todas as demais majors, todas mais bem posicionadas que a dita Universal no tal ranking de arrecadação, apostam ou em ambos os formatos ou no Blu-ray, é óbvio que tende a fortalecer este último. O segundo motivo é que, como a Universal está praticamente sozinha no time do HD-DVD (o único outro estúdio exclusivo do formato é a novata Weinstein Co., que por enquanto tem pouco material para lançar), isso converte em teoria em menos títulos lançados nesse formato, resultando em menos opções para o consumidor. Pra compensar isso, a Universal tem vasculhado mais do que qualquer outro estúdio o seu catálogo, despejando praticamente tudo que considere vendável no mercado. Isso é ao mesmo tempo bom e ruim, já que ao disponibilizar várias pérolas de seu acervo em tempo recorde, o estúdio acaba por lançá-las sem o devido cuidado, com másters em condições precárias ou sem remasterizações em alta definição, sem contar a ausência de extras relevantes.

Porque então a relutância da Universal em assumir logo o Blu-ray? Tudo indica que deva existir um vantajoso acordo financeiro (com a Toshiba, talvez?) que prenda o estúdio ao HD-DVD, pelo menos por enquanto. A palavra oficial do estúdio é que a guerra de formatos é vantajosa para o consumidor, já que faz com que os preços tanto da mídia quanto dos players despenque em velocidade maior do que o normal. A verdade é que, ao mesmo tempo, torna o consumidor inseguro em adotar um formato de alta definição, levando esta disputa a causar mais mal do que bem no final das contas.

A verdade é que a Universal está sofrendo tremenda pressão, tanto do mercado quanto de seus acionistas, para adotar ambos os formatos, ainda mais com as crescentes vendas tanto dos softwares quanto dos hardwares Blu-ray.

Tirando o fato de prolongar a guerra, de que esse relutância do estúdio importa a quem já optou pelo Blu-ray? Afinal, como eu disse aí em cima, os títulos de maior apelo popular já estão com o formato da Sony. Pode até ser, mas pessoalmente, sou um grande fã da Universal, que é provavelmente o estúdio mais geek da história. Pelo menos para mim, o estúdio tem um dos catálogos mais fascinantes de Hollywood, mesmo nunca tendo a mesma relevância histórica que uma Warner ou uma Fox ou uma MGM. Mas o que dizer de títulos como SPARTACUS, O ENIGMA DE OUTRO MUNDO, A MARCA DA PANTERA, OS 12 MACACOS, UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES, UMA NOITE ALUCINANTE 3, GOLPE DE MESTRE, CASSINO, DARKMAN, O FRANCO ATIRADOR, QUEBRA DE SIGILO, PICARDIAS ESTUDANTIS, OS ESPÍRITOS, IRRESISTÍVEL PAIXÃO, VIDAS EM JOGO, FUGA À MEIA-NOITE e MONTY PYTHON - O SENTIDO DA VIDA, só pra citar os que já saíram em HD-DVD? São todos filmes que me fariam já ficar salivando por uma nova edição ultra-especial-definitiva em DVD, quanto mais em um formato de alta definição. E de filmes recentes como A IDENTIDADE BOURNE, A SUPREMACIA BOURNE, CÃO DE BRIGA, KING KONG, U-571, TODO MUNDO QUASE MORTO, HOT FUZZ, A MÚMIA, O RETORNO DA MÚMIA, VAN HELSING, O INTÉRPRETE, HULK, BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS e FILHOS DA ESPERANÇA, mais um vez ficando apenas nos já lançados? Se formos então abrir o painel para todas as possibilidades do estúdio, como E.T., TUBARÃO, JURASSIC PARK, A MARCA DA MALDADE, PSICOSE, UM CORPO QUE CAI, LOUCURAS DE VERÃO, DE VOLTA PARA O FUTURO, o ciclo dos monstros clássicos…

Ou seja, por mais que todos os estúdios tenham filmes absolutamente formidáveis em seus catálogos, simplesmente eu não poderia abrir mão nunca do rol da Universal. Minha coleção jamais chegaria perto de ser completa sem os filmes do estúdio. Resta esperar que ele então não demore a adotar também o Blu-ray, o que os analistas acreditam que vá acontecer num futuro próximo, principalmente após serem contabilizadas as vendas do natal deste ano. Com a velocidade que a Universal vem queimando seu catálogo, é de se imaginar que a mesma saiba que a adoção do formato concorrente está próxima, portanto porque não vender tudo novamente depois? Não existe nada errado com esse pensamento, mas só se o estúdio fizer juz a seu passado glorioso e reinvestir em novos masters e edições de seus títulos já lançados.

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