HOLLYWOODLAND - BASTIDORES DA FAMA (por Kas)

HOLLYWOODLAND, EUA, 2006
De Allan Coulter
Com Adrian Brody, Ben Affleck, Diane Lane, Bob Hoskins, Robin Tunney
Ainda cercado de mistérios, a morte do ator George Reeves em 1959 traz vários dos elementos perfeitos para um filme noir, como sexo, poder, intriga, sucesso e decadência.
O aparente suicídio de Reeves é o mote de HOLLYWOODLAND - BASTIDORES DA FAMA, no qual o diretor Allen Coulter (de quem sou grande fã, graças a seu trabalho em séries de qualidade como FAMÍLIA SOPRANO, ROMA e SEX AND THE CITY) acrescenta a figura de um investigador particular (Adrien Brody, vencedor do Oscar por O PIANISTA), contratado pela mãe do ator para descobrir a verdade por trás da morte de seu filho, segundo ela, incapaz de tirar a própria vida.
Algo, aliás, impensável para todas as crianças da América nos anos 50, que acompanhavam toda semana na TV as aventuras de Super-Homem, personagem que celebrizou Reeves (vivido por Ben Affleck, numa atuação desmistificadora), ao mesmo tempo em que o amaldiçoou. Por ficar tão estigmatizado como o Homem de Aço, o público não aceitava Reeves em outros papéis, como o que fez em A UM PASSO DA ETERNIDADE. Após uma exibição-teste onde os espectadores caiam na gargalhada cada vez que Reeves aparecia na tela, o diretor daquele filme, Fred Zinnemann decidiu cortar todas as cenas protagonizadas por ele. Este e outros revezes ajudaram o ator a afundar no alcoolismo e na auto-destruição, mesmo após o cancelamento da série em 1958, após 104 episódios. A ironia é que Reeves nem queria o papel de Super-Homem, ganhando-o quase por acidente. Pelo contrário, ele detestava vestir o colante vermelho e azul (ou marrom e cinza na primeira temporada da série em preto e branco) e socar bandidos toda semana na TV, algo que considerava indigno de seu potencial e de sua ambição. E ironia é outra característica imprescindível em um bom noir. Assim como as mulheres fatais, como Toni Mannix (Diane Lane, de RUAS DE FOGO, que continua atraente), esposa quarentona de um alto executivo da MGM, Eddie Mannix (o sensacional Bob Hoskins, fazendo aqui o que provavelmente teria feito como Al Capone em OS INTOCÁVEIS, caso De Niro não tivesse lhe roubado o papel), e com quem Reeves manteve, com partes iguais de luxúria e interesse, um caso durante anos. E também Leonore Lemmon (Robin Tunney, de LIMITE VERTICAL), noiva promíscua do ator que estava presente com mais três amigos na casa de Reeves no momento em que esse aparentemente se suicidou.
Se os fatos reais já apresentavam os ingredientes para um filme do gênero, por outro lado o diretor Coulter tinha uma batata quente nas mãos. Como fazer um filme de mistério no qual o mistério em si nunca foi devidamente solucionado? Neste ponto, HOLLYWOODLAND se aproxima de outro neo-noir recente, A DÁLIA NEGRA de Brian De Palma, que também versava sobre um caso real e nunca solucionado. Para resolver esse impasse, Coulter introduz o fictício personagem de Brody, o detetive Louis Simo. Falido, separado da esposa e do filho e sem perspectivas, Simo pega a oportunidade de investigar um caso de tal evidência para que possa assim atingir dar a volta por cima. Através dos olhos de Simo, vemos três possíveis soluções para o caso, o que satisfaz em parte aquela parcela do público que gosta de tudo amarradinho no final. Só que, como todo protagonista de filmes noir, Simo não imaginava que teria de enfrentar tudo e todos e que seria abandonado até por aquela que o contratou, terminando sozinho e com mais de um ponto em comum com a vítima. Assim como Reeves, Simo logo aprendeu que, por suas mãos ou as de outros, o caminho da fama leva a um beco sem saída.
Nota: ***
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A GALÁXIA » KAS VAI A HOLLYWOODLAND! disse,
27 de Abril de 2007 @ 11:44
[…] […]