HOMEM-ARANHA 3 (por Katchiannya)

homemaranha3 1 2 - homemaranha3 1 2

SPIDER-MAN 3, EUA, 2007
De Sam Raimi
Com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard, Rosemary Harris, J.K. Simmons, James Cromwell, Theresa Russell, Dylan Baker, Bill Nunn, Bruce Campbell, Elizabeth Banks, Cliff Robertson e Willem Dafoe

HOMEM-ARANHA e HOMEM-ARANHA 2 são considerados por muitos, inclusive esta crítica que vos escreve, como duas das melhores adaptações de quadrinhos já feitas. A receita foi se manter fiel à essência do personagem, agradando tanto os fãs radicais dos quadrinhos quanto aos espectadores que ali tiveram seu primeiro contato com o Aranha.

A compreensão por parte dos realizadores dos filmes de que a história do Homem-Aranha é a história de Peter Parker, trazendo um fator que sempre foi importante na personagem - suas relações interpessoais, crises existenciais e características humanas, sejam as qualidades, sejam os defeitos - foi o ponto chave para o imenso sucesso dos dois primeiros filmes.

Outros fatores importantes foram o equilíbrio perfeito entre o drama, as cenas de ação - empolgantes, diga-se de passagem - e a comédia.

O terceiro filme da franquia mantém todos esses elementos em sua gênese e realização, entretanto, aqui, eles não funcionam tão bem quanto nos dois primeiros.

Mas se todos os elementos que fizeram parte do sucesso dos dois primeiros estão lá, qual o problema?

O problema é que a dosagem de tais elementos simplesmente não se equilibra ou mesmo chega a convencer. A comédia acaba reinando, suprema, sobre os demais elementos. Sem dúvida este é o mais engraçado dos três filmes da série, mas isso não se converte necessariamente em uma qualidade, pois, o mote da história sobre os conflitos internos da personagem entre seu lado “maligno e egoísta” e seu lado “benevolente e altruísta” pedia um tom puxando para algo mais dramático e conflituoso que para o cômico.

Entretanto, a verve dramática é a mais fraca entre as três. A morte de Ben Parker, bem definida e sedimentada no primeiro filme, é revirada e reformulada mais uma vez, desnecessariamente, deve-se frisar.

O desejo de vingança de Peter (Tobey Maguire) contra o Homem-Areia (Thomas Haden Church), assassino de seu tio, simplesmente não convence, talvez por ser mal-explorado. E a mudança na morte de Ben Parker (Cliff Robertson) fica parecendo apenas uma desculpa esfarrapada para motivar que o Aranha vá atrás do Homen-Areia, para criar algum tipo de conexão transcendental entre todos eles.

E, o Homem-Areia, apesar de protagonizar um dos momentos mais interessantes do filme na cena em que ele ganha seus poderes, e também apesar de possuir um passado até tocante (e ele se tornou um ladrão para arrumar dinheiro para salvar a vida da filha doente), tem todo o seu potencial diluído na trama, a ponto de cogitarmos que sua presença é praticamente desnecessária.

As cenas de ação também são um pálido reflexo das mostradas nos filmes anteriores. Rápidas demais, algumas vezes fica até difícil entender o que exatamente está acontecendo. Não existe nenhuma cena que deixa aquela sensação sublime nos espectadores em que o fôlego simplesmente desaparece, e temos ao mesmo tempo uma forte comoção e um frio no estômago, como na luta entre o Aranha e o Doutor Octopus no segundo filme da série.

Mas, talvez, o maior defeito desse filme seja a síndrome de “tudo junto ao mesmo tempo agora”. Existe um acúmulo de tramas paralelas: os problemas de MJ (Kirsten Dunst) com a carreira e com a relação dela com o Peter, o surgimento de Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), o uniforme negro e posteriormente o surgimento de Venom (Topher Grace), a trama do Homem-Areia sendo assassino do tio de Peter, a dupla personalidade do novo Duende Verde (James Franco), que fica dividido entre ser inimigo declarado do Aranha ou amigo de Peter Parker. Esse acúmulo acaba por prejudicar o andamento da história como um todo, pois nenhuma dessas sub-tramas é bem desenvolvida e se conclui de forma satisfatória.

È visível a existência de pelo menos dois filmes distintos em HOMEM-ARANHA 3. Um cujo o arquiinimigo seria o Homem-Areia e outro envolvendo o uniforme negro e a criação de Venom. O novo Duende Verde poderia se encaixar como subtrama em qualquer uma das duas opções. Talvez, se tivessem optado por excluir algum desses tópicos deste filme e usa-lo em algum posterior, e se concentrassem em aprofundar as tramas que escolhessem, poderíamos ter mais uma vez um grande filme diante de nós.

Outro problema está na origem do uniforme negro, vindo de um meteorito que caiu no céu coincidentemente na hora em que Peter Parker está no parque com Mary Jane. Um pouco forçado e conveniente demais. Entretanto, apesar da idéia do uniforme negro como algo que faz com que o Aranha se confronte com lados sombrios de si mesmo que até então ignorava ser sensacional, a origem dele sempre deixou a desejar, mesmo nos quadrinhos.

Mas, para não dizer que HOMEM-ARANHA 3 são apenas defeitos, as atuações dos atores continuam tão boas quanto nos primeiros episódios, os efeitos especiais ainda agradam, com momentos de quase genialidade como na já citada seqüência de transformação do Homem-Areia.

HOMEM-ARANHA 3 não chega a ser um filme ruim, consegue superar algumas recentes adaptações, como QUARTETO FANTÁSTICO, DEMOLIDOR, ELEKTRA ou MOTOQUEIRO FANTASMA, entretanto, está muito aquém dos outros filmes do herói aracnídeo.

Nota: ***

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4 Comentários »

  1. A GALÁXIA » JÁ KATCHIANNYA NÃO SE DEIXA LEVAR PELA TEIA DO ARACNÍDEO disse,

    10 de Maio de 2007 @ 23:28

    […] Depois da resenha elogiosa do Gelogurte, dissonante do que ouço falar desta terceira aventura do amigo da vizinhança, eis que a Katchiannya junta-se a coro de detratores de HOMEM-ARANHA 3. Como ainda não tive chance de conferir o longa, tenho simplesmente de fechar a matraca e deixar os tripulantes apresentarem seus argumentos. Você lê a opinião da Katchiannya aqui. E você? O que achou do filme? Sam Raimi vai pro trono ou pra privada? […]

  2. Fabricio disse,

    13 de Maio de 2007 @ 11:31

    A resenha dela, parece um control + c e control + v das resenhas publicadas dos outros críticos. Parece que faltou uma opinião mais pessoal.

  3. Katchiannya disse,

    14 de Maio de 2007 @ 16:02

    Na verdade, não faltou uma opinião mais pessoal não, porque foi exatamente isso que eu achei do filme. Quem me conhece sabe que eu sou séria (até demais) no que se refere à escrever críticas de cinema. Não tenho culpa se a minha opinião entrou em consonância com a da maioria dos críticos. Ou que o Sam Raimi - de quem eu sou fã desde Evil Dead - pisou na bola e fez um filme aquém do esperado.
    Realmente não entendi porque minha resenha não ficou “pessoal”? O que faltou? Seria pessoal se eu elogiasse o filme ou se odiasse com fervor?
    É um filme morno, um filme razoável que poderia ser melhor. Apenas isso.

    Abraços.

  4. Regina disse,

    15 de Maio de 2007 @ 10:48

    Bem, opinião é opinião, mas eu acho que o Fabrício só fez esse comentário sobre a resenha da Kartchiannya porque não conhece seus trabalhos anteriores nem o cuidado que ela sempre tem de fazer análises críticas e sólidas dos filmes que assiste.
    Achar que opinião pessoal é o mesmo que se derreter em elogios ou se perder em vitupérios é não saber separar profissionalismo de passionalidade. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Podem até confluir em certas circunstâncias, mas nunca são necessariamente interdependentes.
    Adoro as resenhas da Katchiannya e com elas muito aprendo; e, aproveitando o comentário do Fabrício, o dia em que eu souber usar o ctrl v do jeito que a Katchiannya usa… Putz, eu vou ficar feliz da vida!!!!
    Abraços!

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