* INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL (por Kas)

De Steven Spielberg
Com Harrison Ford, Cate Blanchett, Shia LaBeouf, Karen Allen, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent
Vamos deixar o saudosismo de lado por enquanto. Enfim, como é INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL, a nova aventura do arqueólogo mais destemido do cinema que demorou quase 20 anos para sair do papel e que promete levar Indy a onde nenhum homem jamais esteve?
Em suma, O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL não é tão bom quanto as aventuras anteriores do herói. Culpa principalmente do roteiro, que alterna momentos inspirados (graças principalmente à direção engenhosa de Spielberg) com outros que nunca ultrapassam o óbvio. Os filmes anteriores eram carregados de humor entremeado às cenas de ação mirabolantes, de forma a desligar qualquer tipo de descrença que o espectador pudesse ter com relação ao que estava vendo. Aqui, elas fazem falta para compensar a inverossimilhança comum à série. E não é por falta de tentar. Muitas vezes a piada está lá, mas simplesmente não funciona. Julgando que esta nova aventura levou tanto tempo para se tornar realidade, era mais do que esperado que resultado final não parecesse tão apressado.
Por outro lado, Harrison Ford continua vestindo a jaqueta empoeirada e o velho chapéu com o mesmo charme e carisma. Sua primeira aparição, apanhando o chapéu no chão e o colocando de volta na cabeça, algo que vemos apenas na sombra que projeta no carro ao lado, é memorável. Logo Indiana está esmurrando soldados russos e participando de fugas espetaculares (a sequência de perseguição na selva amazônica é empolgante). Ou seja, Indy continua o mesmo, talvez mais resmungão com a idade. É ainda o supra-sumo do explorador branco e imperialista – e exatamente por isso um refresco de incorreção política – burilado ao longo da série e parte da própria gênese da aventura.
Os russos são liderados pela maléfica Irina Spalko. É perceptível o prazer com o qual Cate Blanchett veste a personagem, por mais caricatural que possa parecer (e é) no papel. Enquanto em O AVIADOR Blanchett imitava a pronúncia de Katherine Hepburn, aqui a atriz incorpora Greta Garbo, com um sotaque ao mesmo tempo fake e irresistível. Irina Spalko é a Ninotchka sexualmente frutrada, que desconta sua mágoa numa busca obsessiva pela caveira de cristal do título, que pode dar poder ilimitado a quem a possuir. Nem o inferno conhece fúria maior do que a de uma mulher rejeitada e Spalko é a confirmação.
A primeira grande sacada foi aproveitar o fato da trama se passar em 1957 para homenagear o cinema fantástico do período, da mesma forma que os filmes anteriores, situados 20 anos antes, remetiam aos seriados e filmes de aventura dos anos 30, época em que era possível ainda acreditar que locais ermos como os desertos africanos, as montanhas do Tibet e as florestas sul-americanas e indianas escondiam civilizações perdidas e artefatos místicos. Nos anos 50, o Macarthismo e a guerra fria já trouxeram a paranóia e o terror atômico. Logo, os cinemas se viram entulhados de ficções científicas sobre invasões de Marte (o planeta vermelho) ou criaturas nucleares. Spielberg reconhece estes elementos e os incorpora habilmente ao novo filme. Aproveita também para espalhar diversas citações cinéfilas ao longo da trama, como as formigas gigantes amazônicas de A SELVA NUA (aventura de 1954 com Eleanor Parker e Charlton Heston) e o visual do jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf, mostrando serviço num papel mal desenvolvido), chupado diretamente de Marlon Brando em O SELVAGEM (1953).
Spielberg também retoma a relação pai-filho que marca sua obra desde exatamente INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA, onde Sean Connery assumia a paternidade do herói. Aqui, o filho se torna pai, “surpresa” que nem o roteiro faz questão de esconder. Mas nunca alcança a mesma força emocional e nem explora tão bem o humor que surge do embate de diferentes personalidades, mesmo porque Mutt Williams não é um personagem tão bem definido assim.
Mesmo com seus percalços, que INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL sirva para desencadear uma nova aventura a cada três, quatro anos, como aconteceu nos anos 80. E vamos voltar com o saudosismo ao seu devido lugar: é muito bom ver Indiana Jones de volta ao cinema.
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A GALÁXIA » Blog Archive » ELE ESTÁ DE VOLTA! disse,
28 de Maio de 2008 @ 12:23
[…] E não veio sozinho! Muito bem acompanhado de Cate Blanchett, Ray Winstone, John Hurt e Shia LaBeouf, Harrison Ford está novamente usando o chapéu fedora e estalando seu chicote em INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL. Esperamos 20 anos por essa nova empreitada de Steven Spielberg e George Lucas. Valeu a pena? Confira a minha opinião ou a resenha do Kas, que tivemos o privilégio de conferir o filme na pré-estréia. […]