INESQUECÍVEL (por Kas)

Brasil, 2007
De Paulo Sérgio Almeida
Com Murilo Benício, Caco Ciocler, Guilhermina Guinle, Fernanda Machado, Gustavo Rodrigues, Marcos França
É ruim ser o portador das más notícias, principalmente quando estas podem afetar efetivamente a recepção que o público terá com a obra em si ou pior, com o cinema nacional em geral. Mas para cada O CÉU DE SUELY ou O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, temos um INESQUECÍVEL. O título, aliás, é acidentalmente irônico. Assisti ao filme duas semanas atrás e tive de fazer uma auto-terapia de regressão para conseguir me lembrar o suficiente para escrever esta resenha. Memórias reprimidas, talvez?
O fato é que INESQUECÍVEL presta um desserviço ao vigoroso cinema pátrio atual. Mas que isso não altere a boa vontade crescente com que o público vem recebendo os filmes produzidos no país. Em toda e qualquer cinematografia temos bons e maus títulos, mais maus que bons na verdade. O que chega até nós das produções de outros países que não os EUA são os títulos filtrados pelos festivais, que, se não garantem a qualidade, pelo menos servem para eliminar muita coisa. Dos EUA, isso não acontece. Se tem potencial de bilheteria, a dominadora indústria americana coloca nas telas.
É curioso então que a grande referência temática de INESQUECÍVEL seja exatamente um sub-gênero americano por excelência, o film noir. A atmosfera fatalista e sombria do noir permeia a história do triângulo amoroso que se instaura entre o bem-sucedido ator Diego Borges (Murilo Benício), sua esposa Laura Monteiro (Guilhermina Guinle) e o melhor amigo de Diego, o fotógrafo Guilherme Quiroga (Caco Ciocler). Laura e Guilherme se conhecem em Buenos Aires e, sem saber dos laços em comum com Diego, tem um caso intenso o suficiente para deixar marcas no fotógrafo, que volta ao Brasil para encontrar sua amada misteriosa. Acaba por reencontrá-la exatamente no casamento desta com seu amigo de infância. O choque de ambos é o bastante para despertar um ciúme doentio em Diego, levando-o a situações extremas.
A referência ao noir não está apenas na trama sórdida. É explicitada nas atitudes, na encenação e até mesmo no visual do filme que o personagem Diego está rodando paralelamente à ação principal. Só que o diretor Paulo Sérgio Almeida nunca se decide entre a estilização reverente alcançada por Guilherme de Almeida Prado em seu A DAMA DO CINE SHANGHAI e nem pela reinvenção dos códigos do sub-gênero presentes em obras como CHINATOWN, CORAÇÃO SATÂNICO e o recente HOLLYWOODLAND. Fica num meio termo patético, inconvincente, que desperdiça os talentos já comprovados de Murilo Benício e Caco Ciocler, além da beleza madura e muito bem fotografada de Guilhermina Guinle. Desperdiça também o tempo e o dinheiro do espectador, que poderia ser melhor empregado em outro filme. Nacional, inclusive.
Nota: • ½
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A GALÁXIA » FINCHER INESQUECÍVEL! disse,
1 de Junho de 2007 @ 13:39
[…] […]