JESUS - A HISTÓRIA DO NASCIMENTO (por Kas)

THE NATIVITY STORY, EUA, 2006
De Catherine Hardwicke
Com Keisha Castle-Hughes, Oscar Isaac, Shohreh Aghdashloo, Ciarán Hinds
Bem a tempo para as festividades de Natal, sai esse JESUS - A HISTÓRIA DO NASCIMENTO, produção que sedimenta uma nova onda de filmes bíblicos apoiados no sucesso estrondoso de A PAIXÃO DE CRISTO, de Mel Gibson. O filme de Gibson abriu as portas da manjedoura para várias produções de caráter explicitamente religioso – até então filmes e animações para o mercado de DVD – ou que traziam para outras ambientações metáforas divinas poderosas, como AS CRÔNICAS DE NARNIA e SUPERMAN - O RETORNO. Esta onda deverá agora se estabelecer, caso se confirme o sucesso previsto para A HISTÓRIA DO NASCIMENTO (JESUS entra no título nacional na carona do filme de Gibson).
Trata-se de uma dramatização de um trecho pouco explorado da Bíblia, os eventos e as circunstâncias que antecederam o nascimento de Cristo. Das grandes produções do gênero, acredito que a única que tenha dado algum destaque ao episódio foi no sensacional O REI DOS REIS (1961), de Nicholas Ray. A opção por esta trama representa ao mesmo tempo um trunfo e uma armadilha. Trunfo porque estão abertas as possibilidades de interpretação de figuras e momentos chaves da Bíblia, sem as amarras de se contar uma história por demais explorada, como a do próprio Cristo. Como a visão de Maria, sua gravidez inesperada e a repercussão desta perante seus próximos, incluindo José, a viagem dos Três Reis Magos em busca da confirmação da profecia e o temor do Rei Herodes da chegada do novo “rei Judeu” previsto pela mesma. A grande armadilha dramática, porém, se estabelece no fato do público saber exatamente onde a história vai parar, e que nada de realmente trágico irá acontecer com os protagonistas – Maria e José – durante todo o percurso para Belém. Estão todos nas mãos de Deus, afinal.
Esta falta de tensão é acentuada pela cineasta Catherine Hardwicke, que opta também por não aproveitar as possibilidades dramáticas da relação entre o ato divino e a realidade da época. Quando o pai de Maria anuncia para a filha que ela irá se casar com o proponente José, sem nem ao menos consultá-la, ela dá às costas para todos e se retira magoada. Por um momento, parece que estamos vendo um filme sobre adolescentes atuais – tema mais condizente com a filmografia da cineasta, que inclui os dramas adolescentes AOS TREZE e OS REIS DE DOGTOWN – que um registro antropológico-teológico do período.
Não quer dizer que o filme não tenha atrativos. O passado da cineasta como diretora de arte se faz perceber na boa encenação, feita a partir de tons neutros e cores lavadas, bem distante da saturação de DOGTOWN, seu filme anterior. É de se louvar também a escalação de atores fisicamente adequados para se retratar personagens do Oriente Médio no lugar de astros juvenis com feições anglo-americanas bem definidas. Maria é feita por Keisha Castle-Hughes, que ganhou uma inesperada indicação ao Oscar como protagonista de ENCANTADORA DE BALEIAS. Os papéis masculinos, por sua vez, foram entregues à intérpretes mais fadados a fazerem terroristas ou árabes nas telas (atores de filmes como PARADISE NOW, SYRIANA e MUNIQUE pipocam aqui e ali). A trilha sonora faz uso de “Noite Feliz”, o que acentua o clima natalino.
Filmado em locações na Itália e em Marrocos, JESUS - A HISTÓRIA DO NASCIMENTO é fácil de ver e voltado para toda a família, sem os excessos de A PAIXÃO DE CRISTO nem a reverência aos evangelhos do mesmo e de A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS (1965), de George Stevens, mas também distante do aprofundamento intelectual e psicológico de A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988, Martin Scorsese), O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS (1964, Pier Paolo Pasolini) e do próprio O REI DOS REIS. Não vai arrebanhar novos fiéis, mas pode muito bem emocionar aqueles que já crêem.
Nota: ** ½
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8 Comentários »
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A GALÁXIA » JESUS E O REINO DOS CÉUS disse,
1 de Dezembro de 2006 @ 10:23
[…] Não, esta não é uma resenha de JESUS - A HISTÓRIA DO NASCIMENTO, que eu publiquei ontem aqui. São só novidades com relação a A PAIXÃO DE CRISTO: EDIÇÃO ESPECIAL, que a Fox tinha prometido para novembro e cancelou inexplicavelmente, e a versão estendida do diretor de CRUZADA, que eu ainda não entendo porque não ganhou a tradução literal - maravilhosa por sinal - de REINO DOS CÉUS. Com isso, desperdiçaram tanto um quanto outro nome, já que ainda tenho esperanças de ver novas produções passadas no período. […]
vitoria mariana disse,
4 de Maio de 2007 @ 14:10
nao li a historia de Jesus pois quase sei o que aconteceu + vim pesquisar gogle por que amo , gosto , adoro Jesus e queria dizer nunca vou gostar de ninguem como eu gosto de Jesus ta bom ?
desculpe nao quero fazer vcs ficarem triste e pensar que sou uma pessoa tao rigorosa por que ne rigorosa sou ne se vcs gostaram de mimprometo que irei gostar de vcs tamem ta!!!!!!!!!!!!!!!!!
vitoria mariana disse,
4 de Maio de 2007 @ 14:11
quero falar que quando assistir esse filme gostei adoei mas tambem adorei a historia
beto disse,
26 de Junho de 2007 @ 10:36
esse sate é uma merda
Kas disse,
28 de Junho de 2007 @ 17:19
Não é “sate” que se escreve. O correto é “saite”.
Raphael disse,
18 de Setembro de 2007 @ 13:23
ótimo
olhoo disse,
1 de Outubro de 2007 @ 13:33
nada a declarar
amanda disse,
7 de Novembro de 2007 @ 09:13
quero fazer um teatro mas pra isso preciso das falas