* JUNO (por tHEbLoB)

juno - juno

JUNO, EUA/Canadá/Hungria, 2007
De Jason Reitman
Com Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons, Olivia Thirlby

Jason Reitman é um cara de sorte. Será? Sendo filho de um conhecido produtor e diretor de comédias famosas torna-se natural pensar que oportunidades de trabalhar na indústria apareçam mais facilmente. Isto pode ser verdade, não discuto, mas quase ninguém se lembra, ou sabe, que antes de estrear em longa metragem com o interessante e engraçado OBRIGADO POR FUMAR, Jason Reitman escreveu e dirigiu seis curtas, tendo inclusive, recebido premiações em festivais por dois deles.

Com JUNO, Reitman teve sob sua batuta o talento da garota prodígio Ellen Page e o texto afiado, irônico e indie da ex-stripper, escritora e blogueira de sucesso Diablo Cody que comparece aqui com seu primeiro roteiro para cinema. Nada melhor do que um currículo eclético como o de Cody para gerar aquele buzz inicial sobre o filme, detalhes que os produtores sempre sonham. Agora, fala sério… Diablo Cody parece mesmo é com nome de mutante das histórias em quadrinhos dos X-Men.

O filme abre com uma afiada e cáustica narração onde Juno MacGuff descreve sua família – abandonada pela mãe, morando com seu pai e sua nova esposa, tendo sexo sem o menor significado com um colega de escola em uma velha poltrona jogada no canto de um porão qualquer… é uma decepção atrás da outra. Será que Juno é uma garota gótica? Pelo visual de cara você vê que não é… mas é difícil acreditar que uma garota de 16 anos de idade se mostra tão desiludida com a vida como ela nos passa logo nos primeiros minutos do filme.

Ironicamente é a gravidez de Juno que ao invés de amaldiçoá-la de vez, coloca sua vida de cabeça para baixo de forma positiva. Logicamente, como um ser humano em formação ainda, hesita por alguns momentos sobre seu futuro, mas logo percebe qual é seu caminho nessa encruzilhada que a vida lhe proporcionou. De cínica e fria que espera nada menos que a perfeição dos outros ela se transforma em uma romântica que age com o coração e escolhe um caminho e o segue sem olhar para trás. Entre ter o filho e o aborto opta pelo primeiro, porque caso contrário, obviamente, não teríamos o filme.

A partir daí temos uma sucessão de situações típicas de uma comédia indie, algumas criativas e interessantes e outras nem tanto. Mas a maioria delas totalmente previsíveis. O fato é que no decorrer dos anos percebe-se por parte dos produtores, diretores e escritores de comédias independentes americanas a constante opção pelo diferente, pelo esquisito, pelo sutil e por tudo aquilo que fuja do padrão. Mas que padrão seria esse? Hum… diremos que seja algo mais mainstream. Algo mais dentro do formato O DIABO VESTE PRADA. Só que, infelizmente, o tiro tem saído pela culatra há algum tempo, principalmente porque aquilo que nasceu para não ter um padrão se apresenta pronto com uma estética visual e textual praticamente pré-definida. E é exatamente neste ponto que evidencia-se o lado mais fraco do filme de Jason Reitman. A extrema necessidade de se fazer um filme excêntrico e engraçado através de clichês indies, a ponto de frases como JUNO é a A PEQUENA MISS SUNSHINE desse ano! serem proferidas inúmeras vezes e com um certo aval de qualidade.

No decorrer do filme, em vários momentos, eu imaginava uma orgia de vozes na fase de pré-produção do filme sussurrando frases como:

- Quem sabe se o amigo dela fosse viciado em tic tac sabor laranja, doido hein?

- Por que a gente não coloca uma japonesinha que não fala inglês muito bem protestando contra o aborto na hora em que ela chega na clínica? Acho que ninguém nunca pensaria nisso, super original e doce, né?

- Quem sabe se a cada tantos minutos a gente coloca o grupo de corrida com aqueles uniformes bem nerds passando ao fundo nas cenas para criar um clima engraçado e estranho.

- Acho que seria ótimo se o pai falasse algumas palavras arcaicas que não são usadas em um diálogo cotidiano… não ia ficar esquisito e cool?

Apesar de tudo, Diablo Cody consegue escrever diálogos sofisticados, irônicos e inteligentes que atende muito bem uma geração antenada com a cultura pop das últimas décadas e encontra na talentosa Ellen Page sua intérprete mais que perfeita. Desde MENINA MÁ.COM que Page chama a atenção por sua perspicácia, naturalidade e eficiência em cena. Não há atualmente uma atriz no cenário mundial com um futuro tão promissor. Neste papel ela consegue passar uma leveza, ironia e simpatia para uma adolescente que mal interpretada poderia deixar os espectadores torcendo contra.

Juno MacGuff parece-me uma evolução natural de Marty, uma outra adolescente da história recente do cinema, interpretada por Natalie Portman no ótimo filme BRINCANDO DE SEDUZIR de Ted Demme. Neste filme Marty é uma adolescente de 14 anos que é madura para sua idade e que tem diálogos surpreendentes e inesquecíveis com seu vizinho Willie interpretado por Timothy Hutton, mas que não deixa de ser uma criança e de saber que tem seu espaço no mundo. Juno Macguff é como se fosse Marty dois anos mais velha, carregando na barriga uma gravidez inesperada e que decide seu problema da mesma forma que Marty decidiria, não tenho dúvida.

Bem, acho que Jason Reitman é um cara de sorte, sim! Com este filme ele conseguiu ultrapassar a casa dos 100 milhões de dólares com um filme de orçamento baixo (algo em torno de 7,5 milhões) e isso é um grande indicativo de sucesso. Terá ótimas condições para provar ao mundo que é um bom diretor e que tem seu estilo. Vamos aguardar. Logo neste seu segundo segundo filme conseguiu contar a estória de uma menina que vai ficar na memória dos espectadores por muito tempo.

Nota: ***

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » LIGEIRAMENTE GRÁVIDA! disse,

    23 de Fevereiro de 2008 @ 13:33

    […] Isso é que significa ganhar de barrigada! JUNO veio comendo pelas beiradas e num ano onde todos os concorrentes são literalmente barra-pesada, se impôs como a opção light, apesar da barriga avantajada da protagonista, a deliciosa Ellen Page. O gosmento tHEbLob é um fã da moça desde MENINA MÁ.COM e jura de pé junto que não é pai da criança. Clique aqui para conferir a resenha da coisa. […]

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