LOST ZWEIG (por Kas)

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LOST ZWEIG – OS ÚLTIMOS DIAS DE STEFAN ZWEIG NO BRASIL, Brasil, 2002
De Sylvio Back
Com Rudiger Vogler, Ruth Rieser, Daniel Dantas

Em 1942, o filósofo e escritor austríaco Stefan Zweig veio pela segunda vez ao Brasil, fugindo da perseguição aos judeus na Europa e pedindo asilo no país. Sua primeira visita acontecera seis anos antes, quando, fascinado pela cultura brasileira, escrevera o livro BRASIL - PAÍS DO FUTURO, do qual Getúlio Vargas gostava muito. Talvez menos do conteúdo do que do seu título, que virou slogan do governo populista de Getúlio. Uma semana após sua chegada, Zweig e sua segunda esposa Lotte se suicidam em sua casa em Petrópolis. Uma aparente contradição, já que ambos fogem da morte na Alemanha para tirarem a própria vida no Brasil. É esta trajetória o mote de LOST ZWEIG, finalmente em cartaz, após fazer o circuito dos festivais desde 2002.

O diretor Sylvio Back adaptou o romance MORTE NO PARAÍSO, do jornalista Alberto Dines em uma narrativa que equilibra doses de fatos e ficção. A intenção de Zweig era adotar o Brasil como nova pátria, e o filme explora as dificuldades impostas pelos meandros burocráticos do Governo Vargas, simbolizado por Lauro Pontes (Daniel Dantas), para liberar os vistos para o casal e o interesse deste governo em usar o nome e a credibilidade de Zweig para diminuir a oposição intelectual a seu regime. Para conseguir os vistos, e também salvo conduto para seus amigos judeus que permaneceram na Europa, é exigido de Zweig que ele realize uma biografia elogiosa de Santos Dumont. Só não cite o fim trágico, sugere Pontes, Ninguém se suicida no Brasil de Getúlio. Este é o dilema de Zweig: abrir mão de sua ética intelectual em prol da vida de seus amigos.

Zweig é encarnado com propriedade por Rüdiger Vogler, ator de Wim Wenders em O CÉU DE LISBOA, ATÉ O FIM DO MUNDO e TÃO LONGE, TÃO PERTO, mesmo interpretando em inglês. Aliás, a opção pelo inglês como idioma do filme nunca fica devidamente justificada. Faz sentido o escritor se comunicar em inglês com as autoridades e com seus amigos brasileiros, ou em situações extraordinárias como seu encontro na praia com Orson Welles, que filmava no Brasil o inacabado IT’S ALL TRUE. Mas e quanto a seus monólogos e suas conversas a sós com sua esposa?

Back, experiente realizador de documentários com mais de quarenta anos de carreira, opta por uma cadência formal e contida, lançando mão de planos fechados de forma a contornar as dificuldades de se reconstituir a época. Só que isto acaba funcionando a favor do filme, que ganha em intimismo ao mesmo tempo em que explora um clima progressivamente claustrofóbico, adequado para retratar a pressão e a frustração dos últimos dias de vida do escritor. É cobrada lealdade de Zweig neste período por todos os lados, sem perceberem que apenas a morte selaria sua lealdade consigo próprio.

Nota: ***

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » LOST KAS disse,

    2 de Novembro de 2007 @ 10:57

    […] […]

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