MANDANDO BALA (por Kas)

mandando bala - mandando bala

SHOOT’EM UP, EUA, 2007
De Michael Davis
Com Clive Owen, Monica Bellucci, Paul Giamatti, Stephen McHattie

Sabe aquele seu primo mala que sempre vai ver o último filme do 007 pra depois ficar reclamando que é muito “sacado”? Pois force o sujeito a assistir a MANDANDO BALA, a aloprada aventura que mistura a inconseqüência do universo da animação com a explosão de ultra-violência bem humorada característica dos trabalhos de Quentin Tarantino e Guy Ritchie.

Exatamente por lembrar a obra destes dois, a proposta de MANDANDO BALA pode parecer meio fora de moda, como tivesse ficado perdida em alguma prateleira do estúdio desde a década de 90. E talvez tenha ficado mesmo, já que até agora o diretor e roteirista Michael Davis era conhecido apenas por suas inofensivas comédias como 100 GAROTAS e 100 MULHERES e pelo trash assumido MONSTER MAN. Sem falar que a tentativa anterior de um grande estúdio em lançar um projeto tão esquizofrênico travestido de filme de ação resultou em HUDSON HAWK, o filme de Bruce Willis que se tornou – injustamente – um dos maiores fracassos daquela década.

O resultado comercial desta nova empreitada na área também pode não ter sido muito animador – meros US$ 12,8 milhões acumulados nos EUA até agora, contra um custo estimado em US$ 46 milhões. É o tipo de filme que deve encontrar seu público em vídeo. E merece, já que por mais infame que possa parecer, e é, MANDANDO BALA é tão descompromissado e politicamente incorreto que acaba sendo um alívio nessa época em que os heróis de ação, como Jason Bourne, Jack Bauer e até mesmo James Bond, buscam laços cada vez maiores com o mundo real.

É aí que seu primo vai engolir a maior quantidade de ação inverossímil por celulóide já registrada. Tudo tem início em um ponto de ônibus, onde o Sr. Smith vivido com bom (ou mal) humor por Clive Owen está na sua comendo uma cenoura crua (a referência ao Pernalonga não é acidental, como será confirmada várias vezes ao longo do filme). Até que passa por ele uma grávida fugindo apavorada de um homem armado. É o bastante para que, como bom herói, o Sr. Smith tome as dores da moça que não consegue salvar e crave o que sobrou da cenoura no olho do sujeito. Só que ela acaba dando luz a um menino antes de falecer, o que obriga Smith a cuidar da criança.

A partir daí, é uma correria só, que envolve ainda uma prostituta italiana de bom coração (a deliciosa Monica Bellucci, lutando contra o inglês macarrônico), um assassino profissional (um sarcástico Paul Giamatti), a indústria de armas americana e um candidato democrata à presidência. O fato do filme ter um discurso liberal enquanto promove em planos cada vez mais fetichizados o uso das armas que pretende condenar é parte da esquizofrenia que faz seu charme e inconseqüência, pois o roteiro ri de ambos os lados.

Lembra daquela famosa cena de FERVURA MÁXIMA de John Woo, em que Chow Yun-Fat tem de metralhar dezenas de bandidos enquanto carrega um bebê em um prédio em chamas, e em determinado momento a criança apaga com xixi o fogo na calça de Yun-Fat? Pois é, MANDANDO BALA é aquela seqüência ampliada, uma grande cena de ação ininterrupta esticada por uma hora e meia de filme. Só que sem o xixi.

Nota: ***

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » NÃO É SÓ A TROPA DE ELITE QUE TÁ MANDANDO BALA… disse,

    9 de Novembro de 2007 @ 12:04

    […] […]

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