MARCELLO, UMA VIDA DOCE (por Kas)

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MARCELLO, LA DOLCE VITA, Itália, 2006
De Annarosa Morri e Mario Canale

O documentário MARCELLO, UMA VIDA DOCE, sobre o grande Marcello Mastroianni, não foge do padrão de cinebiografias, mais facilmente encontradas entre os extras de DVDs que na tela de cinema: muitas cabeças falantes mescladas com cenas de filmes do ator. A diferença está em de quem são as cabeças falantes – nomes como Federico Fellini, Claudia Cardinale, Sofia Loren, Ettore Scola, Luchino Visconti, Lina Wertmuller, Liliana Cavani, Mario Monicelli, Giuseppe Tornatore, Anouk Aimee, Philippe Noiret e Marco Ferreri, além das filhas Barbara e Chiara e do irmão Ruggero, pipocam na tela para derramarem elogios e nostálgicas lembranças do amigo e companheiro de trabalho, como sua conhecida preguiça e relutância em acordar cedo e o amor por comida, telefone e sapatos. E tem também os filmes. E que filmes. Em uma carreira de mais de 150 títulos, Mastroianni realizou uma série de obras-primas e trabalhou com alguns dos maiores nomes do cinema mundial. Sua parceria com Fellini, Bolognini, Scola, Vittorio De Sica e Nikita Mikhalkov, entre outros, rendeu filmes inesquecíveis como A DOCE VIDA, OITO E MEIO, O BELO ANTONIO, MATRIMÔNIO À ITALIANA, UM DIA MUITO ESPECIAL e OLHOS NEGROS, todos devidamente relembrados no documentário.

Realizado por Annarosa Morri e Mario Canale e exibido esse ano no Festival de Cannes e do Rio, MARCELLO, UMA VIDA DOCE tem como espinha dorsal imagens captadas por Antonello Branca em 1965, onde Mastroianni fala sobre sua intimidade, sua forma de encarar o trabalho e o estrelato, sempre com a classe e a humildade que exibiu na tela grande. O título do documentário remete não só ao clássico de Fellini; doce, suave, tranqüilo e tímido são adjetivos que são associados pelos entrevistados ao ator, assim como talento, carisma, despojamento, charme e generosidade, características que todos nós acostumamos encontrar em cada um de seus papéis.

É certo que poucas revelações realmente relevantes e inusitadas são feitas. Por exemplo, nada ficamos sabendo sobre a infância ou adolescência do ator. O filme aborda, de forma saudosa, apenas sua vida após ingressar no cinema, passando dos primeiros papéis rústicos aos personagens elegantes de seus filmes com Fellini e Visconti. Mas, ao tentar desmistificá-lo, acaba por reforçar a visão pública do mesmo. Ainda assim, alguns depoimentos são saborosos, como o de Cardinale, que confessa que Mastroianni fora apaixonado por ela, ainda que a atriz não tenha cedido à sua fama de conquistador. O ator e diretor Sergio Castelitto (NÃO SE MOVA), que funciona aqui como narrador, relembra que seu primeiro papel no cinema foi ao lado de Mastroianni, e de como este, ao perceber seu nervosismo de iniciante, ofereceu a mão amiga. Este era Marcello Mastroianni tal qual o imaginávamos. E, se depender deste documentário, assim continuará sendo. Não faz mal. Veja o documentário e depois reveja os filmes. Marcello é sempre magnífico.

Nota: ***

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2 Comentários »

  1. A GALÁXIA » NOVA RESENHA: MARCELLO, UMA VIDA DOCE (por Kas) disse,

    27 de Outubro de 2006 @ 12:17

    […] […]

  2. angelina bulcão nascimento disse,

    4 de Janeiro de 2008 @ 10:09

    gostaria de saber onde e como adquirir o filme marcello uma vida doce.
    moro em salvador, bahia.
    obrigada se puderem responder
    att
    angelina

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