* MELHORES DE 2007 (por tHEbLoB)
Desde que me entendo por gente sempre acompanhei estas listas de melhores filmes do ano. E acredito que, por mais que alguns digam o contrário, não há como fazer uma lista de melhores do ano deixando de lado seu gosto pessoal. De Janeiro até agora aproveitei para ver uma enxurrada de filmes do ano passado que perdi quando passou nos cinemas. Quase consegui ver todos que gostaria. Alguns filmes sempre ficam para depois e entre eles destaco MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS de Alain Resnais, a falta mais sentida. Do cinema nacional dois filmes chamaram a minha atenção: O CHEIRO DO RALO de Heitor Dhalia e NÃO POR ACASO de Philippe Barcinski. O ano de 2007 foi ótimo para o cinema e por isso optei por fazer um TOP 20 para não deixar muito filme que fez a minha cabeça de fora. O grande drama foi colocá-los em ordem.
20º) NAÇÃO FAST FOOD de Richard Linklater
Linklater emprega sua verborragia costumeira para construir um discurso irônico e afiado sobre a podre cadeia produtiva dos restaurantes americanos de fast food. De quebra ainda mostra o tratamento desumano que os imigrantes mexicanos recebem nos EUA. Linklater, com sua rede “Mickey’s”, acabou por dar a luz à uma ficção (bem verdadeira por sinal) irmã do documentário SUPER SIZE ME. Bruce Willis com cinco minutos de presença na tela consegue uma atuação digna dos melhores episódios de A GATA E O RATO.
19º) A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA de Zhang Yimou
Zhang Yimou diminui o ritmo em relação a HERÓI e O CLÃ DAS ADÁGAS VOADORAS, mas consegue mais uma vez, criar um espetáculo de cor e coreografia nessa sua bem pessoal versão para REI LEAR de Shakespeare. Há menos ação e mais intriga, o que não o torna menos interessante.
18º) CARTAS DE IWO JIMA de Clint Eastwood
Quem imaginou que Dirty Harry algum dia poderia fazer filmes dessa qualidade? Tocar em assuntos polêmicos e sensíveis ao público americano com um olhar tão interessante e imparcial. Mostra a guerra como um horror, não importando o ângulo que você a veja. Acompanhar o drama e o patriotismo dos japoneses que continuam lutando mesmo sabendo que tudo estava perdido é assustador.
17º) DIAS DE GLÓRIA de Rachid Bouchareb
É emocionante a humanidade e elegância com que Bouchareb filma os percalços de um grupo de soldados africanos durante a 2ª guerra mundial. Eles desejavam melhorar a condição de suas vidas ao alistarem-se nas forças armadas francesas. Os sonhos de glória e retribuição deste grupo de homens é impedido pela intolerância e preconceito dos franceses, seus companheiros de batalha. Um filme que ilustra, juntamente com CACHÉ de Michael Haneke, como os franceses ainda têm muitas feridas abertas com suas ex-colônias africanas.
16º) RATATOUILLE de Brad Bird
Que delícia de desenho! Salpique uma pitada de ironia – um rato com paixão por comida fina, depois misture os indispensáveis ingredientes: entretenimento familiar, humor adulto e animação de alta qualidade. Brad Bird comprova mais uma vez como entende desse negócio e ainda nos deixa com água na boca ao ver os pratos preparados por seu alterego, o chef Remy. Fora o show de interpretação de Peter O’Toole como a voz do crítico de restaurantes Anton Ego.
15º) O ULTIMATO BOURNE de Paul Greengrass
Greengrass consegue filmar uma cena espetacular atrás da outra e virtualmente todas elas envolvem locais públicos lotados – estações de trem, aeroportos, cafés, ruas – o que adiciona grandes doses de realidade ao filme. A estória que se apresenta como o capítulo final da trilogia, cede espaço para o impacto e a pura energia, algo que os fãs de filmes de ação não têm do que reclamar. Menção especial para o trabalho estupendo de edição de Christopher Rouse.
14º) MARCAS DA VIDA de Andrea Arnold
Bela estréia desta diretora escocesa. Um filme frio, seco e sem firulas que nos faz lembrar de George Orwell e seu Big Brother, situação comum no Reino Unido onde as cidades estão, cada vez mais, vigiadas 24 horas por dia por câmeras e mais câmeras. É um filme de gênero que não te trapaceia com personagens clichês e coincidências ridículas. Tem sexo, violência, vingança e culpa. Estas situações sombrias, seus personagens e até mesmo suas esperanças vem do mundo real do comportamento humano.
13º) PECADOS ÍNTIMOS de Todd Field
Há lições para serem aprendidas no belo e pungente filme de Todd Field e ele não as esconde. Diferente de outros filmes do gênero, ele nunca abaixa o nível para sua audiência ou cria camadas de significados típicas daqueles filmes de arte que não tem muito a dizer. PECADOS ÍNTIMOS equilibra–se numa autêncidade sagaz e num olhar apurado sobre a paternidade e o subúrbio americano.
12º) POSSUÍDOS de William Friedkin
Baseado em uma peça de teatro off Broadway e adaptado para o cinema pelo próprio autor, este é um belo retorno de Friedkin à sua melhor forma. Fãs do seriado ARQUIVO X se deliciarão com o tema e a forma claustrofóbica que Friedkin sufoca o espectador com um bombardeio de informações, suspense e insanidade em um filme que se passa quase que integralmente dentro de um quarto de motel. Teoria da Conspiração pouca é bobagem. Ótimas performances dos protagonistas com destaque para Michael Shannon, uma das melhores atuações do ano.
11º) VENTOS DA LIBERDADE de Ken Loach
Desde garoto sou um fã dos filmes que falam sobre a Irlanda, um país que gostaria de conhecer. Loach volta em 1919 para contar um dos fatos mais marcantes da história irlandesa e o faz de forma politizada como toda a sua obra. Ele acaba construindo uma tragédia onde família e amigos, por causa de um radicalismo desenfreado, se ferem sucessivamente. Feridas dolorosas e inesquecíveis.
10º) O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD de Andrew Dominik
Uma das fotografias mais belas do ano e que fez o nome de Terrence Malick piscar como um daqueles neons de Las Vegas dentro da minha cabeça. Uma vez mais Jesse James vai parar na telona, desta feita com estilo e um olhar atípico para os filmes do gênero. Dominik, em seu segundo filme, parece um veterano tamanha a segurança na sua peculiar visão para um dos grandes mitos do velho oeste. E ainda temos Brad Pitt nos presenteando com sua melhor atuação no cinema.
9º) MARIA ANTONIETA de Sofia Coppola
Um filme que nos entorpece como uma garrafa de champagne de qualidade. Sofia Coppola mostra que adolescente rica e mimada é a mesma coisa em qualquer lugar do mundo e, para ela, não importa nem a época! Dane-se a história real da revolução francesa, na cabeça dessa tal Antonieta o que importa é diversão, estilo, luxo, banquetes, festas, sem nunca deixar de lado seu All Star azul.
8º) MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO de Marc Forster
Durante o lançamento deste filme o roteiro de Zach Helm foi seguidamente comparado aos roteiros de Charlie Kaufman, principalmente ao de ADAPTAÇÃO. Não discordo, porém o ótimo resultado final se deve a leveza e a simplicidade na direção de Marc Forster que, em nenhum momento, quis fazer algo super inteligente, complicado e estranho. E um bônus para aqueles que, como eu, apreciam créditos bem trabalhados, os créditos finais deste filme são um show à parte.
7º) VIAGEM A DARJEELING de Wes Anderson
O talento de Anderson sempre foi o de contar com um humor passivo, quase abstrato a transformação daquilo fora do normal em algo puramente ordinário e vice-versa. Neste seu quinto filme ele vai à India e aperfeiçoa a fórmula. Estão lá todos os seus recursos estilísticos: slow-motions extremos com trilha pop/rock dos anos 60 sublinhando as imagens, trupe usual de atores, dramas existencialistas de personagens classe alta que supostamente não deveriam ter do que reclamar, etc. Mais uma vez ele consegue nos fazer rir da estupidez reinante na comunicação entre os seres humanos.
6º) O HOMEM DUPLO de Richard Linklater
Linklater conseguiu levar magnificamente para as telas o espírito da estória de Philip K. Dick. Não consigo imaginar como seria uma adaptação cinematográfica sem o auxílio da técnica de rotoscopia. Por melhor que sejam as performances dos atores envolvidos, o filme sofreria demasiadamente em um formato convencional. Um casamento perfeito entre forma e conteúdo. O filme incomoda: afinal, que tipo de mundo sem alma é esse que nós criamos, onde as drogas são a única e viável fuga para os nossos problemas?
5º) SUNSHINE - AMEAÇA SOLAR de Danny Boyle
Como é bom assistir, de novo, a um ótimo filme de ficção científica, com viagem espacial, estrelas, astronautas e o diabo a quatro. Estava sem esperanças de ver algo de qualidade quando Danny Boyle me surpreendeu por completo. Um filme extremamente bem cuidado que preocupa-se não só com ação, mas em desenvolver os personagens na sua missão de salvar a Terra da extinção. Imagens lindas e efeitos especiais que driblam aquele padrão usual do CGI. Mas nada disso adiantaria se a estória não fosse bem escrita e a trilha sonora fosse tão boa.
4º) OS DONOS DA NOITE de James Gray
Outro filme que abre brilhantemente e segue seu curso num ritmo operístico que expõe o espectador a um desfile de imagens clássicas, enquandramentos lindos, que lembram trabalhos de Coppola e Visconti. À primeira vista Gray parece ser um cara de outra época, mas logo percebe-se que não é bem isso, não há nada de anacrônico em seu estilo. Existe sim, uma simbiose que beira a perfeição entre o cinema clássico do passado e o melhor que a tecnologia do presente tem a oferecer. Há uma cena de perseguição de carros que já vale o preço do ingresso ou o aluguel do DVD, ou melhor ainda, a compra do DVD!
3º) SONHANDO ALTO de Michael Polish
Os irmãos gêmeos Michael e Mark Polish constroem em pleno século XXI uma ode a inocência e a necessidade de acreditar nos seus sonhos mesmo que ninguém mais acredite. Um ato radical de rebeldia contra este mundo excessivamente cínico no qual vivemos. E para quem já conhece a dupla do seus filmes anteriores AMOR EM DOBRO e NORTHFORK, não foi nenhuma surpresa se emocionar com O ASTRONAUTA FAZENDEIRO, tradução literal do título que, para variar, é muito melhor. Ótima atuação de Billy Bob Thornton.
2º) ZODÍACO de David Fincher
ZODÍACO é um filme que nos mostra todo o tempo a obsessão de seu diretor em reproduzir fielmente os eventos que envolveram o serial killer mais pop da história americana. A partir do uso correto da tecnologia disponível Fincher consegue uma viagem no tempo, muito mais pela forma do que pela história que conta. Nessa viagem encontra em Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), um cartunista do San Francisco Chronicle obcecado pelo Zodíaco, alguém que entende exatamente como é o seu mundo.
1º) IMPÉRIO DOS SONHOS de David Lynch
Complexo, bizarro, pesadelo, esquizofrênico, artístico, surreal, escuro, louco, digital, perturbador, horror, estranho… o que mais? Estas são algumas palavras que geralmente estão associadas a Lynch e a seu mais recente trabalho no cinema. Preço que se paga para quem faz um trabalho autêntico e que foge aos padrões. INLAND EMPIRE é uma obra de áudio+visual na qual Lynch nos serve um banquete de sensações recheado de: desejo, medo, amor, incerteza, arrependimento, desespero, imperfeição e felicidade naquilo que ele mais acredita - a totalidade do ser humano e a possibilidade de sua paz espiritual. Melhor filme da década por enquanto.
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A GALÁXIA » OS MELHORES DE 2007 SEGUNDO A BOLHA! disse,
3 de Abril de 2008 @ 12:53
[…] Me sinto o cara mais democrático do mundo quando publico uma lista de MELHORES DO ANO como esta da criatura tHEbLoB. Não que o gosto do sujeito seja tão fétido quanto sua aparência viscosa, mas uma lista que inclui um filme de Wes Anderson é no mínimo… nojenta. Aaaargh! Tenho de selecionar melhor os planetas que eu visito… […]