* NÃO ESTOU LÁ (por tHEbLoB)

De Todd Haynes
Com Cate Blanchett, Christian Bale, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Wishaw, Marcus Carl Franklin, Julianne Moore, Charlotte Gainsburg, Bruce Greenwood
Não sou um fã de Bob Dylan, nunca tive um CD dele, mas o considero uma das figuras mais importantes da cena musical, cultural e política dos EUA nos anos 60 e 70. O que sei de Bob Dylan é o básico de alguém que se interessa por música, principalmente o rock. Conheço algumas de suas influências musicais e literárias, além de alguns fatos de sua vida que o transformaram em mito. Se Todd Haynes procurou um público alvo para NÃO ESTOU LÁ, eu estou bem no centro. O público que não tem uma noção clara de quem é Dylan e aquele fã apaixonado que é expert no tema, possivelmente, serão os que menos se entregarão a magia do filme.
O olhar de Haynes sobre a vida e obra de Bob Dylan não é algo comum de se encontrar nos filmes que retratam a vida de alguém. Ponto positivo para o filme que se diferencia de tantas outras biografias. Através de seis personagens ele enumera fatos e lendas da vida de Dylan, em cada cena há um ponto de interrogação que conclama a audiência a decidir se esses personagens pertencem a biografia de Dylan ou ao homem Dylan.
Dito isso, temos uma ótima performance do elenco e uma fotografia maravilhosa de Edward Lachman, de AS VIRGENS SUICIDAS e LONGE DO PARAÍSO. Uma alternância constante entre cenas em P&B e outras em cores dão um ritmo nostálgico ao filme. A recriação da época e do comportamento é um dos pontos fortes de Haynes. É prazeiroso, para quem foi criança nos anos 70 como eu, quando notamos que as cores e a iluminação utilizadas nesses segmentos lembram tanto aquelas nossas fotos antigas.
Com seus seis Bob Dylans desfilando pela tela, Haynes procura representar diferentes partes e/ou épocas do homem, ou ainda, o que a mídia percebe dele:
Uma criança negra (Marcus Carl Franklin) – como um músico nômade se deslocando pela área rural americana;
Um profeta do Greenwich Village (Christian Bale) – cantando a verdade através da folk music;
Um marido e astro de cinema (Heath Ledger) – vivendo as glórias do sucesso em constante crise com a esposa;
Um rockstar drogado (Cate Blanchett) – sempre debatendo e polemizando com a mídia e seus fãs que não estão satisfeitos com a nova direção da sua carreira;
Um poeta (Ben Winshaw) - que passa seu tempo num jogo de pergunta e respostas filosofando sobre tudo.
Um fora da lei do velho oeste (Richard Gere) - vivendo dentro de um mundo fantástico criado por sua própria imaginação.
Não que as outras não estejam à altura, mas das seis, destaco duas atuações para comentar aqui. Marcus Carl Franklin está maravilhoso. Quando aparece, NÃO ESTOU LÁ é charmoso, engraçado e cool. Sua versão de Dylan, apesar de ser uma das mais controversas, é recheado de informações sobre a formação do homem e até mesmo das inspirações para algumas canções. O Dylan de Cate Blanchett é essencialmente aquele representado no documentário DONT LOOK BACK. Blanchett tem uma atuação perfeita onde incorpora todos os maneirismos físicos apresentados por Dylan à época e também mostra toda sua vulnerabilidade, que não deixa ninguém, especialmente a mídia testemunhar.
Este filme, na realidade, é sobre como a mídia se apossou de um sujeito quieto, solitário, cantor e compositor e o transformou em alguma coisa que não pode ser explicada racionalmente. Todd Haynes foi a pessoa certa para fazer esta biografia porque percebeu desde o início que não existe apenas uma versão para a história de Bob Dylan e que não haveria uma versão que conciliaria todas. Bob Dylan compõe músicas há 50 anos que significam tantas coisas para diferentes pessoas. Ele é um roqueiro, um cantor folk e um caipira que canta música country. Ele é o assunto de vários documentários e inúmeros livros. Não há necessidade para uma biografia, mas mesmo assim este homem e sua herança demandaram um longa metragem.
O que Haynes fez foi pegar tudo que sabia de Bob Dylan e transformá-la em sua própria arte. Ele trouxe fatos conhecidos sobre a vida de Dylan e especulou sobre o resto. Misturou tudo e criou uma forma fragmentada de contar a história através do qual você escolhe seu Dylan preferido: o fora-da-lei, o sonhador, o profeta, o rebelde, a estrela ou o pai de família….
Nota: ****
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A GALÁXIA » DYLAN VS BEATLES… NA JUSTIÇA? disse,
31 de Março de 2008 @ 10:47
[…] Não, não é um novo filme de monstros (apesar de que a imagem de gigantescos bonecos de borracha de astros do rock esmagando a cidade de Tóquio me faz até suspirar). Também não é um western sobre como um único homem enfrenta uma quadrilha de estrangeiros de cabelo de penico. Não é nem mesmo um drama de tribunal com Jack Nicholson gritando “you can’t handle the truth!“. Após incompreensível demora, chegam finalmente às telas dois dos mais esperados filmes do ano passado. O primeiro, ACROSS THE UNIVERSE, está sob a lupa do Kas e conta com belos intérpretes cantando músicas dos Beatles, além de ser o primeiro filme de Julie Taymor após o elogiado FRIDA. O outro é NÃO ESTOU LÁ, uma semi-biografia de um dos deuses do folk music, Bob Dylan, que levou tHEbLoB aos cinemas. E se depois disso tudo ainda sobrar pedra sobre pedra, confira a resenha de Kas para JUÍZO, novo filme de Maria Augusta Lemos que coloca sob as lentes as audiências da 2ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro. Clique nos posters e confira você mesmo! […]