AMOR EM 5 TEMPOS, O (por Kas)

5X2, França, 2004
De François Ozon
Com Valeria Bruni-Tedeschi, Stéphane Freiss, Géraldine Pailhas, Michael Lonsdale
François Ozon pode ser queridinho da crítica, mas seu cinema continua sem convencer. Prolífico ele é, com vários longas no currículo apesar de ainda jovem. Mas prolixo ele também é, com pouco a dizer em muitas palavras. Ou pouco a mostrar. Como prova seu novo filme (que na verdade é de 2004; Ozon já tem outro depois deste), O AMOR EM 5 TEMPOS. Trata-se de um feliz título nacional, que resume bem o que é o filme: cinco blocos dramáticos retratando momentos chaves de uma relação amorosa. Só que aí vem a sacada de Ozon: os blocos são exibidos na ordem contrária, de trás para frente. Ou seja, começa no divórcio e termina com o primeiro encontro do casal.
Nada de novo aí. E como outras experiências recentes, como AMNÉSIA e IRREVERSÍVEL, a trama pouco interessaria caso os blocos fossem organizados em ordem cronológica. É a forma o que conta. Mas Ozon é um cineasta medíocre, sem grandes invenções ou cenas mais elaboradas. Bem que ele tenta: o divórcio é apresentado como um momento dolorido e cruel na vida do casal; e o cineasta apresenta esse trauma da forma mais gráfica possível. Mas quem dá verdade à relação e à passagem do tempo é o casal de atores, Valeria Bruni-Tedeschi e Stéphane Freiss, que passa por impressionante transformação física ao longo da projeção. Foi dela inclusive o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza daquele ano. Os coadjuvantes, entre eles o grande ator inglês Michael Lonsdale, não tem maiores chances.
A própria estrutura escolhida funciona como uma armadilha, já que o final – ou o início – é completamente previsível, assim como o são as conclusões das comédias românticas, onde o casal começa discutindo e brigando e terminam juntos e felizes para sempre. É o que temos aqui, só que levado a sério. Ao escolher terminar O AMOR EM 5 TEMPOS com o início da relação, Ozon pode até presentear o público com um “final feliz” com gosto amargo, já que sabemos onde aquilo vai dar, mas nem por isso deixa de ser óbvio. Como em 8 MULHERES e SWIMMING POOL, Ozon trata o cinema como uma experimentação – de gêneros e de forma – mas uma experimentação gratuita e sem propósito. Melhor dar a ele um tubo de ensaio.
nota: **
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 508
1 Comentário »
RSS para comentários nesta publicação · URI para link desta publicação:
Deixe um Comentário
Você deve estar conectado para postar um comentário.
A GALÁXIA » NOVAS RESENHAS disse,
7 de Setembro de 2006 @ 13:05
[…] O feriado antecipou as estréias desta semana, que são várias. Elas vão desde O MAIOR AMOR DO MUNDO, décimo sexto longa de Cacá Diegues (que, segundo quem viu o filme, até hoje não aprendeu a filmar) a SERPENTES A BORDO, o filme que a internet transformou em cult antes de ver, passando pela animação digital LUCAS, UM INTRUSO NO FORMIGUEIRO, produzida por Tom Hanks e voltada para os mais pequetitinhos (as crianças, não as formigas), e O GOSTO DA MELANCIA, nova piração de Tsai Ming-Liang. A GALÁXIA conferiu dois dos lançamentos do dia, TRANSAMÉRICA e O AMOR EM 5 TEMPOS. Confira as resenhas de ambos clicando nos respectivos títulos! […]