CAÇADOR DE PIPAS, O (por Gelogurte)

De Marc Forster
Com Khalid Abdalla, Atossa Leoni, Shaun Toub, Zekeria Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada, Homayoun Ershadi
Não sou dos que se sentem obrigados a ler um livro antes da adaptação cinematográfica chegar aos cinemas. Acho que assim, como o Kas mesmo mencionou em sua resenha de DESEJO E REPARAÇÃO, consigo analisar o filme de forma mais neutra. Mas dessa vez fui praticamente obrigado. Não pelos elogios que ouvi a respeito, mas pela namorada. Estamos oficialmente juntos há sete meses e há oito ela já me havia feito prometer que veríamos O CAÇADOR DE PIPAS assim que estreasse. Nessas horas, ter seu website e fazer os eventuais freelas para os jornais tem suas vantagens. Que melhor maneira para tentar impressioná-la se não levando-a a sessão de imprensa? Sem filas, sem barulho, sem celulares ou conversas. Apenas uma dúzia de geeks atentos. Por insistência dela, e pelo medo de ter certas regalias suspensas até segunda ordem, aceitei o empréstimo que sua vizinha fez e li o best-seller de Khaled Hosseini em apenas dois dias. Na verdade, achei que teria mais tempo mas tive que me apressar quando foi marcada a sessão.
Ao ler o livro antes de ver o filme, não sou de fazer comparações. A frase “o livro é melhor” me irrita profundamente. Afinal, são duas formas de expressão completamente diferentes e devem ser tratadas como tal. Mas, a não ser que as mudanças sejam drásticas, meu cérebro faz a associação do texto com a imagem. As inseguranças e os traumas do garoto Amir, por exemplo, são facilmente identificáveis porque eu já sei o que se passa ali. O que se passa na cabeça do personagem por causa do texto de Hosseini.
Como adaptação, o roteiro de David Benioff é admirável. Altamente fiel e enxuto, eliminando bons pedaços da prolixidade de Hosseini, sem sacrificar as cenas pequenas e emotivas que acabam dando motivação aos personagens. Claro, há diversos cortes que podem chatear os fãs do livro mas que se tivessem sido mantidos na edição final, chatearia o espectador. Aliado a ele, está a direção seca de Marc Forster, que acabam por lapidar diversos dos elementos mais novelescos e esteriotipados. Claro, ainda há uma grande carga emocional. Mas tal secura me preocupa. O impacto que deveria ocorrer ao mostrar o Afeganistão dominado pelo Taleban não é nem de perto o que deveria ser, muito menos as raras cenas que deveriam carregar certa tensão. Espero que Forster corrija isso à tempo de salvar o atual filme da franquia de James Bond, que merece uma grande continuação para CASSINO ROYALE.
Mas se você é fã do livro, O CAÇADOR DE PIPAS é uma aposta segura. O personagem do pequeno Hassan rouba a cena como é de se esperar, assim como o Baba de Homayoun Ershadi, que passa a imagem de pai severo mas também é responsável pelos grandes momentos cômicos do filme. Certamente não terá o impacto que teve o livro, e talvez nem deva já que esse é, por alguns, considerado altamente superestimado. Eu admito, gostei bastante. Tanto de um quanto do outro. Mas não acredito que será um filme que ficará marcado na memória do público por muito tempo.
Nota: ***
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1 Comentário »
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Gelogurte disse,
22 de Janeiro de 2008 @ 17:04
É, a Sra. Gelogurte já disse que não ficou nada impressionada…
Quem sabe um dia A Galáxia será grande o suficiente para levá-la à premiére de um futuro filme do Batman e ela possa então ver ao vivo seu sex symbol preferido, Christian Bale?