PASSADO, O (por Kas)

EL PASADO, Argentina/Brasil, 2007
De Hector Babenco
Com Gael García Bernal, Analía Couceyro, Ana Celentano, Moro Anghileri, Paulo Autran
Não só pela ambientação portenha que O PASSADO é o filme mais intimista de Hector Babenco, ao lado do belo e subestimado CORAÇÃO ILUMINADO. Enquanto em seus demais filmes Babenco assume o papel de contador de histórias, nestes dois títulos a história interessa menos do que a melancolia presente nestas reminiscências fílmicas. CORAÇÃO ILUMINADO é assumidamente autobiográfico, realizado em um momento em que Babenco lutava contra o câncer. Já O PASSADO, apesar do título sugestivo, é o passado de outro, no caso, do escritor Alan Pauls, autor do romance homônimo que inspirou Babenco.
Mas Babenco se identifica com a história de Rimini, o tradutor vivido por Gael Garcia Bernal, um homem a quem as mulheres amaram demais. Mais do que deveriam e mais do que ele poderia retribuir. Perto dos sentimentos exacerbados delas, Rimini parece nulo, seja por conveniência, comodismo ou por natureza. As mulheres representam turbulências em sua vida anestesiada, e é por isso que Rimini se vê atraído por elas. Como acontece com sua segunda mulher Vera (Ana Celentano), uma modelo a qual Rimini vê em um acesso de choro e ciúme no meio da rua. Ou a colega tradutora Carmen (Moro Anghileri) que lhe dá um filho. Cada qual provoca uma revolução pessoal, mas nenhuma como Sofia (Analía Couceyro), sua primeira namorada e esposa, de quem Rimini está se separando no início do filme. Sofia é o toda sua vida, seu mundo, o passado que não se vai, as lembranças que permanecem arquivadas, esperando serem selecionadas ou descartadas. Mas para tanto é necessário que Rimini aja, só que ações não cabem a ele, e sim às mulheres ao seu redor.
Talvez o que Babenco mais exija de seu público seja exatamente se identificar com um protagonista que de tão inativo, deixa de ser protagonista - apesar de estar presente em todas as cenas - e vira espectador de sua própria vida. Como na sequência, logo no início do filme, em que assiste a imagens da véspera de seu casamento com Sofia. É por isso que, aparentemente, não tem melhor condição para Rimini que a de se tornar troféu a ser exibido pelas mãos de Sofia, para seu grupo de auto-ajuda para mulheres rejeitadas. Assim pode permanecer devidamente exposto em uma prateleira, sem precisar se desprender de seu passado e construir seu futuro.
Nota: *** ½
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A GALÁXIA » O RETORNO DE BABENCO disse,
26 de Outubro de 2007 @ 17:10
[…] […]