SEGREDO DE BEETHOVEN, O (por Kas)

COPYING BEETHOVEN, EUA/Alemanha, 2006
De Agnieszka Holland
Com Ed Harris, Diane Kruger, Joe Anderson, Phyllida Law, Matthew Goode
O cinema da polonesa Agnieszka Holland mostra profunda fascinação pelas questões da fé e da religião, e pelos conflitos resultantes quando ambas se colocam entre o indivíduo e seu meio. Foi assim em COMPLÔ CONTRA A LIBERDADE (1989), sobre um padre que versa contra a opressão do governo ao movimento Solidariedade; e em COLHEITA AMARGA (1986), sobre uma fugitiva judia que se esconde dos nazistas na propriedade de um fazendeiro católico. Em FILHOS DA GUERRA (1990), seu filme mais famoso, um garoto judeu é obrigado a se passar por um ariano para sobreviver na Alemanha Nazista. Mesmo o instigante OLIVIER, OLIVIER (1992) parece uma releitura do TEOREMA de Pasolini. A busca pela fé perdida é o tema principal também de O JARDIM SECRETO (1993), O TERCEIRO MILAGRE (1999) e VOLTANDO PARA CASA (2002), e seus designos voltam a surgir em O SEGREDO DE BEETHOVEN.
Longe de ser uma biografia do famoso compositor alemão, a trama se concentra no final da vida do maestro, mais precisamente às vésperas deste apresentar a 9ª Sinfonia. A narrativa acontece em flashback, a partir do ponto de vista de Anna Holtz (Diane Kruger, a Helena de TRÓIA, provando que não é só bonita), uma jovem estudante de música indicada para trabalhar como copista para Beethoven, a quatro dias da apresentação de sua nova obra. É com essa personagem que a cineasta quer que o espectador se identifique, ao travar contato com aquela figura grotesca, ameaçadora e rude, ainda que também genial e magnética. O olhar de Holtz é também o nosso, e à medida que este vai se modificando ao longo da convivência com o maestro, também nossa impressão vai se reconstruindo e se deixando contaminar pelo que Beethoven tem de mais imperativo: sua música.
É através da música que Agnieszka Holland se aproxima com seu tema favorito, o contato do humano com o divino. Segundo o próprio Beethoven (vivido com intensidade por um Ed Harris de peruca e lentes de contato), a música é a linguagem de Deus, o mais próximo que se pode chegar do divino. Com opiniões polêmicas como essa, obviamente entra em conflito com a sociedade da época, mas este conflito, imposição do roteiro convencional (dos mesmos autores das cinebiografias de NIXON e ALI), é o que menos importa à cineasta. Esta toma algumas liberdades narrativas ousadas, como situar o clímax do filme – a apresentação da 9ª Sinfonia – no meio do filme, ao contrário de no terço final, como dita as regras da narrativa clássica. Mas filma com tanta paixão, utilizando a câmera como se fosse um instrumento musical, que fica difícil não se emocionar. Na tal apresentação, mesmo aproveitando algumas idéias de MINHA AMADA IMORTAL (outra abordagem da vida do compositor), Agnieszka Holland toca o sublime. Perto da música, e do fervor religioso que a acompanha, os dramas humanos ficam tão pequenos.
Nota: *** ½
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4 Comentários »
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A GALÁXIA » NOVAS RESENHAS disse,
22 de Dezembro de 2006 @ 15:52
[…] […]
Guilherme Soares disse,
9 de Agosto de 2007 @ 21:17
O texto é legal e bem produzido, mas nele existe um erro ,pelo que vi, voces mostraram nesta frase:”Longe de ser uma biografia do famoso compositor austríaco, a trama se concentra no final da vida do maestro, mais precisamente às vésperas deste apresentar a 9ª Sinfonia.” voces pronunciam que Beethoven era Austríaco.
Mais não era.Ele era ALEMÃO.Nasceu em Bonn (1770-1827).Recomendo a voces que concertem este erro à tempo antes que outras pessoas vejam e reclamem deste bem elaborado texto.
Obrigado
Guilherme Soares Ferreira
Kas disse,
9 de Agosto de 2007 @ 21:38
Você tem toda razão, Guilherme. Falha minha, já devidamente corrigida. Obrigado pelo toque.
Guilherme disse,
16 de Setembro de 2007 @ 11:13
De nada…
Entrei aqui e deixei este comentário é simplesmente pra ajudar vocês
Obrigado pela atenção
Guilherme Soares Ferreira