ULTIMATO BOURNE, O (por Gelogurte)

THE BOURNE ULTIMATUM, EUA, 2007
De Paul Greengrass
Com Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Albert Finney, Joan Allen
Dizer que Jason Bourne está de volta é desnecessário e até mesmo incorreto, já que a conclusão dessa trilogia começa antes mesmo do fim do episódio anterior. Vemos o amnésico espião ferido, em fuga da polícia russa, logo após seu encontro com a filha do casal Neski. O epílogo em NY, o telefonema entre Bourne e Pamela Landy em SUPREMACIA? Ele se encaixa de forma muito mais interessante. A grande sacada é que tal início deixa ainda mais evidente que temos aqui o tipo de coisa que Hollywood parece ter esquecido: como fazer um thriller de ação. Se o roteiro pode parecer nulo em termos de história, já que seu protagonista continua procurando por pistas de um passado que o persegue, Paul Greengrass vem se mostrando um exímio diretor. Seus filmes são tensos e sufocantes e, ao invés de seguir a onda do “quanto maior melhor”, ele sabe que uma boa cena de perseguição ou de luta trata-se de situações e personagens, não de explosões ou absurdos tolos.
Se os filmes de espiões são um produto da paranóia americana dos tempos da Guerra Fria, o truque é agora transportar tal tema para tempos contemporâneos. Para isso, foram necessárias mudanças. Se os velhos filmes de James Bond traziam um galante e charmoso aventureiro, o restart que a franquia ganhou em CASSINO ROYALE pode ser considerada uma conseqüência da mudança dos tempos. Verdade, Daniel Craig não abriu mão de muito charme e carisma, mas há em seus olhos e estilo uma brutalidade nunca antes vista na série.
Tal mudança apresentou ao mundo novos heróis e A IDENTIDADE BOURNE não poderia ter vindo em hora mais oportuna, já que o 007 de Pierce Brosnan descanbava cada vez mais para a paródia e transformava em comédia todo um gênero que não tinha mais defensores. O filme de Doug Liman pode não ter a mesma energia e tensão dos de Greengrass, mas começou muito bem a história misturando certos elementos de seu estilo videoclip com uma fotografia de uma elegância até então inédita em sua filmografia.
Infelizmente, Doug Liman não é dos mais tratáveis diretores, nem dos mais econômicos. Quando foi dada a luz verde para SUPREMACIA, Liman admitiu em entrevistas ter pedido a ajuda do próprio Matt Damon, para que este intervisse junto ao estúdio pedindo a volta do diretor. Em sua política de boa vizinhança, Damon não se meteu e o estúdio que, cansado dos abusos do diretor, contratou Paul Greengrass, em sua estréia no cinema americano após vários trabalhos para a TV inglesa e os menores LIVRE PARA VOAR, um drama com Kenneth Branagh e Helena Bonham-Carter, e DOMINGO SANGRENTO, elogiadíssimo e considerado por muitos seu melhor filme. Mentira, é UNITED 93 mesmo, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de melhor diretor.
Logo após SUPREMACIA, Greengrass se comprometeu com a adaptação da mini-série em quadrinhos WATCHMEN, de Alan Moore e David Gibbons, que acabou sendo cancelada pela Paramount, então dona dos direitos que agora estão nas mãos da Warner Bros. e do diretor Zack Snyder, de 300. O estúdio na época temia que um filme adulto de super-heróis nunca justificaria um orçamento de US$ 75 milhões. Após a indicação ao Oscar, Greengrass quando questionado se voltaria a WATCHMEN se pudesse, respondia negativamente. Que já tinha desistido do projeto e que não era de voltar a algo que já tivesse feito. Por isso, sua presença em O ULTIMATO BOURNE, certamente o melhor da série, foi uma surpresa.
Se em DURO DE MATAR 4.0 temos o bom e velho discurso fascista de titio George Bush, em ULTIMATO o governo, mesmo com as melhores intenções (desde que tais intenções beneficiem sempre o próprio país) é o inimigo. Como em FRANKENSTEIN e ROBOCOP, a criação volta-se contra o próprio criador.
A temporada atual de filmes não foi uma decepção porque, por mais projetos aparentemente suculentos vieram, estes tinham nas rédeas diretores medíocres (Gore Verbinski) ou realmente ruins (Tim Story, Michael Bay, Mark Steven Johnson, Len Weisman). Quem normalmente não decepciona, continuou bem (Zack Snyder, Sam Raimi, Steven Soderbergh) e tivemos até uma ótima surpresa em David Yates. Agora, quem arrebenta e entrega o grande action movie do verão americano é Paul Greengrass.
Nota:
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 539
2 Comentários »
RSS para comentários nesta publicação · URI para link desta publicação:
Deixe um Comentário
Você deve estar conectado para postar um comentário.
A GALÁXIA » BOURNE NÃO PERDOA NADA! disse,
26 de Agosto de 2007 @ 02:25
[…] Estranhos tempos estes, quando diretores de currículo voltado para questões mais políticas e atuais realizam dois dos melhores blockbusters do ano até agora. Como bem lembrou o Gelogurte, o novato em longas David Yates, de extensa carreira na TV britânica, não só surpreendeu como também fez o melhor HARRY POTTER até agora, ao lado da incursão de Alfonso Cuarón (outro com um pé no cinema “de arte”) na série. E agora Paul Greengrass repete a mágica e entrega O ULTIMATO BOURNE, um filme de ação inteligente e empolgante, de deixar Michael Bay e Len Wiseman pensando seriamente em abandonar a profissão (o que não seria nada mal). Greengrass, que já tinha se provado um confiável (mas não previsível) direotr de pimeiro time com A SUPREMACIA BOURNE, revela com a terceira aventura do agente desmemoriado vivido por Matt Damon que é um sábio aprendiz do mestre John Frankenheimer de SOB O DOMÍNIO DO MAL e OPERAÇÃO FRANÇA 2. Greengrass veio da escola do documentário, e sabe bem aplicar sua experiência para tornar crível as maiores perípécias fílmicas. Não é raro eu e o Gelogurte concordarmos sobre um filme, mas neste caso acho que você tem tudo para compartilhar também a nossa opinião. Clique aqui para conferir a resenha da criatura e aqui para ler a minha! […]
Caio Portella disse,
4 de Setembro de 2007 @ 11:14
cara.. chamar quem sabe a maior parceria de todos os tempos de péssimo??
michael bay e steven spielberg????
hum.. olha veja o oscar do ano que vem pra saber..
os robos ta bom a hstoria foi comercial..
mas olha só ..
o cara nas ações é rei..
greenglass entrou na onda agora.. nao tem reputação de comerciai de tv..
Já é da praça de documentários.Entaum bourne entrou em sua vida com uma luva.
fenomeno mesmo?
Jack Znyder e sua esposa como produtora, fez o q ninguem acreditava:
- fazer um filme de censura alta ganha notoridade de milhoes de cofres na warner..
Por isso a empresa falou:
- astro mesmo em watchmen é zack znyder !
- entaum sai john cursack como night own!!!
- sam raimi? naum foi como desejado.
ate seu mais ambisioso projeto( a volta ao senhor dos aneis) o estudio preferiu pagar a divida com peter jackson do que aceitar sam na direção !!!!!
-Pior? herry potter: um diretor q naum tinha a liberdade de trabalhar..
Tinha cris colombus enchendo o saco, e uma escritora q toda hora se metia no set.. e os patrocinadores??
hecg!!!!!!!1 =[
-foi no q deu no cinema. Na minha opiniao: o Pior da série.
conclu-o dizendo: desculpas pelos erros de português .
mas o bom memso é 300, Transformers e Ultimato.
os 2 primeiro sao diretores independentes com conhecimento de inovar desafiador. Já bay teve q utilizar sua arte junto a musica empolgantes com spielberg na cola pra ganhar tempo pro Indy IV.