VIDENTE, O (por Kas)

NEXT, EUA, 2007
De Lee Tamahori
Com Nicolas Cage, Julianne Moore, Nicolas Pajon, Paul Rae, Jessica Biel, Thomas Kretschmann, Peter Falk, Michael Trucco, Jim Beaver, José Zúñiga
O universo pessimista e existencial do escritor de ficção científica Philip K. Dick dificilmente escapa à sana de Hollywood por idéias alheias, mas o que é surpreendente é este material geralmente servir de base para tramas de ação e aventura, algo que nunca se encontra no trabalho de Dick. Foi assim em MINORITY REPORT, JOHNNY MNEMONIC e O PAGAMENTO, onde, respectivamente Tom Cruise, Keanu Reeves e Ben Affleck se aproveitavam de alguns conceitos de Dick como mote para ambientação futurista e cenas de ação cada vez mais alucinantes. Raros são os casos como BLADE RUNNER e O HOMEM DUPLO, onde a obra do escritor é respeitada em sua essência.
Pois em O VIDENTE Nicolas Cage (também produtor) quer mais é seguir a correria de Cruise, Reeves e Affleck. Cage é Chris Johnson, um prestidigitador de Las Vegas, responsável por um show de mágicas onde sua especialidade é descobrir o que vai ocorrer no futuro bem próximo dos espectadores. O “truque”, no caso, é que Johnson tem o poder de ver dois minutos (um conveniente número redondo, mais fácil para o público assimilar) no seu futuro, habilidade que usa com parcimônia para não chamar tanta atenção sobre si mesmo e assim viver o mais próximo possível de uma vida normal. Até que uma agente do FBI, vivida por Julianne Moore, desconfiada do sujeito, decide coopta-lo para se juntar a uma equipe que procura evitar que uma bomba atômica seja detonada no centro de Los Angeles. Não seria melhor chamar o Jack Bauer?
Hollywood já embarcou tantas vezes em viagens no tempo que numa hora dessas já era esperado que conseguisse perceber algumas das armadilhas que tal conceito agrega. Mas os três roteiristas e o diretor Lee Tamahori (que esteve em evidência ultimamente mais pelo escândalo sexual no qual se envolveu que pelo sucesso de seus últimos filmes) parecem se preocupar muito pouco com a quantidade de buracos (não só de balas) que vão deixando pelo caminho, certo que estão de que o público estará grudado na ação o suficiente para não perceber que estão sendo ludibriados. Ledo engano. Por mais que a premissa possa ser estimulante – menos a parte da bomba e dos vilões – a realização não é. A ação é supérflua e forçada, como na seqüência em que Cage usa seu “poder” para causar uma inacreditável avalanche, só porque a fórmula padrão de Hollywood pedia uma cena movimentada e grandiosa naquele momento. Até mesmo o visual é apressado. Tanto a fotografia (logo de David Tattersall, da nova trilogia de STAR WARS) quanto os efeitos, ambos digitais, são mal realizados, nunca se integrando devidamente. Só duas coisas não são óbvias no filme: o que uma atriz do calibre de Julianne Moore está fazendo aqui e de onde surgiu a peruca do Nicolas Cage? Será que foi sobra das que fizeram Tom Hanks passar vergonha em O CÓDIGO DA VINCI? De qualquer forma, Cage poderia usá-la pra esconder um coelho, se quisesse.
O verdadeiro poder do moço é o completo domínio que tem sobre seu dom. Cage consegue fazer praticamente tudo que deseja, até mesmo levar a deliciosa Jessica Biel pra cama, mesmo usando a tal peruca. Nesse ponto, Chris Johnson é o super-herói que o ator sempre perseguiu no cinema, mais até do que o Motoqueiro Fantasma. Poderia até render uma série de TV, caso DEAD ZONE já não estivesse fazendo um bom trabalho.
Vou terminar a resenha com um ato de clarividência: vejo no seu futuro que seu tempo será bem melhor gasto caso você opte por outro filme no lugar de O VIDENTE. Qual filme é este não está muito claro, mas basta apontar qualquer um que esteja sendo exibido que você tem grandes chances de acertar.
Nota: * ½
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A GALÁXIA » EU PREVEJO UMA PORCARIA! disse,
28 de Setembro de 2007 @ 01:00
[…] […]