* PIAF - UM HINO AO AMOR (por Kas)

De Olivier Dahan
Com Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Gérard Depardieu, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins, Catherine Allegret, Marc Barbé
Quem conheceu a bela jovem Marion Cotillard por sua participação como o interesse amoroso de Russell Crowe na fracassada comédia romântica de Ridley Scott UM BOM ANO ficou boquiaberto com sua encarnação da diva Edith Piaf em PIAF - UM HINO AO AMOR. Aliás, mesmo quem não sabia nada sobre a moça ficou impressionado, dada sua entrega ao papel, a ponto de sofrer uma transformação física que transcende as facilidades da tela e do palco como efeitos de maquiagem (premiados com o Oscar), perspectiva de câmera e figurinos. Transformação esta tão intensa que fez até mesmos os acadêmicos de Hollywood se esquecerem que Cotillard interpreta em língua que não o inglês, algo que sempre foi um empecilho para os atores estrangeiros na hora de serem considerados para o Oscar. Mas não teve pra ninguém. Cotillard levou sua merecida estatueta para a França.
O problema maior é que a interpretação de Cotillard acabou por eclipsar os demais méritos do filme de Olivier Dahan. E são vários. Pra começar, Dahan evita as armadilhas das cinebiografias de artistas (os recentes RAY e JOHNNY & JUNE estão aí para confirmar), como atribuir a tão somente um dom divino os dotes do personagem. Como PIAF mostra, de nada adiantava o talento se não fosse acompanhado de perseverança e técnica. O artista deixa de ser um self made man (ou woman, como neste caso) para se tornar uma cria de vários pais – biológicos ou não. Dahan dá o devido crédito a todos que ajudaram a levar Piaf ao topo. Uma das cenas mais emocionantes é a de seu breve reencontro com Raymond Asso (Marc Barbé), um de seus principais apoiadores, e a quem Piaf havia despedido logo que alcançou o sucesso, devido aos contínuos treinamentos aos quais o empresário a submetia. Piaf vê Raymond parado na porta de seu camarim e só este breve relance, acompanhado do olhar de ambos os personagens é o suficiente para arrancar uma lágrima.
Ao valorizar a participação de outras figuras na construção do mito, Dahan acaba por aproximar sua protagonista mais de sua condição humana. Como todo artista cuja vida preste a uma adaptação cinematográfica, a história de Piaf é carregada de tragédias e infelicidade. O que só confirma o talento de Cotillard e Dahan ao evitarem a autocomiseração e o tom edificante. Piaf era por vezes desprezível e intratável, mas Cotillard consegue torná-la ao mesmo tempo uma figura cativante, sem apelar para o papel de vítima.
Olivier Dahan, também autor do roteiro, constrói sua narrativa com idas e vindas no tempo e no espaço. Esta opção ajuda a estabelecer relações entre ações que de outra forma ficariam perdidas em uma trama cuja previsibilidade nunca foi colocada à prova. E permite também que o filme termine com uma nota pra cima, mesmo após a morte da pequena pardal.
Nota: *** ½
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 366
1 Comentário »
RSS para comentários nesta publicação · URI para link desta publicação:
Deixe um Comentário
Você deve estar conectado para postar um comentário.
A GALÁXIA » NOS 44 DO SEGUNDO TEMPO! disse,
24 de Março de 2008 @ 10:54
[…] […]