POSEIDON (por Kas)

poseidon - poseidon

EUA, 2006
De Wolfgang Petersen
Com Josh Lucas, Kurt Russell, Emmy Rossum, Richard Dreyfuss, Mia Maestro, Kevin Dillon, Jacinda Barrett

O diretor alemão Wolfgang Petersen dá início a sua catástrofe marítima com um toque interessante: o filme abre com um plano submarino do casco do transatlântico Poseidon, navegando pelo Atlântico em direção à Nova York na noite de ano novo. É para este casco que os protagonistas da aventura rumarão após uma onda gigante virar o navio de ponta cabeça. Pena que após o início promissor o cineasta caia na mediocridade que marca sua obra há anos, mais precisamente desde que dirigiu Clint Eastwood e John Malkovich em NA LINHA DE FOGO (1993), seu último filme relevante.

POSEIDON é a refilmagem de um dos filmes-catástrofes mais famosos do cinema, O DESTINO DO POSEIDON, que dominou as bilheterias em 1972. A tentativa de revitalizar uma marca famosa faz sentido do ponto de vista comercial, principalmente levando em conta o sucesso de TITANIC e MAR EM FÚRIA (este último dirigido pelo mesmo Petersen), duas tragédias marítimas que levaram multidões aos cinemas. Junte-se a isso o apelo da premissa, com vários personagens tendo de enfrentar suas diferenças e diversos obstáculos para não sucumbirem à fatídica noite, e temos potencial para um drama poderoso.

Mas nas mãos frouxas de Petersen não é o que acontecem. O diretor mostra o mesmo cansaço criativo estampado na cara de seu elenco, onde atores como Kurt Russell e Richard Dreyfuss deixam claro que a razão de estarem por ali é mais pelo cheque polpudo que pelas pretensões artísticas. Não que o filme original primasse pela ambição intelectual, mas este pelo menos era dotado de personagens razoavelmente interessantes que foram adotados com gosto por seu elenco bem mais nobre. Gene Hackman, por exemplo, fazia um reverendo pouco convencional que assumia, com tom messiânico, o destino dos outros passageiros, levando-os numa jornada pelo vale da morte, carregada de símbolos e passagens de dimensões bíblicas. Estas referências faziam da aventura algo mais do que o divertimento padrão industrial, e são em grande parte a razão de sua permanência no imaginário popular. Neste contexto, os sacrifícios heróicos de um ou de outro não eram em vão, como parecem ser na refilmagem.

Para evitar que o público conhecedor do filme original soubesse de antemão quem morreria e quem sobreviveria, os realizadores alteraram significantemente os personagens, mesclando uns, eliminando outros e acrescentando tramas paralelas, como a do jovem casal que é obrigado, não se sabe por que, a esconder o noivado do pai dela. Só que estas alterações foram feitas de forma tão leviana que a previsibilidade se mantém, com cada morte anunciada milhas antes de ocorrer.

Acostumado à carpintaria hollywoodiana, para onde se mudou após o sucesso internacional de O BARCO - INFERNO NO MAR e A HISTÓRIA SEM FIM, Petersen domina com facilidade os elementos espetaculares deste tipo de superprodução, mas sem nunca elevá-la acima do usual do gênero, como deixou claro em FORÇA AÉREA UM, TRÓIA e agora em POSEIDON. Sem suspense, diversão ou criatividade, seu barco naufraga já no porto.

Nota: **

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » E O OSCAR VAI PARA… disse,

    28 de Janeiro de 2007 @ 21:17

    […] EFEITOS VISUAIS: PIRATAS DO CARIBE - O BAÚ DA MORTE (John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e Allen Hall) POSEIDON (Boyd Shermis, Kim Libreri, Chas Jarrett e John Frazier) SUPERMAN - O RETORNO (Mark Stetson, Neil Corbould, Richard R. Hoover e Jon Thum) […]

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