GATÃO DE MEIA IDADE (por Kas)

gatao meia idade - gatao meia idade

Brasil, 2006
De Antônio Carlos da Fontoura
Com Alexandre Borges, Júlia Lemmertz, Cristiana Oliveira, Lavínia Vlazak, Ângela Vieira, Ilka Soares, Thais Ferçoza, Rita Guedes, Flavia Monteiro, Paulo César Pereio, André de Biase

GATÃO DE MEIA IDADE é o primeiro filme de Antônio Carlos da Fontoura em 18 anos (seu longa anterior foi UMA AVENTURA DO ZICO, de 1988), período no qual trabalhou principalmente para a TV. Isso se faz sentir nessa adaptação das tiras de quadrinhos de Miguel Paiva. Tanto o ritmo quanto o visual seguem a cartilha da linguagem televisiva, mas até lá pareceria conservadora.

Fontoura rodou o longa em vídeo digital, o que não seria tanto problema caso o diretor utilizasse as limitações do suporte como ganho estético, já que a falta de profundidade de campo do digital bem poderia simular a bidimensionalidade dos quadrinhos. Mas mesmo uma série como OS NORMAIS é mais bem sucedida na estilização proposta que GATÃO DE MEIA IDADE, que se contenta em colorir os cenários em busca do mesmo objetivo.

Não é a primeira vez que uma personagem de Paiva cruza a fronteira do audiovisual. Sua RADICAL CHIC recebeu atenção da Rede Globo (que comparece aqui através de seu braço cinematográfico), onde foi encarnada por Andréia Beltrão em 1993. A série de esquetes não funcionou como esperado, mas que ainda assim era formalmente bem mais sucedida que aqui, aproximando-se mais da estética da tira original.

Esta transição incompleta aproxima GATÃO DE MEIA IDADE de outra adaptação dos quadrinhos brazuca, ED MORT, este tirado por Alain Fresnot das tiras de Luiz Fernando Veríssimo e do mesmo Miguel Paiva. Ambos falham tanto no humor quanto na concepção visual pobre. ED MORT pelo menos trazia algo de “sátira noir terceiromundista”, quase um CLIENTE MORTO NÃO PAGA pátrio, que tinha lá seu interesse. Mas GATÃO DE MEIA IDADE se contenta em fazer piadas batidas em cima de clichês sexuais, e o roteiro (co-escrito por Paiva) luta para injetar estofo no que funcionaria melhor como momentos isolados, assim como nas tiras. Uma seqüência específica exemplifica com exatidão os limites do material: aquela onde o Gatão relembra suas ex-namoradas, cada uma representando um estereótipo feminino.

Alexandre Borges traz para o papel a experiência de interpretar canalhas em novelas como LAÇOS DE FAMÍLIA e BELÍSSIMA, mas não consegue humanizar seu quarentão infantilizado como foi feito com propriedade nos romances de Nick Hornby e em suas adaptações fílmicas. O vasto elenco feminino não consegue igualmente levar a sério suas personagens rasas e confundem leveza e bom humor com caricatura. As inserções musicais são tão sem sutilezas quanto as gags, que se telegrafam com minutos de antecedência. Até e-mails de piadas são mais engraçados e originais. E, pecado maior, a busca por preencher o tempo necessário para um longa-metragem faz com que o Gatão entre numa crise de consciência inédita e cogite tome atitudes radicais, como deixar a boa vida de lado e se endireitar de vez. Algo impensável nas tirinhas e que não convence na telona.

NOTA:

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1 Comentário »

  1. catarina ribeiro disse,

    9 de Maio de 2007 @ 05:50

    oi adoro o comentario

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