PLANO PERFEITO, O (por Gelogurte)

insideman - insideman

INSIDE MAN, EUA 2006
De Spike Lee
Com Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor, Willem Dafoe, Christopher Plummer

Pode ser que você nunca tenha assistido um filme de Spike Lee. Às vezes tenha ouvido por aí que seus filmes são muito politizados, que ele pediu ao Quentin Tarantino para parar de usar a palavra nigger nos filmes dele (o que ele encarecidamente disse que faria) ou alguma outra história politicamente correta. Realmente, Lee é politizado, você pode achar que isso influencia de forma negativa em seus filmes ou nem vai começar a acompanhar o trabalho do diretor por mera falta de paciência com seu discurso (o que, em alguns casos, vai provar que ele está certo). Então, corra para o cinema e assista O PLANO PERFEITO, sua película mais mainstream.

Não que por isso Lee se afaste de sua crítica. Nesse caso, ela é só mais bem inserida na trama do que em filmes como A ÚLTIMA NOITE e seu discurso racial/social sobre o atentado de 11 de setembro, suas causas e suas conseqüências, ou ELAS ME ODEIAM MAS ME QUEREM, com o desfalque da companhia americana de energia Enron. Enquanto nesses dois casos o filme praticamente pede um “tempo” para mostrar as pessoas na rua e imagens documentais, em O PLANO PERFEITO a crítica à corrupção em todos os níveis do poder e dinheiro e à banalização da violência entra como parte do roteiro ou mesmo como uma simpática cena entre o ladrão vivido por Clive Owen (como sempre o charme em pessoa) e um de seus reféns.

A premissa de O PLANO PERFEITO é muito simples e familiar: uma gangue liderada por Dalton Russell (Owen) toma um banco com cerca de 50 reféns. Do lado de fora, os detetives Keith Frazer (Denzel Washington) e Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor) tentam negociar a rendição dos assaltantes. Claro, há sempre um pouco mais, mas para quê entregar o jogo e revelar o porquê de Jodie Foster estar no pôster do filme ou Christopher Plummer e Willem Dafoe nos créditos?

O detetive de Washington é quase uma reprise de um personagem de filmes anteriores de Spike Lee, o agente Amos Flood, vivido por Isiah Whitlock Jr. Felizmente, ele traz seu carisma para o papel e transforma um personagem incrivelmente irritante que repetia a palavra shiiiiiiiiiiiiit a cada 30 segundos em um policial típico: durão, inteligente mas falho.

Lembra-se de AMOR À QUEIMA ROUPA? Quando Christian Slater ainda conseguia bons papéis? Uma de suas primeiras falas no filme é “I always said, if I had to fuck a guy… I mean had to, if my life depended on it… I’d fuck Elvis“. Bem, agora eu digo a mesma coisa sobre Clive Owen. Eu respiro aliviado em vê-lo em bons filmes já que tive medo da carreira dele ir pro brejo antes de começar por causa de desastres econômicos como AMOR SEM FRONTEIRAS ou REI ARTHUR (filmes fracos mas nem tão ruins assim). Ele atualmente sobe aos pulos na minha lista de “Atores Favoritos de Todos os Tempos”. Em circulação atualmente, talvez ele só perca para Daniel Day Lewis e Clint Eastwood. Gosto não é sinônimo de qualidade e por isso não se discute. Quem sabe ele não caia de posição quando Al Pacino e Robert De Niro lembrarem-se que são atores?

E por mais político que Spike Lee seja, sua direção aqui como sempre é leve, recheada de humor… mas dura e seca quando necessário. Tudo isso acompanhado de um roteiro inteligente e conciso e uma edição invejável que salta no tempo sem entregar nenhuma das boas sacadas, fazem de O PLANO PERFEITO um programão para todos os gostos.

Nota:

Gelogurte Nota 3 - Gelogurte Nota 3

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