ROCKY BALBOA (por Gelogurte)

rocky balboa - rocky balboa

ROCKY BALBOA, EUA, 2006
De Sylvester Stallone
Com Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes, Tony Burton, Antonio Tarver

Não é novidade que o Kas teve uma infância mais precoce que a minha. Enquanto ele já curtia velhas aventuras protagonizadas por Humphrey Bogart, Errol Flynn, Clint Eastwood, Steve McQueen e John Wayne, eu ainda estava curtindo as estrelas em ascensão no início dos anos oitenta. Naquela época, meu herói era Sylvester Stallone. Agora que pude conferir ROCKY BALBOA, o sexto filme da série do boxeador mais famoso do cinema, ouso dizer que Stallone ainda o é. Um sentimento que o Kas nem de perto reflete. Não dá pra explicar, você apenas sente.

ROCKY BALBOA não é um filme sobre boxe. Não é mais um capítulo de uma franquia morta para capitalizar dinheiro. É sobre Sylvester Stallone, sobre seus sentimentos em relação à família, amigos e, principalmente, sobre ele mesmo. Sobre sua volta à telona após anos no limbo das prateleiras dos filmes que vão direto pra DVD, onde os antigos action heroes vão pra morrer. Ou é isso, ou tentam a política.

Depois de anos de aposentadoria, Rocky é dono de um pequeno restaurante onde passa as noites contando aos seus clientes velhas histórias do ringue. Sua esposa Adrian está morta. Seu filho Robert anda estranhamente distante. O cunhado Paulie continua presente, sempre beberrão e acostumado ao velho emprego no abatedouro. Enquanto isso, o público vaia o atual campeão dos pesos pesados Mason Dixon, que não enfrenta adversários à altura. Até que em um programa de TV, uma simulação de computador mostra que Rocky em seu auge derrotaria Dixon facilmente, o que inicia uma campanha para que os dois se enfrentem em uma luta de exibição.

Depois de mais de vinte anos sem dirigir um filme (o úlimo foi ROCKY IV), Stallone mostra sinais de ferrugem em seu estilo de direção. Proposital? Porque até isso reflete a história que estamos assistindo. O que se passa afinal? A história de Rocky e de Stallone é a mesma: um homem que era ótimo naquilo que fazia, mesmo tal coisa sendo, para uns, tão tola e vazia, quer mostrar que ele ainda pode ser bom. Que ele ainda tem magia. Ainda tem uma fera dentro dele (ou uma história) que precisa ser libertada. Que ele precisa provar, não apenas para ele mas para o mundo, que está vivo. Que ele ainda aguenta uns socos e que a vida não vai deixá-lo de joelhos. Que não é o quão forte você sabe bater, mas o quanto consegue apanhar e continuar em frente.

Tudo reflete a árdua caminhada que o ator teve para conseguir levar o projeto à frente. Enquanto as pessoas riram e achavam ridículo a idéia de fazer um famigerado “Rocky VI”, ele continuou lutando. Pediu autorização aos amigos para usar imagens dos outros filmes para flashbacks. Fez um filme barato para a atual indústria americana (US$ 24 milhões). Apostou. Venceu. Só nos EUA, o filme já ultrapassa os US$ 70 milhões. Já fez mais US$ 60 milhões mundialmente. Não, Rocky não morreu. Nem Stallone. Quando Robert diz “Você não tem mais nada pra provar, pai”, a resposta não poderia ser mais apropriada: “Não, garoto, eu tenho que ir até o fim”. Velho, enferrujado, sem agilidade… a solução é tornar-se uma máquina de bater. Que cada soco desferido no adversário sinta como “se ele tivesse tentado beijar um trem”. Aqui estou eu, dando a minha cara à tapa (ou socos) para que você saiba que eu ainda existo e que ainda estou lutando.

Verdade, tecnicamente, falta algo. A luta final, por exemplo, não tem aquela classe dos filmes anteriores. Por mais que seja uma decisão estética tentar passar a sensação de que estamos vendo uma luta de verdade através do uso de câmera digital, falta à ela aquela qualidade “larger than life” que vemos, por exemplo, na luta contra Ivan Drago em ROCKY IV (meu preferido da série). Algumas pessoas podem achar datado mas eu ainda queria que a música se tornasse ensurdecedora, que a montagem fosse mais épica.

ROCKY BALBOA é uma vitória, não só para Stallone, mas para o público. É quase palpável o sentimento que ele passa ao espectador, a gratidão, o carinho, de que sem o público para acreditar nele, em seu filme, a vida dele não teria muito sentido. Óbvio, tudo aquilo foi filmado antes, não havia como prever que o filme seria um sucesso. Mas para Stallone isso parece não importar. Se duas pessoas fossem conferir o filme, àquelas duas pessoas ele teria agradecido da mesma forma.

Não é e nem será um daqueles filmes que entram na lista de melhores do ano. Mas entra na minha de favoritos. Por quê? Não dá pra explicar, você apenas sente.

Nota: bom 1 - bom 1

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3 Comentários »

  1. André Luiz disse,

    31 de Março de 2007 @ 14:54

    Realmente, Rocky Balboa ( assim como todos os filmes da série Rocky e também do Stallone) é excelente. Sylvester Stallone volta com força total. Desejo toda a sorte do mundo para o Sylvester, como Fã e admirador, desse que é um dos maiores atores de filmes de ação de todos os tempos.

  2. Willian Dias disse,

    10 de Abril de 2007 @ 18:38

    Rocky não é apenas um filme excelente de boxe,mas também é um filme que passa uma lição de moral muito importante que foi citada a cima…e que nenhum filme de boxe vai superar seus atores e seu ator principal SYLVESTER STALLONE

  3. Adriana Fernandes disse,

    20 de Novembro de 2007 @ 14:51

    Sem comentários… com certeza o melhor!!!!
    Valeu Stallone!!!

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