SHREK TERCEIRO (por Kas)

SHREK THE THIRD, EUA, 2007
De Chris Miller e Raman Hui
Com as vozes de Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Rupert Everett, Larry King, Ian McShane, Amy Sedaris, Justin Timberlake
O sucesso da série SHREK é explicado por sua própria concepção: temos uma estrutura narrativa presente nas clássicas animações dos Estúdios Disney filtrada pela sensibilidade (!?) presente nas paródias estilo TODO MUNDO EM PÂNICO e comédias adolescentes como AMERICAN PIE. E tem-se assim um produto adequado às cínicas platéias modernas de todas as idades.
Falta de criatividade e profundo mau gosto? Sim, com certeza. Mas nada disso impede que os filmes da série do ogro estejam entre as maiores bilheterias do cinema atual. Isso, porém, depõe menos contra os filmes do que contra o gosto do público contemporâneo. É até interessante que, quanto mais a série avança, mais convencional esta fica, e mais parecida com as produções que procura ridicularizar. SHREK TERCEIRO é assim o filme da série que melhor respeita a fórmula popularizada pela Disney. Claro que o humor infame e as referências cinematográficas se fazem presente, mas não tomam o centro da trama como aconteceu principalmente no primeiro filme (que, exatamente por isso, é do qual eu gosto menos). É também o primeiro filme da série sem a batuta de Andrew Adamson, que abandonou o reino de Tão Tão Distante e debandou para a terra de Narnia.
Aqui o ogro (na versão legendada, ainda com voz de Mike Myers) deve procurar o jovem Arthur – ou Artie, como gosta de ser chamado – para que este assuma a coroa deixada pelo pai da Princesa Fiona (voz de Cameron Diaz). De outra forma, tal responsabilidade cairá sobre os ombros do próprio Shrek, e responsabilidade é tudo que ele não quer na vida. Não ajuda então Fiona anunciar que está grávida, o que causa verdadeiro pânico no futuro papai.
Paternidade e responsabilidade são os temas predominantes neste terceiro tomo das aventuras do personagem. Ajudado mais uma vez pelo Gato de Botas (voz de Antonio Banderas, ainda a melhor coisa da série) e pelo Burro (voz de Eddie Murphy, sem o mesmo entusiasmo de antes), Shrek descobre que Artie é um adolescente abandonado pelo pai ainda criança, e que cresce esnobado pelos colegas e pelas garotas, entre elas Guinevere, de sua escola. Ao mesmo tempo em que tem de aceitar o fardo de constituir uma família, Shrek acaba por assumir o papel de figura paterna para Artie, já que sua segunda opção, o mago Merlim, virou um guru hiponga da nova era. Enquanto isso, o Príncipe Encantado lidera todos os vilões de contos de fadas em um golpe de estado, tomando para si a coroa.
Mesmo assumindo um tom mais contido, SHREK TERCEIRO não deixa de disparar seu recital de referências e piadas fílmicas. Mas até onde a criançada e mesmo o público jovem atual vai perceber citações a clássicos como O BEBÊ DE ROSEMARY, O EXORCISTA, UMA CILADA PARA ROGER RABBIT e STEAMBOAT BILL JR. de Buster Keaton? Será que o repertório pop atual já está se esgotando? Não faltam também os gases e fluidos corporais presentes também nos outros filmes, e que fazem a festa dos menores (tanto em idade física quanto mental).
Nota: **
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1 Comentário »
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A GALÁXIA » LÁ VEM ELE DE NOVO… disse,
19 de Junho de 2007 @ 16:18
[…] É difícil até fazer piada sobre um filme como SHREK TERCEIRO. Não só por não ter achado a menor graça no primeiro filme, ou nem ter tido coragem de ver o segundo. Mas porque o próprio protagonista é talvez o ser mais feio e sem graça da minha breve história cinematográfica. Mas se as crianças gostam… quem sou eu pra condenar a ganância da Dreamworks? Não condeno nem o Kas por ter assistido e ainda feito a resenha. Confira! […]