* SPEED RACER (por Katchiannya)

De Andy Wachowski e Larry Wachowski
Com Emile Hirsch, Matthew Fox, Christina Ricci, Paulie Litt, John Goodman, Susan Sarandon, Kick Gurry, Roger Allam.
Confesso que me bateu um certo desânimo em assistir a SPEED RACER. A principal razão era saber que Andy e Larry Wachowski eram os responsáveis pelo roteiro e pela direção do filme. Embora eu tenha gostado muito do primeiro MATRIX e goste de algumas coisas de ANIMATRIX, me decepcionei em demasia com MATRIX RELOADED e MATRIX REVOLUTIONS. Desse modo, encarei a adaptação do anime com o pé atrás.
Embora eles tenham produzido e roteirizado V DE VINGANÇA, SPEED RACER é o primeiro filme que dirigem desde a trilogia MATRIX (e, antes que me perguntem, eu ainda não vi V DE VINGANÇA, em parte por falta de tempo, outra por falta de coragem, mas agora, pretendo me arriscar).
Para a minha grande surpresa, gostei do que vi. Minhas expectativas não eram das melhores, mas, me vi realmente apreciando o filme. O começo derrapa, mas depois, a marcha engrena e o filme acelera.
A história mantém o cerne básico do anime: Speed Racer (Emile Hirsch) é um jovem e promissor corredor cujo irmão mais velho, Rex, depois de brigar com o pai (John Goodman), morre em um acidente de carro. Depois do ocorrido, Speed, cujo talento nato para a corrida se revela desde criança, decide se tornar o melhor piloto do mundo, tanto para honrar o irmão falecido, quanto para trazer orgulho à sua família.
Assim como na versão animada, o ponto de apoio de Speed é sua família, que também vem a ser a sua equipe. A Racer Motors é a empresa familiar independente que se vê diante das mega-coorporações que dominam - de forma por vezes inescrupulosas - o mundo das corridas.
Segundo um amigo, esse tema (a estrutura familiar X grande capital e o valor do empreendimento do homem comum diante da ganância desmedida) é recorrente no cinema americano desde os anos 30 e 40, especialmente no trabalho do diretor americano Frank Capra. Coincidência ou não, essa temática esteve em alta justamente nos anos da Grande Depressão, e, atualmente, os Estados Unidos se vêem diante de uma forte recessão.
Elucubrações a parte, essa oposição é reforçada de maneira inteligente, embora, para o espectador mais atento, seja relativamente óbvia, em uma seqüência que alternam as imagens da festa da mega empresa “inimiga” de Speed e sua família com imagens da Mamãe Racer (Susan Sarandon) preparando sanduíches de geléia e pasta de amendoim para a família, enquanto estes trabalham na oficina.
Portanto, o primeiro grande acerto dos Wachowski foi perceber que a base da história de Speed está principalmente em sua família. Com isso, escolheram o elenco a dedo, sendo felizes nas suas decisões. Os atores que vivem Pops e Mamãe Racer, Gorducho (Paulie Litt), o irmão caçula de Speed, o mecânico-quase família Sparky (Kick Gurry), e Trixie (Christina Ricci), a namorada do piloto não ficaram apenas idênticos visualmente aos personagens do desenhos, mas conseguiram encarná-los por completo. Emile Hirsch também se sai bem como Speed, equilibrando o idealismo e a audácia que são as características mais marcantes do herói. Mesmo Matthew Fox, como o misterioso Corredor X, se saí bem, embora, ás vezes seja difícil esquecer que ele é o “certinho” Jack Shephard da série LOST.
O segundo grande acerto foram permitir SPEED RACER ser exatamente o que ele é: uma produção pop, uma história simples, sem reflexões filosóficas herméticas e dramas pseudo-existencialistas que não caberiam naquele contexto.
SPEED RACER é pop até o último parafuso do Mach 5. Eles deixam claro nas cores, nos objetos cênicos, no figurinos e penteados - que misturam um clima nostálgico dos anos 60 (quando foi produzido originalmente o anime) com um ar de “futuro” (embora seja um que lembra muito os filmes de ficção dos anos 60).
As cores sem muita gradações, estouradas em alguns momentos, os vilões caricatos (como também eram no desenho), entre outras coisas, dão um ar cartoonesco ao filme, o que invariavelmente acaba nos remetendo a outra adaptação, inspirada nos quadrinhos, DICK TRACY.
Contudo, essas mesmas cores acabam prejudicando o filme, especialmente o seu início. O filme é “colorido demais”, o que às vezes o torna cansativo e faz com que o espectador perca, no meio daquele emaranhado de estímulos, os detalhes que realmente importam.
Como disse, prejudica especialmente seu início por se este ser enfocado principalmente na família de Speed e no passado deste, onde a atuação dos atores pede mais destaque que o cenário à sua volta.
Essas seqüências pediam uma direção de arte mais enxuta, não apenas pela questão supramencionada das atuações, mas também por perderem uma grande oportunidade de utilizar esse recurso sinestésico como mote amplificador das emoções que demandam as cenas de corrida.
Falando nas cenas de corrida, elas empolgam. Embora eu não conseguisse parar de pensar que as pistas lembravam versões colossais das pistas de Hot Wheels (aliás, se eu não me engano, já tem realmente versões Hot Wheels das pistas do filme sendo vendidas).
Paradoxalmente, a corrida mais empolgante - ou pelo menos a que faz o filme realmente engrenar - é aquela que mais se aproxima das corridas originais do anime: a do rally através do deserto e das montanhas.
O filme se estende em demasia em algumas seqüências, acerta em outras - a seqüência de abertura mostrando Speed se preparando para uma corrida, batendo o pé de ansiedade, cortando para o Speed menino, também batendo pé me contigüidade visual, criando uma ligação forte entre aqueles dois momentos da vida do personagem é um exemplo desses acertos. Outro ponto a se destacar é a forma como a trilha sonora original do anime foi inserida de forma discreta, porém marcante durante todo o filme.
Não acredito que essa adaptação vá se tornar um clássico do cinema como o anime no qual se baseou se tornou na história da televisão, contudo, o filme cumpre a que veio de forma competente. Enfim, entre feridos, carros capotados e explosões, acho que SPEED RACER conseguiu cruzar bem a linha de chegada.
Nota: ***
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A GALÁXIA » GO EMILE HIRSCH GO! disse,
12 de Maio de 2008 @ 12:15
[…] […]