TRANSFORMERS (por Gelogurte)

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TRANSFORMERS, EUA, 2007
De Michael Bay
Com Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, Jon Voight, John Turturro, Michael O’Neill, Kevin Dunn, Peter Cullen, Julie White, Bryan Cox, Amaury Nolasco, Mark Ryan, Hugo Weaving

Já vou me preparando para ouvir xingamentos e acusações, mas pelo menos sei que não vou estar sozinho nessa. TRANSFORMERS é, adaptando o antigo slogan, “less… much less than meets the eye“.

Em 2004 os estúdios de Hollywood travaram uma verdadeira batalha pelos direitos da adaptação cinematográfica de TRANSFORMERS, aqueles carrinhos que se transformavam em robôs… ou era o contrário? Na época de seu lançamento, a Hasbro, fabricante dos bonecos, encomendou séries em desenho animado e revistas em quadrinhos para impulsionar suas vendas. Tal estratégia não era inédita e foi muito usada nos anos 80, inclusive pela Marvel Comics, que para lançar uma linha de bonecos baseados em seus personagens, publicou a mini-série SECRET WARS. Mas naquele tempo eram os brinquedos que derivavam de seriados, filmes e gibis de sucesso.

Tal batalha acabou tendo como vencedor o uber diretor e produtor Steven Spielberg e seu estúdio Dreamworks SKG. Baseado em seu currículo, não havia nada a temer. Até as rédeas caírem nas garras de Michael Bay, talvez um dos piores (e infelizmente mais lucrativos) diretores da atualidade, responsável por bombas como ARMAGEDDON, BAD BOYS e PEARL HARBOR. Não que TRANSFORMERS fosse uma grande idéia desperdiçada nas mãos de Bay, pelo contrário, o conceito é bem fraco e isso fica ainda mais evidente ao ver o filme. Mas com um sucesso certeiro como esse nas mãos, mesmo após o fracasso de A ILHA e as constantes críticas de quem já teve que trabalhar com ele, a carreira de Bay vai de vento em popa. O que chega a estranhar, já que este é conhecido por ser uma verdadeira prima dona, que trata seus atores e equipe aos berros e ainda estoura orçamentos e prazos como ninguém. Por sorte, como produtor executivo, lá está Spielberg, um dos mais economicamente eficientes diretores de todos os tempos. No fim, o estouro do orçamento foi, de acordo com a diva, de “apenas” US$ 5 milhões além dos US$ 145 milhões disponibilizados. Pouco para os padrões americanos, principalmente se considerarmos os absurdos orçamentos de outros blockbusters deste ano como HOMEM-ARANHA 3(US$ 258 milhões) e PIRATAS DO CARIBE: NO FIM DO MUNDO (US$ 300 milhões), mas mais do que suficiente para bancar a mais cara produção brasileira. Principalmente considerando que em TRANSFORMERS os verdadeiros astros são os efeitos visuais e não os atores.

Mesmo sem um elenco estelar, o filme é muito bem defendido pelo carisma de seu “protagonista” Shia LaBeouf, mesmo em um papel ingrato, que cativa ao ponto de já ter sido escolhido pelo próprio Spielberg como o filho do arqueólogo Indiana Jones em sua próxima aventura, cujas filmagens já começaram. Infelizmente, ele é dos poucos. A bela Megan Fox é tão maquiada e inexperiente que quase se torna um efeito especial. O mesmo acontece com outra beldade, Rachael Taylor, uma hacker com aparência de cheerleader (tão crível!) cujo sotaque torna cada cena em que aparece insuportável. É uma pena que Josh Duhamel, aqui um soldado boa praça, tenha ficado para escanteio (o roteiro original concentrava-se em seu personagem, que acabou perdendo espaço durante as filmagens para a simpatia de LaBeouf). Além disso, por que todo coadjuvante dos filmes de Bay têm que ser ou um alívio cômico ou um malvadão? Ou pior, os dois? Pobre John Turturro

A premissa de TRANSFORMERS é bem simples: dois grupos do planeta Cybertron, os Autobots (os bonzinhos) e os Decepticons (que querem destruir a humanidade), lutam para recuperar um cubo chamado All Spark, que tem o poder de transformar qualquer máquina em um robô (também malvado, o porquê ninguém explica). Tal cubo caiu na Terra anos atrás e a única pista para encontrá-lo está nas mãos do adolescente Sam Witwicky, que não faz idéia de tal fato. Por que os Decepticons querem destruir a humanidade? Porque sim. Por que os Autobots a defendem? Porque sim. Parece infantil… e é. Mas é também bem verdade que não se deve esperar muito de um filme baseado em uma linha de bonecos (ou carrinhos?), menos ainda de Michael Bay.

Por sorte ou por dinheiro ou por Spielberg ser chapa de George Lucas, Bay pôde contar com os efeitos visuais da Industrial Light and Magic, a ainda soberana empresa de efeitos especiais em Hollywood. E estes funcionam. É no design que mora o perigo, já que os únicos robôs realmente reconhecíveis durante todo o filme são os coloridos Optimus Prime, líder dos Autobots, e Bumblebee, o Camaro amarelo de Sam. Durante as confusas cenas de ação, os robôs tornam-se apenas um amontoado de máquinas. Felizmente, a presença humana na batalha final faz bem ao ritmo e integração.

Michael Bay continua dirigindo filmes como um estenso comercial, principalmente no caso deste “longuíssima” de 143 minutos cuja narrativa é péssima, como sempre. Sua direção parece ser inspirada no título de um filme de Brett Ratner, AFTER THE SUNSET, já que todas as tomadas são feitas com o sol se pondo ao fundo. Se não assim, sempre com um foco de luz e nunca uma simples iluminação ambiente. Além disso, já está inclusive se tornando repetitivo. A tomada final é copiada da breguíssima cena do piquenique de Ben Affleck e Liv Tyler em ARMAGEDDON, a do porta-aviões de PEARL HARBOR (dizem as más línguas que é exatamente a mesma, com efeitos adicionados) e o prédio onde ocorre o clímax do filme é bem similar, se não o mesmo, do final de A ILHA. Coincidência?

Nota: ruim - ruim

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » QUEM VIRA O QUÊ MESMO? disse,

    23 de Julho de 2007 @ 12:36

    […] São robôs que viram carros? Ou o contrário? E isso lá importa em um filme de Michael “pior-diretor-do-mundo” Bay? Sinônimo de entretenimento burro, me deixa triste com a crítica “especializada” quando dizem que “a proposta do filme é apenas divertir” ou “desligue o cérebro e curta”. Então pra quê temos tantos diretores fodas fazendo filmes altamente divertidos sem precisar chamar o espectador de idiota? Como diria meu tio: “você merece o que você tolera”. Eu não tolero o Bay. E você? Clique para conferir a minha resenha, ou então, confira a resenha do Kas que, felizmente, divide a minha dor. […]

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