TRANSFORMERS (por Kas)

transformers 1 - transformers 1

EUA, 2007
De Michael Bay
Com Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, Jon Voight, John Turturro, Michael O’Neill, Kevin Dunn, Peter Cullen, Julie White, Bryan Cox, Amaury Nolasco, Mark Ryan, Hugo Weaving

Até que faz sentido a escolha de Michael Bay para comandar TRANSFORMERS, a adaptação para o cinema dos famosos brinquedos da Hasbro, que virou febre na década de 80 e ameaça fazer o mesmo agora, na esteira do longa. Poucos cineastas filmam máquinas (principalmente de guerra) com tanta pompa e circunstância quanto ele. Bay ama as máquinas, mais do que ama a humanidade. A forma como ele registra carros, aviões, astronaves, armas de fogo e mísseis beira a pornografia tecnológica. Algo coerente com um filme sobre robôs intergalácticos que assumem a forma de automóveis quando aportam na Terra.

Trata-se de uma raça alienígena que se dividiu em duas facções – Autobots e Decepticons, que poderiam ser simplesmente Bons e Maus – e que vem para nosso planeta em busca de um cubo que tem poder de dar vida para objetos inanimados, tornando-se assim imprescindível para o resultado do conflito. O lado humano da trama fica a cargo de Sam Witwicky (Shia LaBeouf, que traz um pouco de simpatia para um papel ridículo e irritante), um adolescente prestes a ganhar seu primeiro carro, algo que fica claro desejar mais do que conquistar sua musa na escola (a bonitinha mas ordinária Megan Fox).

O motivo dos robôs escolherem os carros como disfarce é pelo fato destes seres metamórficos assumirem a forma do primeiro objeto ou ser que encontram. Quem sofre com os cada vez mais constantes congestionamentos (ou seja, todo mundo) entende bem essa equação. Aí poderia entrar um comentário interessante sobre a relação homem-automóvel, caso Bay fosse um diretor inteligente (o que não é). Como Cronenberg fez em CRASH, onde explorou ao extremo essa relação. Só que Bay está mais interessado no som e na fúria que uma batalha entre máquinas gigantescas pode causar, e não num possível sentido sociológico. Estas são filmadas com evidente inspiração nos jogos de futebol americano, com lances tirados diretamente dos melhores momentos do Superbowl.

Bay, um ex-realizador de videoclipes e vídeos publicitários, fincou o pé em Hollywood com seu estilo megalomaníaco e auto-centrado, com excesso de cortes, sons, luzes e tudo mais que puder lançar mão para atingir o espectador, de forma a este ignorar as inúmeras falhas de narrativa e caracterização cometidas pelo sujeito. Em TRANSFORMERS, talvez por influência do produtor Spielberg, a câmera do diretor está um pouco mais contida, sem tremer tanto a ponto de inutilizar qualquer tentativa de compreensão da ação que acontece na tela. Mas não quer dizer que subitamente Bay tenha aprendido seu ofício. O sujeito continua despejando os elementos fílmicos no quadro sem a menor sutileza ou rigor. Cada plano parece criado para extrair o máximo de impacto. Só que esse método tem um revés, já que lá pelas tantas o espectador já está anestesiado demais para se envolver com a trama e personagens.

Para um longa que nasce a partir da indústria de brinquedos e que para ela destina retornar, o estilo de comercial de jeans de Bay cai como uma luva. Mas para quem busca algo mais do que decibéis e efeitos digitais, algo mais humano talvez, melhor procurar em uma concessionária.

Nota: *

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1 Comentário »

  1. A GALÁXIA » QUEM VIRA O QUÊ MESMO? disse,

    23 de Julho de 2007 @ 12:38

    […] São robôs que viram carros? Ou o contrário? E isso lá importa em um filme de Michael “pior-diretor-do-mundo” Bay? Sinônimo de entretenimento burro, que me deixa triste quando ouço comentários como “a proposta do filme é apenas divertir” ou “desligue o cérebro e curta”. Se for pensar assim, qualquer filme é bom! Então pra quê temos tantos diretores fodas fazendo filmes altamente divertidos sem precisar chamar o espectador de idiota? Como diria meu tio: “você merece o que você tolera”. Eu não tolero o Bay. E você? Clique para conferir a minha resenha, ou então, confira a resenha do Kas que, felizmente, divide a minha dor. […]

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