TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO (por Gelogurte)

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OCEAN’S THIRTEEN, EUA, 2007
De Steven Soderbergh
Com George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Ellen Barkin, Al Pacino, Bernie Mac, Casey Affleck, Scott Caan, Elliott Gould, Andy Garcia, Don Cheadle, Shaobo Qin, Don Cheadle, Eddie Jemison, Scott L. Schwartz, Carl Reiner

Unir uma trupe como essa não seria tarefa fácil se não se tratasse de uma turma de chapas trabalhando com um diretor respeitado (até um pouco demais) em uma franquia de sucesso. Claro, as representantes do sexo feminino, Julia Roberts e Catherine Zeta Jones, não dão as caras nesse episódio, mas a falta delas não é sentida. Principalmente a de Roberts, um erro de casting justificado apenas por também ser ela “um dos rapazes”.

Ao roteiro falta sim um pouco de originalidade. Afinal, a franquia OCEAN’S não segue o atual padrão hollywoodiano de fazer uma história dividida em capítulos. A vantagem é que as portas nunca se fecham para um 14, 15, 16 Homens e seus diversos segredos…

Depois de serem recebidos com o nariz torcido pela crítica e público pelo tom de brincadeira e camaradagem da primeira continuação, Steven Soderbergh & Cia voltam um pouco à fórmula do primeiro filme, concentrando-se mais no assalto mirabolante do que na relação entre os personagens. Claro, essa não foi totalmente deixada de lado, principalmente nas deliciosas conversas entre George Clooney e Brad Pitt, que passam até mesmo uma sensação de improviso, ou na obsessão de Matt Damon em ter uma participação maior no grande plano.

Um tema recorrente em toda a série é a vingança. Em um primeiro momento, a vingança de Danny Ocean sobre Terry Benedict (Andy Garcia), por ser o novo namorado de sua esposa. No segundo, a vingança de Benedict sobre o bando que assaltou seus cassinos. Agora, um novo oponente se apresenta na forma de Willy Bank, vivido por um bronzeado e acomodado Al Pacino, que acaba causando um ataque cardíaco em Reuben (Elliot Gould) ao trapaceá-lo na construção de seu novo hotel. Conseqüentemente, a gangue está toda de volta para um esquema que não só vai encher seus bolsos de dinheiro, mas também destruir Bank financeiramente.

É bom ver que Soderbergh consegue usar um tema como a vingança, que remete sempre ao lado mais obscuro da alma humana para fazer filmes leves e divertidos. Não que isso tire qualquer mérito de filmes como VINGANÇA FINAL de Mike Hodges, que também abordou o assunto há mais de três décadas em CARTER - O VINGADOR, ou DEAD MAN’S SHOES de Shane Meadows, uma pequena pérola que infelizmente ainda não foi lançada no Brasil. Talvez a vingança seja a maior catarse. Ao ver o vilão, que normalmente começa com a bola por cima, levar a pior no final, o espectador se sente vingado junto com o herói. Seja do chefe chato, da esposa rabugenta, do marido vagabundo, do namorado mão-de-vaca, da namorada frígida, do irmão neonazista ou simplesmente do vizinho que ouve axé no último volume às três da manhã. E quando tal herói pode contar com a simpatia de um elenco desses, tudo fica mais fácil.

Exemplos para isso no cinema americano são infindáveis. Um ótimo e relativamente atual é o insosso LIMITE VERTICAL de Martin Campbell, cujo nome eu mal consigo pronunciar sem babar ao lembrar do estupendo 007 – CASSINO ROYALE. Robin Tunney, Bill Paxton e mais meia dúzia de alpinistas são pegos em uma avalanche ao escalar o K2. Cabe a Chris O’Donnell (um filme insosso precisa de um protagonista ainda mais sem graça), irmão da moça, salvar os sobreviventes (apenas Tunney e Paxton, o vilão de plantão). Para tal tarefa ele reúne uma equipe de mais cinco escaladores, sendo que ao final do filme quatro deles irão morrer, além do vilão que ele supostamente deveria salvar. Matematicamente falando, são pelo menos quatro mortos na avalanche, mais quatro mortos da equipe de resgate, mais a morte de um dos sobreviventes. Nove no total. Mas como nos sentimos bem ao ver Paxton punido e O’Donnell e Tunney fazendo as pazes, não? Esqueci de mencionar que a bela Izabella Scorupco, parte da equipe de resgate e futuro interesse amoroso de O’Donnell, também sobrevive?

De volta a 13 HOMENS E UM NOVO SEGREDO, a regra deve ser a mesma. De forma cômica, claro, com até um toque de finesse. Afinal, quem quer ver o herói perder no final? Se morrer, que morra no fim e de forma gloriosa (como insistiu Sylvester Stallone, sem êxito, para que ocorresse em DAYLIGHT).

Então 13 HOMENS é formuláico, o roteiro não é novidade, a direção de Soderbergh é eficiente mas sem novidades… o que sobra? Os elementos que funcionam nos filmes anteriores. A química entre as personagens, os bons diálogos, as atuações tranqüilas e que estão sempre brincando com o espectador sem abusar de sua boa vontade. Talvez não seja tão bem sucedido quanto 12 HOMENS, ou até mesmo seu antecessor, mas é uma boa diversão para um fim de semana chuvoso.

Nota: regular - regular

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