TUDO POR DINHEIRO (por Kas)

TWO FOR THE MONEY, EUA, 2006
de D.J. Caruso
com Matthew McConaughey, Al Pacino, Rene Russo, Jeremy Piven
Dá pra imaginar os olhos tilintando dos executivos que aprovaram o roteiro de TUDO POR DINHEIRO, ao somarem as rendas de dois sucessos de Al Pacino – UM DOMINGO QUALQUER e ADVOGADO DO DIABO – imaginando que um projeto que juntasse a trama de um com o universo de outro resultaria em um amálgama também nas bilheterias. Ledo engano. O roteiro praticamente reedita a trajetória do segundo: um jovem promissor é contratado por uma grande firma de Nova York e praticamente vende a alma ao diabo (no caso, feito pelo mesmo Pacino) em troca de grana, mulheres e sucesso, antes de se arrepender e voltar à suas origens em busca de redenção. Troque a advocacia pela jogatina e temos TUDO POR DINHEIRO.
Matthew McConaughey faz Brandon Lang, um talentoso analista de futebol americano que chama a atenção da firma de Walter Abrams (Pacino) por sua extrema eficiência em acertar os palpites sobre os vencedores dos jogos, o que o torna peça valiosa em um mercado especializado em capitalizar em cima da sorte alheia. “Apostas são ilegais em vários estados, incluindo este. Mas o que fazemos está perfeitamente dentro da lei“, avisa Abrams, um ex-viciado em jogo que não hesita em visitar grupos de auto-ajuda para arrebanhar mais clientes. Lang, por sua vez, pode ser implacável em adivinhar resultados de jogos, mas é um mistério como não consegue prever onde sua despersonalização movida à ambição irá levá-lo, algo que fica claro para o espectador desde o primeiro ato.
O diretor D.J. Caruso, com longa carreira na TV e curta no cinema, contribui para a anemia generalizada, que se abate até mesmo sobre Al Pacino, que dá mostras claras de cansaço criativo. Pelo menos o astro tem coragem de ousar o suficiente ao carregar nas tintas homossexuais de seu personagem, algo que não devia estar exatamente previsto no roteiro. E são de sua boca que saem citações a REDE DE INTRIGAS e TOURO INDOMÁVEL, lembranças de uma época em que os filmes voltados para o público adulto eram cinematográfica e tematicamente mais maduros. Já Rene Russo (também produtora), que faz a esposa de Pacino, deveria processar seu cirurgião plástico. E McConaughey prova que não será reconhecido como ator sério tão cedo, a julgar por suas escolhas artísticas. Pode apostar nisso.
nota:

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1 Comentário »
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pablito disse,
6 de Agosto de 2007 @ 16:30
Olá,
Concordo com a crítica. Assisti a esse filme no começo de 2007 e não fiquei impressionado. Nem a presença do Al Pacino salva esse longa da insignificância.
Simplesmente ruim…
Pablito.