X-MEN - O CONFRONTO FINAL (por Gelogurte)
X-MEN: THE LAST STAND, EUA, 2006
De Brett Ratner
Com Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, James Marsden, Shawn Ashmore, Aaron Stanford, Vinnie Jones, Patrick Stewart, Ben Foster, Ellen Page, Shohreh Aghdashloo, Daniel Cudmore
Se um filme um dia pôde ser definido em uma única palavra, tal filme é X-MEN: O CONFRONTO FINAL e a palavra é: pressa. Não que o filme tenha informações demais em relativamente curtos 104 minutos, mas tudo que está na tela parece feito para ontem.
A conclusão da trilogia X-MEN, assim como seus predecessores, seria dirigida por Bryan Singer, até que este resolveu fazer SUPERMAN: O RETORNO para a Warner Bros. Na época, Singer declarava publicamente que ainda tinha todo o interesse em voltar a dirigir os mutantes da Marvel, logo após seu compromisso com o Homem-de-Aço. Mas Tom Rothman, diretor da Fox, recusava-se a esperar. Queria uma de suas franquias de super-herói para o verão de 2006. DEMOLIDOR 2 não fazia, e nem faz, parte dos planos. A LIGA EXTRAORDINÁRIA não rendeu o suficiente para garantir uma continuação. ELEKTRA então nem se fala. QUARTETO FANTÁSTICO acabava de ganhar sua adaptação cinematográfica. Então dane-se Singer, está na hora de mais um X-MEN.
Em um ano, tempo curto para uma empreitada dessa magnitude, o filme saiu do nada para uma estréia mundial em 26 de maio. Primeiro seria dirigido por Matthew Vaughn, recém saído do elogiado NEM TUDO É O QUE PARECE. Quando a estréia foi oficializada pelo estúdio, Vaughn viu que não teria como realizá-lo em um prazo tão curto e abandonou a pré-produção. A resposta? Brett Ratner, um diretor inexpressivo com alguns sucessos no currículo e que acabara de ter o projeto de seus sonhos, um novo filme do Superman, cancelado com a chegada de um conceito totalmente novo criado por… Bryan Singer. Coincidência?
O problema é que um filme feito às pressas é muito mais caro do que o convencional. Os atores renegociam seus contratos para abrir espaço na agenda, as casas de efeitos visuais precisam investir em pessoal e equipamento. O resultado é que este X-MEN, após estourar seu orçamento várias vezes, custou cerca de US$ 200 milhões de acordo com o The Wall Street Journal. Mais do que os dois primeiros filmes combinados.
Para um filme deste preço, não se vê o dinheiro. X-MEN: O CONFRONTO FINAL é feio, tem efeitos visuais sofríveis e cenas de ação mal filmadas. É um filme mal planejado, onde todos os cenários parecem falsos e pequenos. As cenas que deveriam ser impressionantes nunca são filmadas em larga escala, apenas em pequenos pontos que interessam ao olho destreinado.
A sorte de Brett Ratner é que este já tem todo o desenvolvimento realizado nos filmes anteriores. Os personagens, com algumas adições de luxo insignificantes para a história, foram todos apresentados nos filmes anteriores e a história é uma continuação imediata de X-MEN 2. Os mutantes encontram-se na Mansão X, vivendo um dia após o outro após o sacrifício de Jean Grey. Uma empresa de medicamentos anuncia ter descoberto uma cura para o gene mutante, o que deixa os portadores em polvorosa. Enquanto o Professor Xavier e seus pupilos tentam lidar com a situação com a ajuda de Hank “Fera” McCoy, o mutante assessor do presidente, Magneto e sua trupe acreditam que os humanos os forçarão a ser “curados” e se rebelam. Uma história simples e concisa que aproveita vários elementos dos quadrinhos. O verdadeiro problema começa quando Ciclope, ainda sem conseguir lidar com a perda, começa a ouvir a voz de sua falecida amada e resolve investigar. É aí que está o trunfo e a sinuca de bico da história.
X-MEN: O CONFRONTO FINAL se beneficia de uma sensação de “tudo pode acontecer” quando personagens importantes começam a morrer ou perder seus poderes. Para os fãs dos quadrinhos ou mesmo dos filmes, tal destino parecerá absurdo. A sensação será mais desrespeitosa do que tensa. Para os simplesmente interessados em divertimento, fica o temor pela vida de todo e qualquer personagem durante a projeção, o que colabora muito para que o filme funcione. Não é à toa que a Fox já anunciou que esse será o último capítulo da franquia. Em termos, já que um filme solo de Wolverine, escrito por David Benioff e produzido pelo próprio Hugh Jackman, já está em andamento. Outro baseado nas origens de Magneto também está nos planos do estúdio.
Particularmente, nunca fui muito fã da franquia X-MEN. Acho os dois primeiros filmes bons mas que certamente têm problemas e este segue a mesma linha. É um desfecho à altura do resto da série, pecando em todos os pontos que os outros filmes tinham acertado. Mas felizmente acerta em outros.
O problema é mesmo a tal da pressa. O roteiro contém cenas grandiosas, inéditas ainda na franquia. Mas como não houve tempo suficiente para o desenvolvimento de cenários e efeitos visuais mais elaborados, tudo parece falso. A tão esperada Sala de Perigo, por exemplo, onde os mutantes praticam em batalhas virtuais em um ambiente aparentemente infinito, nunca parece ser maior que apenas uma sala. O Sentinela, um robô gigante que caça mutantes e teve que ser excluído na última hora do roteiro de X-MEN 2 por cortes de orçamento, tem uma participação pobre e a única parte de sua fisionomia mostrada é sua cabeça, que lembra um daqueles robôs de plástico que se compra em lojas de contrabando.
A grande batalha final é filmada personagem por personagem, sem uma grande sensação de conjunto. Personagens se enfrentando um a um, sem trabalho de equipe, quando há literalmente centenas de mutantes em conflito. A ilha de Alcatraz é tão especificamente filmada que parece ínfima. O visual de Colossus, o grandalhão de aço que teve uma pequena ponta no segundo filme, parece saído de uma ficção barata feita para a televisão na década passada. Por mais que Wolverine seja mostrado em ação, ele nunca parece tão selvagem quanto nos filmes de Singer já que os cortes são rápidos e as lutas pouco elaboradas. Nos saltos do Fera, o wire work (técnica onde os atores são suspensos por fios) é tão visível que lembra aqueles velhos filmes de kung fu. Ou mesmo SUPERMAN IV. Toda essa pressa faz com que o filme torne-se meio vazio. Quando o mutante alado Anjo tem suas cenas de vôo, elas não impressionam pois são mostradas do ponto de vista de quem o vê, e não de alguém que pode voar.
Apesar de tudo isso, Ratner ainda conseguiu fazer um pequeno milagre e entregar um filme divertido, mesmo que alguns personagens tenham que fazer mais do que deveriam e contrariando um pouco os episódios anteriores. Mas há boas performances de seus atores, especialmente de Famke Janssen, um roteiro ágil e ritmo dinâmico. E quando o filme acabar, fique para assistir os créditos. Há ainda mais uma surpresa no final.
NOTA:

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A GALÁXIA » * CACHÉ (por Kas) disse,
27 de Maio de 2006 @ 11:27
[…] * X-MEN: O CONFRONTO FINAL (por Gelogurte) […]
A GALÁXIA » AS APOSTAS PARA O OSCAR disse,
6 de Dezembro de 2006 @ 10:51
[…] FOX BORAT: ator (Sasha Baron Cohen), roteiro original O DIABO VESTE PRADA: atriz (Meryl Streep), atriz coadjuvante (Emily Blunt), ator coadjuvante (Stanley Tucci), roteiro adaptado X-MEN - O CONFRONTO FINAL: efeitos visuais, mixagem de som, edição de som A ERA DO GELO 2: longa de animação NIGHT AT THE MUSEUM: efeitos visuais FLICKA: canção […]
A GALÁXIA » FINALMENTE O RECONHECIMENTO disse,
11 de Maio de 2007 @ 12:13
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